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Ciência

Cientistas descobrem a data exata do céu que inspirou uma das pinturas mais famosas de Van Gogh

Astrônomos reconstruíram o céu de 1889 e encontraram uma combinação surpreendente de estrelas, Lua e planetas que pode revelar quando Van Gogh se inspirou para pintar A Noite Estrelada.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Uma das pinturas mais famosas do mundo acaba de ganhar uma nova interpretação graças à astronomia. Pesquisadores sul-coreanos utilizaram simulações do céu, registros meteorológicos e cartas pessoais de Vincent van Gogh para investigar o mistério por trás de A Noite Estrelada. A descoberta aponta para uma madrugada específica de julho de 1889, contrariando a data tradicionalmente associada à obra. Mais de um século depois, a ciência pode ter encontrado o céu que o artista realmente observou.

O céu de Van Gogh pode ter sido observado em 22 de julho de 1889

Cientistas descobrem a data exata do céu que inspirou uma das pinturas mais famosas de Van Gogh
© Unsplash

Durante décadas, historiadores da arte consideraram que A Noite Estrelada havia sido pintada em junho de 1889, quando Van Gogh estava internado voluntariamente no sanatório de Saint-Paul-de-Mausole, em Saint-Rémy-de-Provence, na França.

Entretanto, uma nova pesquisa da Universidade Kyung Hee, na Coreia do Sul, apresenta evidências de que a inspiração astronômica da obra pode ter surgido antes do amanhecer de 22 de julho de 1889.

O estudo, publicado em 22 de outubro de 2026 na revista científica Scientific Reports, combinou astronomia, análise geométrica e documentos históricos para reconstruir o céu visível da região.

A equipe identificou uma disposição de corpos celestes surpreendentemente semelhante à representada pelo pintor.

A descoberta sugere que o cenário não foi inteiramente criado pela imaginação de Van Gogh, embora seus famosos redemoinhos e cores intensas continuem sendo elementos de sua interpretação artística.

A Lua foi a primeira pista para resolver o mistério

Cientistas descobrem a data exata do céu que inspirou uma das pinturas mais famosas de Van Gogh
© Unsplash

Uma das maiores dificuldades das teorias anteriores estava na aparência da Lua.

Em junho de 1889, período tradicionalmente associado à criação do quadro, o satélite apresentava uma fase gibosa minguante, com aproximadamente 63% de sua face visível iluminada.

Mas a Lua retratada por Van Gogh é muito mais fina.

Ao reconstruir as condições astronômicas de julho, os cientistas encontraram uma correspondência mais convincente.

Na madrugada de 22 de julho, a Lua estava em fase minguante, com aproximadamente 28% de iluminação.

Sua aparência se aproximava daquela representada no canto superior direito da pintura.

Essa coincidência levou os pesquisadores a investigar outros elementos do céu.

Vênus e cinco estrelas reforçaram a descoberta

A segunda pista estava em um dos pontos mais luminosos da composição, próximo ao grande cipreste.

Os pesquisadores identificaram uma possível correspondência com Vênus, planeta frequentemente chamado de estrela-d’alva quando aparece no céu antes do nascer do Sol.

Van Gogh já havia mencionado o brilho desse astro em cartas enviadas ao irmão Theo.

A terceira evidência veio de cinco estrelas localizadas na região central da pintura.

Utilizando uma técnica matemática de comparação de formas, os cientistas identificaram semelhanças com as Híades, um aglomerado estelar situado na constelação de Touro.

Segundo o estudo original publicado na Scientific Reports, a posição conjunta da Lua, de Vênus e das Híades corresponde, de maneira aproximada, ao céu observado naquela madrugada de julho.

Cartas antigas e registros do clima ajudaram a confirmar a hipótese

Os pesquisadores não se limitaram à posição das estrelas.

Também analisaram desenhos anteriores de Van Gogh, a topografia da região e registros meteorológicos do século XIX.

Essas informações permitiram reconstruir o campo de visão que o artista poderia ter observado nas proximidades do sanatório.

Os registros climáticos sugerem que o céu estava suficientemente limpo para permitir a observação dos astros.

Outro detalhe curioso apareceu nas cartas pessoais do pintor.

Van Gogh mencionava frequentemente as cigarras, insetos associados às temperaturas elevadas do verão europeu.

Essas referências seriam mais compatíveis com as condições de julho do que com aquelas registradas em junho.

A descoberta muda a história de A Noite Estrelada?

A pesquisa oferece uma nova hipótese para a origem da composição, mas não resolve definitivamente todos os mistérios da pintura.

Os próprios autores reconhecem que identificar o céu que inspirou a obra não significa determinar o dia exato em que ela foi concluída.

Van Gogh poderia ter combinado observações de diferentes noites, memórias e elementos imaginários.

Além disso, registros históricos incompletos impedem uma reconstrução absolutamente precisa dos acontecimentos.

Ainda assim, a descoberta mostra como ferramentas científicas modernas podem contribuir para compreender obras de arte criadas há mais de um século.

O que antes parecia apenas um céu imaginário pode ter começado com uma observação real, transformada pela sensibilidade de um dos artistas mais influentes da história.

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