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Ciência

Novo estudo da atmosfera de Marte pode tornar futuros pousos humanos muito mais seguros

Pesquisadores portugueses utilizaram dados da sonda Mars Express para analisar as nuvens e as ondas atmosféricas de Marte. Os resultados podem ajudar a reduzir os riscos de futuras missões tripuladas ao planeta vermelho e aprimorar as tecnologias de pouso.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Pousar em Marte continua sendo um dos maiores desafios da exploração espacial. Apesar dos avanços tecnológicos das últimas décadas, a atmosfera extremamente fina do planeta torna cada descida uma operação complexa e arriscada.

Agora, um estudo liderado por pesquisadores da Universidade de Lisboa pode contribuir para tornar futuras missões muito mais seguras.

Publicado na revista científica Journal of Geophysical Research: Planets, o trabalho analisou o comportamento das nuvens e das ondas atmosféricas marcianas para compreender melhor como a energia circula na atmosfera do planeta.

Segundo os cientistas, essas informações poderão ajudar no desenvolvimento de sistemas de pouso mais eficientes para missões robóticas e, futuramente, tripuladas.

Pesquisadores utilizaram dados da missão Mars Express

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© pexels

O estudo foi conduzido pelos cientistas portugueses Francisco Brasil e Pedro Machado, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço.

A pesquisa utilizou dados coletados pela sonda europeia Mars Express, da Agência Espacial Europeia (ESA), que está em órbita de Marte há 23 anos e teve sua missão estendida até 2029.

Com o auxílio de uma câmera de alta resolução instalada na espaçonave, os pesquisadores conseguiram observar uma mesma região do planeta sob diferentes ângulos.

Essa técnica permitiu medir simultaneamente a altitude das nuvens e a velocidade de propagação das ondas atmosféricas marcianas.

Entender a atmosfera é essencial para pousar em Marte

Segundo Francisco Brasil, conhecer a estrutura da atmosfera marciana é fundamental para planejar pousos seguros.

Assim como acontece na Terra, é necessário compreender como as diferentes camadas atmosféricas estão distribuídas para prever o comportamento da nave durante a descida.

Ao analisar as ondas atmosféricas, os pesquisadores conseguem entender como a energia circula em diferentes altitudes e como isso influencia os ventos e a formação das nuvens.

Esses dados permitem aprimorar modelos que simulam o ambiente enfrentado pelas espaçonaves durante a entrada na atmosfera.

A atmosfera de Marte dificulta o pouso

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© NASA

Embora Marte possua atmosfera, ela é extremamente rarefeita quando comparada à terrestre.

Isso significa que existem muito menos moléculas para gerar atrito com a nave durante a descida.

Segundo Francisco Brasil, o efeito é semelhante ao de uma queda quase livre.

Na Terra, a atmosfera ajuda significativamente a reduzir a velocidade de uma espaçonave durante a reentrada.

Em Marte, esse auxílio é muito menor, tornando indispensáveis tecnologias adicionais para desacelerar os veículos antes do contato com o solo.

Metade das missões a Marte enfrentou problemas

Os desafios desse processo ficam evidentes ao analisar o histórico da exploração marciana.

Desde o início das missões ao planeta, na década de 1960, aproximadamente metade delas apresentou algum tipo de falha.

Os problemas incluíram:

  • falhas no lançamento;
  • erros na inserção em órbita;
  • acidentes durante o pouso;
  • destruição de sondas e robôs ao atingir a superfície.

Segundo o pesquisador, parte dessas dificuldades ocorreu porque ainda havia pouco conhecimento sobre a distribuição da atmosfera marciana.

Nos últimos anos, entretanto, a taxa de sucesso aumentou significativamente graças ao desenvolvimento de tecnologias mais sofisticadas.

Atualmente, os rovers utilizam paraquedas especiais, sistemas de amortecimento e outros mecanismos capazes de reduzir o impacto da descida.

As nuvens de Marte aparecem apenas em determinadas épocas

Assim como a Terra, Marte possui estações do ano.

Isso acontece porque o planeta também apresenta um eixo de rotação inclinado.

No entanto, suas nuvens são muito menos frequentes e aparecem principalmente durante períodos específicos do ano marciano.

Grande parte desse fenômeno está relacionada às calotas polares compostas por gelo de dióxido de carbono e água.

Durante a aproximação do verão no hemisfério norte, parte desse gelo evapora, formando uma extensa faixa de nuvens conhecida como Aphelion Cloud Belt.

Fora dessa estação, as nuvens permanecem bastante dispersas e são observadas apenas em algumas regiões do planeta.

Por isso, a maioria das imagens de Marte mostra apenas sua superfície avermelhada.

Conhecer as estações pode ajudar a escolher o melhor momento para pousar

Segundo os autores do estudo, compreender a dinâmica das nuvens e da atmosfera pode influenciar até mesmo o planejamento das futuras missões.

Se os cientistas souberem antecipadamente em qual estação Marte estará durante a chegada de uma nave, será possível escolher períodos com menor turbulência atmosférica.

Isso aumentaria as chances de realizar um pouso mais suave e seguro.

Marte também ajuda a entender fenômenos da Terra

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© Unsplash

Além de apoiar futuras missões espaciais, Marte funciona como um laboratório natural para estudar processos atmosféricos que também ocorrem na Terra.

Segundo Francisco Brasil, alguns fenômenos aparecem no planeta vermelho de forma muito mais intensa, permitindo que sejam analisados com maior facilidade.

Um dos principais exemplos são as tempestades globais de poeira, capazes de envolver praticamente todo o planeta.

Esses eventos costumam ocorrer durante a primavera e o verão do hemisfério sul marciano, quando Marte está mais próximo do Sol e o aquecimento da atmosfera atinge seu máximo.

Apesar de décadas de pesquisas, os cientistas ainda não compreendem completamente quais mecanismos desencadeiam essas gigantescas tempestades.

Os novos dados obtidos pela Mars Express poderão contribuir para responder essa e outras questões sobre a dinâmica atmosférica do planeta vermelho, além de preparar o caminho para futuras missões tripuladas com um nível de segurança muito maior.

 

[ Fonte: Euronews ]

 

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