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Ciência

Cientista revela como cortar pela metade o tempo de viagem até Marte — e o segredo está em uma nova rota

Um físico propôs duas rotas alternativas para chegar a Marte em apenas 90 dias, usando tecnologias que já existem. A ideia poderia revolucionar as futuras missões tripuladas ao planeta vermelho, reduzindo riscos, custos e o tempo total de viagem. Entenda como esse atalho seria possível.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A ideia de enviar humanos a Marte há muito tempo desperta fascínio e desafios técnicos. Com a previsão da NASA de retornar à Lua em 2027, a corrida rumo ao planeta vermelho se intensifica. Atualmente, estima-se que a viagem levaria de seis a nove meses. Mas um novo estudo apresenta uma solução surpreendente: chegar a Marte em apenas três meses, sem depender de tecnologias futuristas.

 

A proposta do físico: um caminho mais curto com tecnologia atual

Marte 1
© Vicky Vale – Unsplash

Jack Kingdon, pesquisador do Departamento de Física da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara (EUA), conduziu um estudo que propõe o uso de duas rotas alternativas para reduzir significativamente o tempo de viagem até Marte. A novidade é que essas trajetórias poderiam ser realizadas com as tecnologias já existentes, particularmente as desenvolvidas pela SpaceX, como a nave Starship.

Em entrevista ao portal Universe Today, Kingdon destacou que sua proposta evita tecnologias ainda distantes da realidade, como motores de plasma (VASIMR) ou propulsão nuclear elétrica (NEP), ambas sugeridas anteriormente pela NASA. Essas ideias, embora promissoras, exigem grandes reatores nucleares espaciais — algo tecnicamente complexo e caro de desenvolver.

Por outro lado, ele aponta que a propulsão nuclear térmica (NTP), ainda que viável, provavelmente não traria ganhos tão significativos em comparação aos sistemas químicos usados atualmente.

 

Missão com a Starship: seis naves e muito combustível

A proposta de Kingdon se apoia na arquitetura da missão Starship Mars, idealizada pela SpaceX, empresa de Elon Musk. O plano prevê o envio de seis naves espaciais: quatro para transportar até 400 toneladas métricas de carga, e outras duas para levar cerca de 200 passageiros.

Segundo a revista Wired, cada cápsula poderia armazenar 1.500 toneladas métricas de combustível, o que exigiria o suporte de 15 naves-tanque para abastecer completamente as naves tripuladas em órbita baixa da Terra. Em comparação, as naves de carga, que seguiriam uma rota mais lenta e eficiente em termos de energia, precisariam apenas de quatro reabastecimentos.

 

De nove meses para três: quando e como acelerar a missão

A proposta de Kingdon permitiria reduzir a viagem a Marte para um período entre 90 e 104 dias, o que representaria uma redução de mais da metade em relação às estimativas atuais.

Além das novas rotas, o estudo enfatiza a importância das janelas de lançamento — momentos específicos em que a posição da Terra e de Marte favorece a viagem. A primeira dessas janelas seria em 30 de abril de 2033, com retorno previsto para 2 de julho de 2035. A segunda opção seria sair em 15 de julho de 2035, com volta marcada para 5 de dezembro de 2037, nesse caso com um trajeto de 104 dias.

Diminuir o tempo de voo traz benefícios que vão além da velocidade: aumenta a segurança dos astronautas e reduz o consumo de combustível, algo crucial em missões de longa duração no espaço.

 

Um futuro promissor, mas com desafios no caminho

Apesar do entusiasmo, o plano depende do avanço da nave Starship, que por enquanto só realizou testes — muitos dos quais terminaram em explosões minutos após o lançamento. Para que o plano se concretize, será necessário não apenas refinar as rotas propostas, mas garantir que a tecnologia da SpaceX atinja um nível de confiabilidade elevado.

“Mesmo com essas ressalvas, nossos resultados sugerem que missões tripuladas a Marte com tempos de trânsito mais curtos podem ser viáveis no curto prazo. Mas ainda precisamos de mais pesquisas”, afirma o estudo, publicado na revista Scientific Reports.

 

Se confirmado, esse atalho poderia não apenas acelerar o sonho de colonizar Marte, mas também tornar as missões mais seguras e acessíveis do que se imaginava até agora.

 

[ Fonte: TN ]

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