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Tecnologia

China testa comunicação com a Lua que pode mudar as futuras missões espaciais

Uma nova demonstração espacial conseguiu transportar grandes volumes de dados por uma distância impressionante. O resultado dá uma pista de como poderá funcionar a próxima geração de missões lunares.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Durante décadas, enviar informações entre a Terra e a Lua significou lidar com grandes limitações de velocidade e quantidade de dados. Fotografias, vídeos, medições científicas e comandos para espaçonaves precisam atravessar cerca de 400 mil quilômetros antes de chegar ao destino. Agora, pesquisadores chineses demonstraram uma alternativa que pode transformar essa comunicação — e o resultado é mais impressionante do que parece à primeira vista.

Um novo caminho para atravessar o espaço

A comunicação espacial tradicional utiliza principalmente ondas de rádio. Elas são confiáveis e já sustentaram décadas de missões, mas o volume crescente de informações produzido por câmeras, sensores e instrumentos científicos exige novas soluções.

Foi nesse cenário que pesquisadores chineses realizaram um teste de comunicação óptica a uma distância superior a 400 mil quilômetros.

O experimento estabeleceu uma conexão bidirecional por laser entre uma estação terrestre e o satélite cislunar DRO-A. Nos primeiros testes, o sistema alcançou 1,25 Mbps de velocidade de envio e até 100 Mbps de download.

Para entender a diferença, os pesquisadores usaram uma comparação bastante fácil de visualizar. Uma imagem 8K da superfície lunar que poderia levar entre quatro e cinco minutos para ser transmitida por um enlace de micro-ondas de 5 Mbps poderia chegar à Terra em aproximadamente 12 segundos utilizando o novo sistema.

Mas há uma ressalva importante: não foi uma fotografia 8K capturada por um rover na superfície da Lua e enviada em 12 segundos. A imagem serviu como demonstração do ganho de velocidade obtido no experimento entre a Terra e o satélite.

Ainda assim, a experiência mostra que é possível manter uma comunicação óptica de alta velocidade em distâncias comparáveis àquela entre nosso planeta e a Lua.

O verdadeiro desafio está em acertar um alvo a 400 mil quilômetros

Enviar um feixe de laser pelo espaço parece simples até considerarmos a precisão necessária.

Ao contrário das ondas de rádio, o laser pode concentrar uma enorme quantidade de informação em um feixe extremamente estreito. Essa característica aumenta o potencial da tecnologia, mas também torna o sistema muito mais exigente.

Uma pequena falha no direcionamento do laser quando ele parte da Terra pode resultar em um erro de vários quilômetros ao chegar à distância lunar.

O movimento constante do satélite, pequenas deformações nos telescópios, efeitos da atmosfera terrestre e até o tempo necessário para a luz percorrer a distância precisam ser considerados continuamente.

Os pesquisadores desenvolveram, por isso, um sistema capaz de manter o transmissor e o receptor precisamente alinhados enquanto ambos se movimentam.

E mesmo depois de acertar o alvo, ainda existe outro problema.

Quando o sinal chega à Terra quase como um sussurro

Depois de percorrer centenas de milhares de quilômetros, a intensidade do laser diminui drasticamente.

As estações terrestres podem receber apenas alguns fótons, enquanto precisam separar essa informação extremamente fraca de todo o ruído produzido pelo ambiente.

Luz da própria Lua, estrelas, atmosfera e até iluminação artificial das cidades podem interferir na comunicação.

Para lidar com isso, os pesquisadores utilizaram detectores supercondutores capazes de identificar fótons individuais, combinados com algoritmos desenvolvidos para separar o sinal útil do ruído.

A tecnologia não faz os dados viajarem mais rápido que a luz. Tanto as ondas de rádio quanto os sinais ópticos se propagam essencialmente à velocidade da luz.

A diferença está na quantidade de informação que pode ser transportada no mesmo período.

Essa vantagem pode se tornar crucial quando missões lunares começarem a produzir volumes muito maiores de dados.

A próxima disputa espacial também será por largura de banda

Câmeras de altíssima resolução, veículos autônomos, instrumentos científicos e futuras instalações habitadas na Lua poderão gerar uma quantidade de informações muito superior à das missões atuais.

É por isso que uma conexão mais rápida pode ser tão importante quanto os próprios foguetes e espaçonaves.

A China afirma que a tecnologia poderá apoiar seus futuros programas de exploração lunar, incluindo missões tripuladas, possíveis estações científicas e operações no espaço profundo.

A demonstração também ajuda a revelar uma mudança na própria natureza da exploração espacial.

No passado, o grande desafio era simplesmente chegar à Lua. Agora, conforme mais veículos, robôs e seres humanos forem enviados para lá, será necessário criar uma infraestrutura capaz de mantê-los permanentemente conectados à Terra.

O teste chinês mostra que o laser pode ser uma das peças dessa infraestrutura. A imagem 8K transmitida em cerca de 12 segundos é apenas a comparação mais fácil de entender.

Por trás dela existe algo muito maior: a possibilidade de transformar a comunicação entre a Terra e a Lua em uma verdadeira autopista de dados, capaz de sustentar a próxima fase da exploração espacial.

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