Os buracos negros são conhecidos como os objetos mais extremos do universo, capazes de engolir até a luz. Mas, assim como tudo na natureza, eles também têm um fim. A novidade é que esse fim pode estar muito mais próximo de nós do que os cientistas imaginavam — e com consequências revolucionárias para a física.
Quando um buraco negro morre
A teoria mais aceita vem de Stephen Hawking, que previu que buracos negros liberam lentamente partículas e fótons — o fenômeno chamado radiação de Hawking. Esse processo leva trilhões de anos até resultar em uma explosão final, tornando improvável que víssemos tal evento em nossa era.
Até agora, astrônomos calculavam que uma explosão detectável só ocorreria, em média, uma vez a cada 100 mil anos. Mas um grupo internacional de físicos acredita que o cenário pode ser muito mais otimista.
A hipótese dos buracos negros primordiais
Em artigo publicado em Physical Review Letters, pesquisadores sugerem que buracos negros primordiais — formados não a partir de estrelas, mas do caos do universo primordial — podem ter características elétricas diferentes das de seus pares mais jovens.
O estudo propõe o chamado modelo dark-QED, em que esses buracos negros possuem uma carga “escura”, alimentada por “elétrons escuros” — partículas hipotéticas muito mais pesadas do que os elétrons comuns. Essa carga adicional poderia atrasar a radiação de Hawking, prolongando a vida desses objetos e permitindo que alguns ainda existam hoje.
Explosões detectáveis nesta década
De acordo com os cálculos, isso significa que ainda poderemos observar buracos negros primordiais explodindo no futuro próximo. O físico Michael Baker, coautor do estudo, estima que a probabilidade seja de até 90% nesta década.
“Não afirmamos que vai acontecer com certeza, mas devemos estar preparados, porque já temos tecnologia para detectar essas explosões”, disse Baker.
Observatórios atuais de raios gama, por exemplo, já teriam sensibilidade suficiente para captar a radiação liberada em um evento desse tipo.
Um registro cósmico sem precedentes
Para o pesquisador Joaquim Iguaz Juan, outro coautor, a detecção seria um divisor de águas:
“Se virmos radiação de Hawking, significa que estamos vendo um buraco negro primordial explodindo.”
Essa descoberta poderia fornecer um registro definitivo de todas as partículas que compõem o universo, oferecendo pistas sobre matéria escura, forças fundamentais e até sobre os primeiros segundos após o Big Bang.
O impacto na ciência e na história
Caso a hipótese se confirme, estaríamos diante de uma oportunidade única de reescrever a história do universo. Ver um buraco negro primordial explodindo significaria abrir uma janela para o passado mais distante, revelando segredos até hoje intocados.
Para além do fascínio científico, o evento também serviria como a comprovação mais concreta até agora das previsões de Stephen Hawking, consolidando sua teoria como um dos pilares da astrofísica moderna.