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Casamentos homoafetivos batem recorde no Brasil — e as mulheres puxam a alta

O Brasil registrou um marco histórico em 2024: nunca se casou tanto entre pessoas do mesmo sexo desde o início da série do IBGE. E o dado mais curioso — e revelador — é que mulheres estão liderando esse movimento, que cresce muito mais rápido do que os casamentos heterossexuais. Entenda por que esse salto importa e o que ele diz sobre o país.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O avanço acelerado das uniões homoafetivas

Segundo o IBGE, foram 12,2 mil casamentos homoafetivos em 2024, alta de 8,8% em relação a 2023. No mesmo período, os casamentos heterossexuais cresceram apenas 0,8%. Em termos proporcionais, a expansão das uniões entre pessoas do mesmo sexo foi 11 vezes maior.

Esse crescimento não inclui uniões estáveis — apenas casamentos oficiais registrados em mais de 8 mil cartórios. O dado também mantém uma tendência de quatro anos consecutivos de aumento.

E aqui aparece o recorte mais impressionante: as mulheres representam quase dois terços dos novos casamentos homoafetivos. Foram cerca de 7,9 mil uniões entre mulheres, uma alta de 12,1%. Já entre homens, os pouco mais de 4,3 mil registros indicam crescimento de 3,3%, suficiente para reverter a queda vista em 2023.

A evolução histórica dos casamentos homoafetivos

Casamentos homoafetivos batem recorde no Brasil — e as mulheres puxam a alta
© Pexels

Desde que o IBGE passou a contabilizar esses dados, em 2013, a curva de crescimento é clara — com oscilações explicadas por conjunturas políticas e econômicas.

Progresso ano a ano:

  • 2013 — 3,7 mil
  • 2014 — 4,9 mil
  • 2015 — 5,6 mil
  • 2016 — 5,4 mil
  • 2017 — 5,9 mil
  • 2018 — 9,5 mil
  • 2019 — 9,1 mil
  • 2020 — 6,4 mil
  • 2021 — 9,2 mil
  • 2022 — 11 mil
  • 2023 — 11,2 mil
  • 2024 — 12,2 mil

Esse salto só se tornou possível graças a decisões estruturais: o STF equiparou uniões homoafetivas às heterossexuais em 2011, e o CNJ proibiu cartórios de recusarem casamentos entre pessoas do mesmo sexo em 2013. Desde então, a tendência é de expansão contínua.

Por que os casamentos ainda não voltaram ao nível pré-pandemia

Apesar do recorde nas uniões homoafetivas, o Brasil ainda não recuperou o volume geral de casamentos registrado antes da covid-19. Entre 2013 e 2019, o país superava 1 milhão de casamentos por ano. Em 2020, com restrições sanitárias e adiamentos, esse número despencou para 757 mil.

Em 2024, foram 949 mil — ainda longe do patamar pré-pandemia.

A taxa de nupcialidade, que mede casamentos por 100 mil habitantes acima de 15 anos, também caiu: de 7,1 (2014) para 5,6 (2024). Rondônia (8,9) e Distrito Federal (8,4) aparecem no topo do ranking, enquanto Piauí (3,2) e Sergipe (3,7) estão na ponta oposta.

Cada vez mais tarde no altar

Outra tendência consolidada é o adiamento da decisão de casar. Em 2004, homens se casavam aos 27,8 anos, e mulheres aos 24,9. Em 2024, essas médias subiram para 31,5 e 29,3 anos, respectivamente.

Entre casais homoafetivos, esse adiamento é ainda mais expressivo:

  • Homens que se casam com homens — média de 34,7 anos
  • Mulheres que se casam com mulheres — média de 32,5 anos

A mudança reflete transformações sociais mais amplas: foco em carreira, estabilidade financeira e maior aceitação das uniões homoafetivas.

Dezembro segue imbatível

O calendário de 2024 manteve uma tradição brasileira: dezembro foi, mais uma vez, o mês favorito para casar — e o único que passou dos 100 mil registros. A combinação de férias, festas e clima de celebração continua imbatível.

Meses com mais casamentos em 2024:

  • Dezembro — 103,5 mil
  • Novembro — 96,9 mil
  • Outubro — 88,8 mil

Os demais meses ficaram entre 57 mil e 82 mil, mostrando a força do fim de ano para a oficialização de uniões.

Um retrato de mudança social — e de futuro

O crescimento dos casamentos homoafetivos, especialmente entre mulheres, revela não apenas maior visibilidade, mas também maior segurança jurídica e social para essas uniões. Ao mesmo tempo, o atraso na idade média e a lenta recuperação pós-pandemia mostram como transformações culturais continuam moldando os relacionamentos.

O Brasil ainda busca equilibrar tradição e mudança — nos cartórios, nos direitos e na forma como as pessoas escolhem formar famílias. Os números de 2024 indicam que essa história está longe de terminar e deve ganhar novos capítulos nos próximos anos.

[Fonte: Correio Braziliense]

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