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China reage a tarifas dos EUA e taxa navios americanos; soja despenca 2%

As tensões entre China e Estados Unidos voltaram a ferver. A partir de 14 de outubro, Pequim começará a cobrar uma taxa sobre navios americanos que atracarem em portos chineses — uma resposta direta às tarifas impostas por Washington. A medida já provocou reflexos imediatos nos mercados de commodities, derrubando o preço da soja quase 2% em Chicago.
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Tempo de leitura: 2 minutos

O Ministério dos Transportes da China anunciou que os navios americanos passarão a pagar 400 yuans (cerca de US$ 56) por tonelada líquida — praticamente o mesmo valor das tarifas aplicadas pelos EUA sobre embarcações chinesas.

A cobrança será progressiva até abril de 2028, acompanhando o cronograma definido por ambos os países. Pequim classificou as taxas norte-americanas como uma “violação grave dos princípios do comércio internacional”, afirmando que elas prejudicam o transporte marítimo entre as duas maiores economias do mundo.

“No curto prazo, isso vai elevar custos para consumidores americanos, reduzir lucros dos transportadores e diminuir a demanda por exportações de algumas categorias”, explicou Michael Hart, presidente da Câmara de Comércio Americana na China, à CNBC.

Soja sente o impacto imediato

China reage a tarifas dos EUA e taxa navios americanos; soja despenca 2%
© https://x.com/Tsogang3

O efeito dominó foi instantâneo. Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros da soja — uma das principais commodities agrícolas americanas — caíram entre 1,5% e 1,7%, levando a cotação de janeiro para US$ 10,21 e a de maio para US$ 10,49 por bushel.

Segundo Eduardo Vanin, diretor da Agrinvest Commodities, o problema vai além da cotação.

“Se os EUA ficarem fora do jogo, a China vai comprar de outros fornecedores, como Brasil e Argentina, para cobrir embarques de novembro, dezembro e janeiro. Ainda faltam 10 milhões de toneladas”, explica.

A relação entre os dois gigantes já vinha tensa por causa de disputas em outros setores, como chips da Nvidia, tecnologia e terras raras — matérias-primas essenciais para a indústria eletrônica global. A nova tarifa apenas adiciona combustível à rivalidade.

Clima político azeda antes de encontro entre líderes

A escalada acontece em meio à incerteza diplomática. O presidente americano afirmou não ver motivo para se reunir com Xi Jinping na Coreia do Sul, no fim do mês, e cogita aumentar as tarifas sobre produtos chineses.

Em sua rede Truth Social, o líder dos EUA alegou que Pequim estaria enviando cartas a diversos países para informar possíveis restrições de exportação de elementos de terras raras, o que poderia afetar cadeias produtivas no mundo inteiro.

“Ninguém nunca viu algo assim. Isso entupiria os mercados e dificultaria a vida de praticamente todos os países, inclusive da própria China”, disse o presidente.

O que vem pela frente

O mercado agora aguarda o desfecho político do impasse — especialmente um possível encontro entre os líderes das duas potências. Caso não haja trégua, analistas temem um efeito cascata nas exportações agrícolas, pressionando preços globais e redesenhando a rota de grãos rumo ao Brasil e à Argentina.

A guerra comercial entre China e Estados Unidos volta a mostrar que, em tempos de tarifas e retaliações, nenhum navio navega sozinho — e que até um grão de soja pode carregar o peso da geopolítica global.

[Fonte: Notícias agrícolas]

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