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Ciência

Cientistas descobrem que os ovários continuam ativos após a menopausa e podem esconder uma função inesperada

Uma descoberta científica desafia décadas de conhecimento sobre a menopausa: os ovários continuam biologicamente ativos e podem influenciar a saúde feminina muito depois do fim da fertilidade.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Durante décadas, a medicina considerou que os ovários praticamente encerravam suas atividades após a menopausa. Sem a liberação regular de óvulos e com a redução dos hormônios reprodutivos, esses órgãos pareciam perder grande parte de sua importância. Agora, uma pesquisa conduzida por cientistas norte-americanos revela uma realidade diferente: os ovários continuam passando por transformações celulares e moleculares, levantando novas questões sobre o envelhecimento e a saúde das mulheres.

Ovários não deixam de funcionar depois da menopausa

Cientistas descobrem que os ovários continuam ativos após a menopausa e podem esconder uma função inesperada
© Pexels

Uma investigação realizada por pesquisadores da Universidade Northwestern e do Buck Institute for Research on Aging, nos Estados Unidos, identificou que os ovários permanecem biologicamente ativos durante décadas após o encerramento da vida reprodutiva.

O estudo analisou tecidos ovarianos saudáveis de 28 mulheres com idades entre 50 e 75 anos. Utilizando técnicas avançadas de espectrometria de massas, os cientistas examinaram 5.812 grupos de proteínas para compreender como esses órgãos se modificam ao longo do envelhecimento.

Os resultados revelaram alterações importantes na composição molecular dos ovários, especialmente em proteínas relacionadas à inflamação, à estrutura dos tecidos e ao funcionamento celular.

Isso significa que a menopausa não representa o desligamento completo desses órgãos. Embora a função reprodutiva seja encerrada, diferentes processos biológicos continuam acontecendo.

Os resultados, publicados na revista científica Aging Cell, reforçam uma perspectiva que começa a ganhar espaço na medicina: os ovários podem desempenhar funções que ultrapassam a reprodução.

Uma descoberta que pode mudar o entendimento sobre o envelhecimento feminino

Cientistas descobrem que os ovários continuam ativos após a menopausa e podem esconder uma função inesperada
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Entre os resultados mais interessantes está a identificação de alterações nas proteínas associadas ao envelhecimento ovariano.

Ao comparar mulheres de diferentes faixas etárias, os pesquisadores observaram mudanças progressivas em mecanismos relacionados à resposta imunológica, à inflamação e à remodelação dos tecidos.

O estudo identificou 117 proteínas com diferenças significativas entre os grupos de 50 a 59 anos e de 70 anos ou mais.

Essas transformações sugerem que os ovários continuam respondendo ao envelhecimento de maneira dinâmica, em vez de permanecerem como estruturas biologicamente inativas.

A pesquisa também encontrou padrões moleculares associados a processos observados no câncer de ovário. Entretanto, isso não significa que as participantes apresentavam a doença ou que essas alterações necessariamente provocariam tumores.

O achado abre novas possibilidades para investigar como o envelhecimento ovariano pode se relacionar com o desenvolvimento de determinadas doenças.

O que os ovários ainda fazem depois dos 50 anos?

Uma das questões centrais envolve a produção hormonal. Mesmo depois da menopausa, os ovários continuam produzindo pequenas quantidades de hormônios, incluindo testosterona e outros esteroides.

Essas substâncias podem participar de processos que envolvem diferentes sistemas do organismo. Entretanto, ainda não está claro até que ponto a atividade ovariana residual influencia diretamente a saúde cardiovascular, óssea, metabólica ou imunológica.

Uma análise publicada na revista Science, em outubro de 2026, destaca justamente essa lacuna científica. Os pesquisadores argumentam que compreender a função dos ovários após a menopausa pode revelar aspectos importantes da saúde feminina que permaneceram pouco investigados.

Durante muito tempo, grande parte das pesquisas concentrou-se na fertilidade e nas alterações hormonais que acompanham a menopausa, deixando em segundo plano o que acontece com esses órgãos nas décadas seguintes.

A descoberta pode mudar tratamentos médicos?

Os resultados também levantam uma questão relevante: quais são as consequências de retirar os ovários depois da menopausa?

Em determinadas situações, a remoção cirúrgica é necessária para tratar doenças ou reduzir riscos específicos. Entretanto, a possibilidade de esses órgãos continuarem desempenhando funções biológicas importantes reforça a necessidade de compreender melhor os efeitos dessa decisão.

Isso não significa que o novo estudo tenha demonstrado benefícios clínicos da preservação ovariana em todas as mulheres. Os pesquisadores ainda precisam determinar se as alterações moleculares identificadas produzem efeitos significativos sobre outros órgãos.

Também serão necessários estudos maiores, capazes de acompanhar mulheres durante períodos prolongados.

Uma nova maneira de compreender a menopausa

A descoberta representa uma mudança importante na forma como a ciência observa o envelhecimento reprodutivo feminino.

Em vez de considerar a menopausa como o encerramento definitivo das funções ovarianas, os pesquisadores propõem investigar essa etapa como uma transformação biológica complexa.

Os ovários deixam de sustentar a fertilidade, mas continuam apresentando atividade molecular, alterações estruturais e processos associados ao envelhecimento.

O próximo desafio será descobrir se essa atividade pode ajudar a compreender doenças, orientar decisões médicas ou contribuir para novas estratégias de prevenção.

Por enquanto, uma conclusão parece cada vez mais evidente: a menopausa encerra a fase reprodutiva, mas não necessariamente a relevância biológica dos ovários.

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