Depois da caminhada afegã, japonesa, consciente e até da chamada caminhada do gorila, uma nova fórmula começou a ganhar popularidade: a caminhada 6-6-6. O método organiza uma atividade conhecida em torno do número seis e promete facilitar a criação de uma rotina de exercícios.
A proposta inclui seis minutos de aquecimento, 60 minutos de caminhada e outros seis minutos de desaceleração e alongamento. A atividade deve ser realizada às 6h ou às 18h, idealmente seis vezes por semana.
Mas não há nada particularmente especial no número seis. Especialistas destacam que os benefícios estão relacionados principalmente à regularidade, duração e intensidade da caminhada.
Como funciona a caminhada 6-6-6

A fórmula que circula nas redes sociais é relativamente simples. Primeiro, são realizados seis minutos de exercícios leves e alongamentos para preparar o corpo.
Depois, começa uma caminhada de 60 minutos em ritmo moderado, geralmente entre 5 e 6 km/h. Ao terminar, são reservados mais seis minutos para reduzir gradualmente o ritmo e realizar alongamentos.
A rotina deve ser feita às 6h ou às 18h, pelo menos seis vezes por semana.
Amy Glover, jornalista do Huffington Post que experimentou o método durante uma semana, calculou que aproximadamente 50 minutos de caminhada representavam cerca de 7 mil passos para ela.
Uma das vantagens, segundo Glover, foi justamente deixar de prestar atenção constantemente ao contador de passos. O tempo passou a ser a principal referência para organizar a atividade.
O horário das 6h realmente faz diferença?
Não existem evidências de que caminhar exatamente às 6h ou às 18h produza algum benefício especial.
A própria Glover concluiu que a regularidade provavelmente importa mais do que o horário escolhido.
Caminhar pela manhã, porém, pode trazer uma vantagem adicional: a exposição à luz natural. A luz nas primeiras horas do dia participa da sincronização do ritmo circadiano, o relógio biológico que influencia processos como sono e estado de alerta.
Ainda assim, isso não significa que caminhar em outro horário seja menos saudável. Para quem não consegue encaixar o exercício nesses períodos, encontrar um momento que permita manter a rotina tende a ser mais importante.
Uma hora caminhando pode ser exercício moderado
Embora caminhar possa parecer uma atividade leve, a intensidade muda conforme a velocidade.
Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), caminhar rapidamente pode entrar na categoria de atividade aeróbica de intensidade moderada.
Isso significa que o ritmo proposto pela caminhada 6-6-6 pode representar um exercício cardiovascular relevante para muitas pessoas.
A Associação Americana do Coração (AHA) recomenda pelo menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica moderada. Caminhar regularmente pode contribuir para atingir essa quantidade e está associado a benefícios cardiovasculares, metabólicos e para a qualidade do sono.
Caminhar também movimenta o cérebro

O exercício não envolve apenas pernas e músculos. A neurologista Lucía Zavala explica que caminhar de maneira fluida exige uma coordenação complexa do sistema nervoso.
Durante a marcha, diferentes regiões cerebrais trabalham para controlar equilíbrio, postura, tônus muscular e automatização dos movimentos. A atividade física também aumenta o fluxo sanguíneo cerebral.
Os benefícios físicos são bem documentados.
Um metanálise publicado na revista Preventive Medicine, que avaliou 24 ensaios clínicos com adultos anteriormente sedentários, encontrou melhorias na capacidade aeróbica após intervenções baseadas em caminhada.
Os pesquisadores também observaram reduções em indicadores como peso corporal, percentual de gordura e pressão arterial diastólica.
A saúde mental também pode se beneficiar
Atividade física regular também está relacionada ao bem-estar psicológico. Caminhar pode ajudar a reduzir o estresse e melhorar o humor, embora seus efeitos variem entre as pessoas e não devam ser reduzidos apenas à liberação de serotonina ou dopamina.
Transformar o passeio em um momento agradável pode facilitar a adesão. Ouvir música, caminhar em espaços verdes ou praticar atenção plena são algumas possibilidades.
No fim, o maior mérito da caminhada 6-6-6 talvez não esteja em sua sequência de números. A fórmula oferece uma estrutura simples para algo que a ciência recomenda há muito tempo: movimentar o corpo regularmente.
E não é obrigatório começar com uma hora por dia ou caminhar seis vezes por semana. Para quem está sedentário, aumentar gradualmente o tempo e a intensidade pode tornar a atividade mais sustentável — e muito mais fácil de manter no longo prazo.
[ Fonte: La Nación ]