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Ciência

Cientistas descobrem como o CBD atua em receptor ligado à memória e cognição

Pesquisadores argentinos identificaram em nível molecular uma região específica onde o canabidiol interage com um importante receptor do cérebro. A descoberta pode ajudar no desenvolvimento futuro de medicamentos para doenças neurológicas, neurodegenerativas e inflamatórias.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Um grupo de cientistas de Bahía Blanca, na Argentina, conseguiu identificar como o canabidiol (CBD) atua sobre um receptor envolvido na comunicação entre os neurônios. O avanço ajuda a compreender melhor os mecanismos moleculares associados ao composto da Cannabis sativa e abre novas possibilidades para pesquisas farmacológicas.

O trabalho foi realizado pelos pesquisadores Juan Facundo Chrestia e Cecilia Bouzat, do Instituto de Investigações Bioquímicas de Bahía Blanca (INIBIBB), ligado à Universidade Nacional do Sul e ao Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas da Argentina (CONICET).

A pesquisa também contou com a participação de cientistas da Universidade de Oxford e da Oxford Brookes University, no Reino Unido. Os resultados foram publicados na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

O receptor cerebral que chamou a atenção dos cientistas

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© Imagem gerada por inteligência artificial – Gizmodo BR

O estudo se concentrou no receptor nicotínico alfa-7, também conhecido como receptor α7. Essa proteína participa da comunicação entre células nervosas e está associada a diferentes processos do sistema nervoso.

Entre eles estão mecanismos relacionados à aprendizagem, memória e cognição.

Os pesquisadores investigaram de que maneira o CBD consegue modular a atividade desse receptor. Mais importante ainda, conseguiram localizar uma região molecular sensível à presença do composto.

Na prática, isso ajuda os cientistas a entender exatamente onde e como o CBD pode modificar o funcionamento do receptor.

Esse tipo de conhecimento é importante para o desenvolvimento de moléculas capazes de agir de maneira cada vez mais específica sobre determinados mecanismos celulares.

CBD e THC não provocam os mesmos efeitos

Cannabis
© FreePik

O canabidiol é um dos principais compostos encontrados na Cannabis sativa. No entanto, seus efeitos são diferentes daqueles associados ao tetrahidrocanabinol, o THC.

O THC está relacionado principalmente aos efeitos psicoativos do cannabis. O CBD, por sua vez, não provoca o mesmo tipo de intoxicação ou alteração da percepção.

Por esse motivo, o canabidiol vem despertando grande interesse científico nas últimas décadas. Pesquisadores investigam seu potencial em diferentes condições neurológicas, inflamatórias e outras áreas da medicina.

Ainda assim, conhecer um possível efeito terapêutico não é suficiente para desenvolver um medicamento. É necessário compreender os mecanismos moleculares envolvidos.

É justamente nesse ponto que a nova pesquisa ganha importância.

Descoberta pode ajudar pesquisas sobre Alzheimer

Segundo Cecilia Bouzat, o receptor alfa-7 ainda não é utilizado rotineiramente como alvo terapêutico na prática clínica. Apesar disso, cientistas estudam essa proteína há anos devido à sua possível relação com diferentes doenças.

Em algumas condições neurológicas, incluindo a doença de Alzheimer, pesquisadores observaram alterações ou redução na atividade desse receptor.

Também existem evidências experimentais de que aumentar sua atividade pode favorecer determinados processos relacionados à memória e à cognição.

Isso não significa, porém, que estimular o receptor seja automaticamente um tratamento contra Alzheimer ou outras doenças.

O que os cientistas procuram entender é como controlar sua atividade de maneira precisa e segura.

Saber como o CBD interage com essa estrutura fornece mais uma peça desse complexo quebra-cabeça.

O objetivo é desenvolver medicamentos mais precisos

Eficácia Dos Medicamentos
© Val-gb – PIxabay

Bouzat classificou o trabalho como ciência básica, mas ressaltou que esse conhecimento é fundamental para avanços posteriores.

Antes de desenvolver um medicamento direcionado a determinado receptor, os pesquisadores precisam conhecer sua estrutura, seu funcionamento e os pontos onde diferentes moléculas conseguem interagir com ele.

A identificação da região sensível ao CBD pode permitir que futuros estudos desenvolvam compostos mais seletivos.

Em vez de utilizar necessariamente o próprio canabidiol, por exemplo, pesquisadores poderiam estudar novas moléculas inspiradas nesse mecanismo e projetadas especificamente para modular o receptor alfa-7.

Essa abordagem poderia ser investigada não apenas para doenças neurológicas e neurodegenerativas, mas também para condições inflamatórias nas quais esse receptor desempenha algum papel.

Ainda não significa que um novo medicamento esteja próximo

Apesar da importância da descoberta, os resultados não significam que um novo tratamento baseado nesse mecanismo chegará imediatamente às farmácias.

Existe uma longa distância entre identificar uma interação molecular em laboratório e desenvolver um medicamento seguro e eficaz para seres humanos.

São necessários novos estudos experimentais, testes de segurança, avaliações de eficácia e, eventualmente, ensaios clínicos.

A descoberta dos pesquisadores argentinos e britânicos fornece justamente uma das informações necessárias para avançar nesse caminho.

Ao revelar com maior precisão como o CBD consegue modular um receptor relacionado à comunicação neuronal, o estudo oferece uma nova base molecular para investigar medicamentos capazes de atuar de maneira mais específica sobre mecanismos ligados à memória, cognição e diferentes doenças do sistema nervoso.

 

[ Fonte: La Arena ]

 

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