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Ciência

Cientistas descobriram uma diferença curiosa no comportamento de bebês recém-nascidos

Um experimento com 130 recém-nascidos encontrou uma diferença inesperada na maneira como eles observam determinadas imagens poucas horas depois de nascer.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Poucas horas depois de nascer, um bebê ainda está começando a descobrir o mundo ao redor. A visão é limitada, os movimentos são desajeitados e praticamente tudo é novidade. Mesmo assim, pesquisadores encontraram um comportamento que chamou atenção justamente por aparecer tão cedo. Em um experimento realizado com recém-nascidos, meninas e meninos não distribuíram seu olhar exatamente da mesma maneira. A diferença existe, mas a explicação está longe de ser simples.

A diferença apareceu quando os bebês ainda tinham poucas horas de vida

O estudo foi realizado por pesquisadores da Universidade de Cambridge e envolveu 130 recém-nascidos saudáveis: 67 meninos e 63 meninas. O detalhe mais impressionante está na idade dos participantes. Eles tinham, em média, apenas 33 horas de vida quando participaram do experimento.

Nessa fase, a visão de um recém-nascido ainda está longe da capacidade visual de um adulto. Os bebês conseguem enxergar, mas a imagem é relativamente borrada e eles tendem a perceber melhor aquilo que está aproximadamente entre 20 e 30 centímetros de distância.

Os pesquisadores apresentaram dois vídeos diferentes. Em um deles aparecia uma mulher jovem olhando para a câmera, sorrindo ocasionalmente e fazendo movimentos naturais. O segundo mostrava um pêndulo de Newton, formado por pequenas bolas metálicas que se movimentavam de maneira repetitiva.

Uma câmera acompanhava os olhos dos bebês para registrar quanto tempo eles permaneciam observando cada estímulo.

Para reduzir possíveis interferências na análise, os pesquisadores responsáveis por avaliar o comportamento não sabiam se estavam observando um menino ou uma menina, nem qual dos vídeos aparecia em cada posição.

A ideia era simples: descobrir para onde os recém-nascidos direcionavam espontaneamente sua atenção, antes que tivessem acumulado praticamente qualquer experiência social fora do útero.

E foi justamente aí que surgiu o padrão inesperado.

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© Magnific

O rosto humano conseguiu prender mais a atenção de um dos grupos

Em média, as meninas passaram cerca de 58,5% do tempo de observação olhando para o rosto humano. Entre os meninos, esse número ficou próximo de 51,2%.

A diferença foi considerada estatisticamente significativa pelos pesquisadores.

Isso significa que, dentro daquele grupo específico, as meninas demonstraram uma tendência média maior de direcionar a atenção para o rosto apresentado no vídeo. Entre os meninos, não apareceu uma preferência tão clara entre os dois estímulos.

Mas existe uma diferença importante entre encontrar uma tendência estatística e descobrir uma característica individual.

Os números não significam que meninas recém-nascidas necessariamente preferem rostos ou que meninos não tenham interesse por eles. Existe uma grande sobreposição entre os comportamentos individuais. Alguns meninos olharam bastante para o rosto, enquanto algumas meninas dedicaram menos atenção a ele.

A principal descoberta, portanto, está no comportamento médio do grupo, não em uma regra capaz de classificar cada bebê.

Para os pesquisadores, o resultado é interessante porque mostra que determinadas diferenças médias de atenção podem ser observadas extremamente cedo, quando a experiência de vida ainda é mínima.

Isso levanta uma questão inevitável: se o comportamento aparece tão cedo, de onde ele poderia estar vindo?

O resultado parece apontar para antes do nascimento, mas não responde à pergunta

Uma possibilidade levantada pelos pesquisadores envolve fatores que atuam ainda durante a gestação.

Influências genéticas ou hormonais poderiam, em princípio, participar da formação de determinados circuitos envolvidos na percepção e na atenção. Sir Simon Baron-Cohen, diretor do Centro de Pesquisa do Autismo de Cambridge, está entre os pesquisadores que discutem essa possibilidade.

Mas existe uma diferença fundamental entre levantar uma hipótese e demonstrá-la.

O estudo não mediu diretamente níveis hormonais dos bebês, não identificou genes responsáveis pelo comportamento e não estabeleceu um mecanismo biológico capaz de explicar a diferença observada.

Por isso, os resultados não permitem concluir que hormônios sexuais ou diferenças genéticas sejam responsáveis pelo padrão encontrado.

Também seria precipitado transformar o resultado em uma previsão sobre o futuro dessas crianças.

Observar um rosto durante alguns segundos a mais quando se tem pouco mais de um dia de vida não permite prever personalidade, inteligência, interesses ou qualquer característica individual que surgirá posteriormente.

O próprio desenho do experimento apresenta limitações. Um rosto humano e um pêndulo de Newton diferem não apenas pelo conteúdo social, mas também por formato, cores, movimento e complexidade visual. Além disso, foi utilizado apenas um rosto feminino e um único objeto mecânico.

Ainda assim, o estudo oferece uma pista interessante sobre uma questão maior: até que ponto algumas diferenças comportamentais começam a surgir antes mesmo de a experiência social ter tempo suficiente para moldá-las?

A resposta, por enquanto, continua aberta. O que os pesquisadores encontraram foi uma diferença média muito precoce — não uma explicação definitiva para ela.

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