Donald Trump afirmou que consultou o CEO do Google, Sundar Pichai, sobre mudar o nome do Oceano Atlântico. Segundo o presidente dos Estados Unidos, o executivo rejeitou a ideia por envolver um espaço compartilhado por muitos países. O relato ocorreu durante um comício na Carolina do Sul, na quarta-feira, 21 de outubro. A suposta conversa, porém, ainda não havia sido confirmada publicamente pelo Google.
A resposta que Trump atribuiu a Pichai

Durante o discurso, Trump disse que considerou usar seu próprio nome ou a palavra “América” para rebatizar um dos oceanos que banham os Estados Unidos. Ao contar o contato com Pichai, apresentou a reação do executivo como uma recusa.
Na versão do presidente, o CEO explicou que oceanos têm uma dimensão internacional diferente e pediu que a empresa não fosse colocada nessa situação. Trump então sinalizou que provavelmente deixaria o Atlântico com o nome atual.
Ele também mencionou o Pacífico como possível alvo de outra mudança e falou sobre rebatizar um rio. As declarações fazem parte de um discurso político e não demonstram, por si só, a existência de um processo formal para alterar esses nomes. O The Verge, que reproduziu suas falas, informou que procurou o Google e não recebeu resposta imediata.
O antecedente do Golfo do México
A história remete a uma mudança efetiva na forma como o Google Maps apresenta o Golfo do México. Em fevereiro de 2025, a empresa anunciou que passaria a mostrar “Golfo da América” para usuários nos Estados Unidos.
No comunicado oficial sobre a alteração, o Google explicou que a decisão acompanhava uma atualização do Geographic Names Information System, o sistema americano de nomes geográficos.
A empresa apresentou a medida como aplicação de uma prática já existente: refletir mudanças registradas em fontes oficiais. Assim, sua justificativa pública para atualizar o mapa estava ligada ao cadastro governamental, e não a um pedido pessoal feito ao comando da companhia.
A alteração veio após uma ordem executiva de Trump. Em 9 de fevereiro daquele ano, o presidente também assinou uma proclamação para instituir o “Dia do Golfo da América”, durante um voo a bordo do Air Force One. O registro da cerimônia no American Presidency Project documenta essa iniciativa.
O nome exibido depende de onde está o usuário

A atualização do golfo não foi uniforme no mundo inteiro. O Google informou que usuários no México continuariam vendo “Golfo do México”, enquanto pessoas em outros países teriam acesso aos dois nomes.
Essa distinção ajuda a entender o alcance da mudança. Uma decisão americana pode alterar registros oficiais dos Estados Unidos e influenciar serviços digitais, mas a apresentação adotada pela plataforma pode variar entre mercados.
Na cobertura da CNN sobre a atualização, a empresa reiterou sua prática de acompanhar fontes governamentais. A distribuição dos nomes por localização mostra como o mesmo aplicativo pode apresentar denominações diferentes para um único espaço geográfico.
Uma ligação não equivale a uma mudança no mapa
O episódio do Atlântico exige separar o relato de Trump de uma decisão anunciada pelo Google. Até as reportagens consultadas, não havia confirmação da ligação pela companhia nem anúncio de uma nova denominação para o oceano.
O caso também evidencia o papel das plataformas na visibilidade dessas decisões. Ao escolher como apresentar nomes oficiais e variantes nacionais, um serviço de mapas torna essas denominações parte da experiência cotidiana de seus usuários.
Por enquanto, o que existe sobre o Atlântico é a versão pública do presidente sobre uma conversa privada. O precedente do golfo mostra que mudanças podem chegar aos aplicativos por meio de registros oficiais; não permite concluir que uma proposta mencionada em um comício seguirá o mesmo caminho.