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Tecnologia

Antes dos alertas dominarem o celular, o Facebook criou um app que queria transformar cada notificação em notícia

Muito antes das notificações atuais, o Facebook tentou criar um aplicativo inteiro ao redor delas. Grandes veículos participaram da experiência, mas a ideia desapareceu poucos meses depois.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Hoje parece absolutamente normal descobrir uma notícia urgente pela tela bloqueada do celular. Em 2015, porém, o Facebook acreditava que esse hábito poderia sustentar um aplicativo independente. A empresa reuniu grandes veículos, esportes, previsão do tempo e entretenimento em uma experiência que dispensava percorrer um feed tradicional. Bastava escolher seus interesses e esperar. O projeto parecia antecipar parte do futuro dos smartphones, mas teve uma existência surpreendentemente curta.

O Facebook queria que você descobrisse o mundo sem abrir uma rede social

Antes dos alertas dominarem o celular, o Facebook criou um app que queria transformar cada notificação em notícia
© Unsplash

Em novembro de 2015, o Facebook apresentou o Notify, um aplicativo independente desenvolvido inicialmente para iPhone e lançado nos Estados Unidos.

A proposta parecia simples: transformar as notificações em uma maneira de consumir informação em tempo real.

Em vez de abrir o Facebook, entrar em um site ou percorrer um aplicativo de notícias, o usuário escolhia previamente os assuntos e fontes que desejava acompanhar. Quando alguma novidade importante acontecia, ela aparecia diretamente na tela bloqueada do celular.

O sistema funcionava por meio das chamadas “stations”, espécies de canais temáticos aos quais era possível se inscrever.

Havia opções bastante diferentes.

A CNN e a Fox News ofereciam notícias de última hora. A Fox Sports enviava resultados esportivos. O The Weather Channel fornecia previsões meteorológicas. A Vogue destacava celebridades e moda, enquanto o Fandango avisava sobre novos trailers de filmes.

No lançamento, mais de 70 empresas e veículos participavam da plataforma.

E havia uma característica especialmente interessante: o usuário não precisava necessariamente receber tudo o que determinado veículo publicava.

Era possível escolher até o tipo de alerta que deveria interromper seu dia

O Notify tentava resolver um problema que continua atual: notificações demais rapidamente deixam de ser úteis.

Por isso, o Facebook permitia personalizar os assuntos acompanhados.

Alguém interessado em esportes poderia configurar alertas relacionados a equipes específicas. Outro usuário poderia acompanhar notícias de determinada cidade, empresa ou categoria de entretenimento.

O aplicativo também sugeria canais considerando informações do perfil do Facebook.

Quando uma notificação chegava, bastava tocar nela para abrir o conteúdo correspondente no navegador integrado ao aplicativo. Assim, o usuário poderia ler uma reportagem completa, assistir a um vídeo ou acessar diretamente o site responsável pela informação.

Se não fosse possível abrir naquele momento, havia uma opção para salvar o alerta.

O Notify ainda mantinha um histórico com as notificações recebidas durante as últimas 24 horas, criando algo semelhante a um feed construído exclusivamente com acontecimentos recentes.

Também era possível compartilhar alertas por mensagem, e-mail, Facebook e outras redes sociais.

O conceito tinha potencial. Afinal, colocava as informações importantes exatamente onde os usuários já olhavam dezenas de vezes por dia: a tela do telefone.

Mas havia um obstáculo difícil de superar.

Sete meses foram suficientes para o Facebook desistir

Apesar da presença de grandes veículos e da proposta de oferecer informação imediatamente, o Notify nunca conseguiu conquistar um público expressivo.

O aplicativo desapareceu apenas sete meses depois de seu lançamento.

Em junho de 2016, o Facebook informou aos usuários que deixaria de oferecer suporte ao serviço e que algumas de suas funcionalidades seriam incorporadas a outros produtos da empresa.

Um deles era o Messenger.

Naquele momento, o aplicativo de mensagens já possuía uma audiência gigantesca, tornando muito mais atraente levar determinadas ideias do Notify para produtos existentes do que tentar convencer milhões de pessoas a instalar outro aplicativo.

Estimativas da Sensor Tower divulgadas na época indicavam que o Notify havia acumulado somente cerca de 63 mil downloads durante sua curta existência.

Era pouco para uma empresa do tamanho do Facebook.

O problema talvez não estivesse exatamente na ideia das notificações em tempo real. Pelo contrário: os anos seguintes mostrariam que os alertas se tornariam uma parte cada vez mais importante da maneira como consumimos informação.

O desafio era convencer o usuário de que precisava de um aplicativo separado exclusivamente para isso.

O aplicativo morreu, mas sua ideia parece muito menos estranha hoje

Olhando retrospectivamente, algumas características do Notify parecem quase banais.

Aplicativos jornalísticos enviam notícias urgentes diretamente para a tela bloqueada. Serviços esportivos avisam quando começa uma partida ou quando acontece um gol. Aplicativos meteorológicos alertam sobre tempestades e mudanças bruscas nas condições do tempo.

Smartphones atuais ainda oferecem controles cada vez mais detalhados para decidir quais aplicativos podem interromper o usuário.

Em outras palavras, a lógica que sustentava o Notify não desapareceu.

Ela simplesmente foi distribuída por dezenas de aplicativos e incorporada aos próprios sistemas operacionais.

O Facebook, inclusive, já experimentava naquele período maneiras de tornar sua área de notificações mais útil, adicionando informações sobre aniversários, eventos, resultados esportivos, previsão do tempo e acontecimentos locais.

Notify acabou se tornando uma das muitas experiências independentes lançadas pela empresa e posteriormente abandonadas.

Mas seu fracasso guarda uma ironia interessante.

O aplicativo tentou convencer as pessoas de que a notificação poderia se transformar em uma maneira completa de consumir informação. Não conseguiu sobreviver nem um ano.

Uma década depois, basta observar quantas vezes desbloqueamos o celular depois de receber um alerta para perceber que talvez aquela ideia não estivesse completamente errada. O problema pode ter sido transformá-la em um aplicativo separado.

[Fonte: Trecebits]

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