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Cartas de deportação para crianças: nova medida do governo Trump gera revolta nos EUA

Mesmo após entrarem legalmente nos Estados Unidos sob um programa humanitário, dezenas de crianças imigrantes receberam cartas ameaçadoras do governo Trump. Ativistas denunciam uma ação “nunca antes vista”, que estaria aterrorizando menores de idade e violando princípios básicos de proteção humanitária.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Uma nova polêmica estremece os Estados Unidos: o governo de Donald Trump passou a enviar cartas diretamente a crianças imigrantes, ameaçando-as com deportação. Embora essas crianças tenham ingressado legalmente no país por meio de programas de proteção humanitária, agora se veem no centro de uma ofensiva imigratória considerada sem precedentes. As cartas, com tom intimidador, geraram pânico entre famílias e ativistas, que acusam o governo de estar traumatizando menores vulneráveis.

“É hora de sair dos Estados Unidos”

Trump E Brasil
© Rawpixel

Em linguagem direta e severa, as cartas recebidas por dezenas de crianças imigrantes trazem frases como: “É hora de que você saia dos Estados Unidos” e “O governo federal vai te encontrar”. Segundo denúncias, os menores visados ingressaram no país sob permissão legal como parte de um programa para “menores desacompanhados”, criado em 2014 para proteger crianças que cruzaram a fronteira sem os pais.

Ainda assim, as notificações mencionam cancelamento de vistos humanitários, ameaças de multas, prisão e deportação imediata. De acordo com dados do Transactional Records Access Clearinghouse (TRAC), mais de 53 mil crianças foram alvo de ordens de deportação nos primeiros oito meses do governo Trump — incluindo 8.300 com 11 anos ou menos.

“Isso é algo nunca visto”

A reação foi imediata. Comunidades imigrantes ficaram em choque e líderes religiosos e sociais classificaram a medida como desumana. “É uma barbaridade. Nunca imaginamos que o governo do país mais poderoso do mundo fosse negar proteção humanitária a crianças”, declarou a pastora Julie Contreras, do santuário United Giving Hope, em Illinois.

Segundo ela, dezenas de crianças da região de Waukegan, que chegaram sozinhas dos países da América Central ou do México, receberam essas cartas mesmo após terem se reunido com familiares nos EUA. Ainda que agora vivam com os pais ou parentes, por lei, essas crianças não podem ser representadas por eles nos tribunais de imigração — o que as deixa legalmente indefesas.

Medo, trauma e abandono legal

Migrantes Trump Criancas
© Barbara Zandoval – Unsplash

O impacto psicológico é severo. “São crianças que fugiram de situações de violência, exploração ou miséria. Agora, recebem uma carta dizendo que serão perseguidas e expulsas. Isso causa um trauma imenso”, lamenta Contreras. Três dessas crianças buscaram refúgio em sua igreja. Uma delas está sozinha, sem os pais, que têm medo de serem detidos caso apareçam em público.

Especialistas alertam que a medida pode representar uma mudança preocupante na política imigratória: retirar as proteções de asilo de crianças com pedidos ainda pendentes e acelerar deportações sem o devido processo legal.

O desmonte silencioso do sistema de proteção

A legislação dos EUA determina que menores desacompanhados devem receber cuidados especiais, incluindo abrigo da Office of Refugee Resettlement (ORR) e permissão provisória de permanência. No entanto, nos últimos meses, defensores de migrantes denunciam um desmonte silencioso desse sistema.

Em março, o governo Trump cortou verbas destinadas a advogados que representam essas crianças. Somente após ação judicial movida por 11 organizações de defesa os recursos foram temporariamente restabelecidos. Mas o caso segue em disputa e a falta de assistência legal continua sendo uma ameaça real.

A pastora Davina Casas, de Chicago, explicou que mesmo com fundos restituídos, não há estrutura suficiente para atender à demanda. “Essas crianças não são criminosas, como Trump prometeu perseguir. São vítimas de abusos de direitos humanos e estão sendo aterrorizadas.”

Um futuro incerto e uma proteção frágil

De acordo com a lei contra o tráfico de pessoas de 2008, o governo é obrigado a garantir assistência legal e repatriação segura de menores estrangeiros. Porém, na prática, essas garantias estão sendo sistematicamente violadas.

A medida acendeu um alerta nacional e internacional sobre os rumos das políticas migratórias dos EUA. Igrejas e santuários que antes eram refúgios seguros, agora são vistos como frágeis diante da força do Estado.

 

[ Fonte: TN ]

 

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