É uma discussão que atravessa gerações e costuma aparecer em reuniões de família: afinal, o filho mais velho é realmente mais inteligente? Enquanto muitos atribuem isso à personalidade ou até à genética, pesquisadores decidiram investigar a questão de forma rigorosa. Os resultados mostram que existe uma tendência estatística, mas a verdadeira explicação pode estar muito mais ligada ao ambiente em que cada criança cresce do que ao momento em que nasceu.
Pesquisas encontraram uma pequena vantagem para os primogênitos

Diversos estudos realizados nas últimas décadas observaram que os filhos mais velhos tendem, em média, a obter resultados ligeiramente superiores em testes de inteligência e apresentar melhor desempenho escolar do que seus irmãos mais novos.
Isso não significa que o primogênito seja necessariamente mais inteligente ou que essa diferença apareça em todas as famílias. Trata-se de uma tendência estatística identificada apenas quando grandes grupos de pessoas são analisados.
Uma das pesquisas mais conhecidas, realizada com participantes dos Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha, identificou uma redução média de aproximadamente 1,5 ponto no quociente de inteligência (QI) a cada posição adicional na ordem de nascimento.
Embora o resultado seja estatisticamente significativo, os próprios pesquisadores destacam que essa diferença é pequena e não permite prever as capacidades intelectuais de um indivíduo específico.
Na prática, um irmão mais novo pode apresentar desempenho superior em matemática, linguagem, criatividade ou qualquer outra área sem contradizer os dados científicos.
O ambiente familiar parece explicar mais do que a genética

A principal hipótese levantada pelos cientistas não envolve diferenças genéticas entre os irmãos.
Segundo os estudos, o primeiro filho desfruta de um período exclusivo de convivência com os pais antes da chegada de outros irmãos. Durante essa fase, costuma receber mais atenção individual, participar de mais conversas, ouvir mais leituras e receber maior estímulo cognitivo.
Essas interações favorecem o desenvolvimento da linguagem, do raciocínio e de diversas habilidades ligadas ao aprendizado.
Quando a família aumenta, naturalmente o tempo e a atenção dos pais passam a ser divididos entre mais crianças. Isso não significa que os irmãos mais novos recebam menos cuidado ou carinho, mas sim que as oportunidades de interação exclusiva tendem a diminuir.
Os pesquisadores acreditam que é justamente essa diferença nas experiências dos primeiros anos de vida que explica a pequena vantagem observada entre os primogênitos.
Outro fator importante é o papel que o filho mais velho frequentemente assume dentro da família.
Ao ensinar tarefas aos irmãos menores, explicar regras de jogos ou mostrar como utilizar determinados objetos, ele acaba reforçando o próprio aprendizado. A necessidade de organizar informações e transmiti-las de maneira clara funciona como um exercício adicional para o cérebro.
Além disso, estudos indicam que muitos pais costumam estabelecer expectativas acadêmicas mais elevadas para o primeiro filho, acompanhando de perto o desempenho escolar e impondo regras mais rígidas. Com o passar dos anos e a experiência adquirida, esse nível de cobrança costuma diminuir em relação aos irmãos seguintes.
A ordem de nascimento não determina inteligência nem personalidade
Apesar dessas diferenças médias, especialistas enfatizam que a ordem de nascimento está longe de definir o potencial intelectual de uma pessoa.
A inteligência é resultado de uma combinação extremamente complexa de fatores. Genética, saúde, qualidade da educação, alimentação, situação econômica, estímulos cognitivos, ambiente familiar e inúmeras outras experiências exercem uma influência muito maior do que simplesmente nascer primeiro ou depois dos irmãos.
Os irmãos mais novos, por exemplo, também podem se beneficiar de vantagens importantes. Crescer observando crianças mais velhas facilita o aprendizado de diversas habilidades, enquanto pais mais experientes frequentemente lidam com os desafios da criação de forma mais segura e tranquila.
A ciência também questiona outro mito bastante popular: a ideia de que a posição entre os irmãos determina a personalidade.
Estereótipos como o filho mais velho responsável, o do meio rebelde e o caçula mimado são comuns na cultura popular, mas os estudos não encontraram evidências consistentes de que a ordem de nascimento influencie características como extroversão, estabilidade emocional, responsabilidade ou amabilidade.
No fim das contas, as pesquisas revelam muito mais sobre a importância do ambiente do que sobre diferenças naturais entre irmãos. O tempo dedicado individualmente às crianças, o incentivo à leitura, as conversas, o apoio emocional e expectativas positivas parecem exercer um impacto muito maior sobre o desenvolvimento cognitivo do que a simples posição ocupada na família.
[Fonte: net]