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Ciência

Cientistas encontram o sinal mais promissor até agora de uma atmosfera em um planeta parecido com a Terra

Um exoplaneta localizado a 40 anos-luz da Terra apresentou indícios inéditos de possuir uma atmosfera. A descoberta fortalece a busca por mundos potencialmente habitáveis fora do Sistema Solar.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Encontrar um planeta na chamada zona habitável já é uma conquista importante para a astronomia. Mas detectar sinais de que esse mundo pode possuir uma atmosfera representa um passo ainda maior. Foi exatamente isso que uma equipe internacional de pesquisadores acaba de anunciar. A descoberta envolve um planeta rochoso localizado a apenas 40 anos-luz da Terra e pode marcar um novo capítulo na busca por ambientes capazes de abrigar água líquida — um dos principais ingredientes para a vida como a conhecemos.

Um planeta promissor acaba de revelar um dos sinais mais esperados

Cientistas encontram o sinal mais promissor até agora de uma atmosfera em um planeta parecido com a Terra
© Unsplash

O planeta em questão é o LHS 1140 b, um mundo rochoso com aproximadamente 1,7 vez a massa da Terra que orbita sua estrela dentro da chamada zona habitável.

Isso significa que ele recebe uma quantidade de energia capaz de manter temperaturas compatíveis com a existência de água líquida na superfície, desde que outras condições também sejam favoráveis.

Agora, observações realizadas com os telescópios Magellan, instalados no Chile, forneceram o que os cientistas consideram o indício mais forte até hoje de que esse planeta possui uma atmosfera.

O estudo, liderado por pesquisadores da Universidade Harvard e publicado na revista Science, representa a primeira detecção considerada inequívoca de sinais atmosféricos em um planeta rochoso com características semelhantes às da Terra localizado em uma região potencialmente habitável.

Para os astrônomos, trata-se de um marco importante na exploração de exoplanetas.

O hélio pode ter revelado a presença de uma atmosfera

O principal protagonista da descoberta foi um elemento bastante conhecido: o hélio.

Durante uma das sessões de observação, os pesquisadores identificaram vestígios desse gás escapando do planeta.

Segundo especialistas do Instituto Nacional de Astrofísica da Itália, o hélio funciona como um excelente indicador da existência de atmosferas em mundos distantes porque seu sinal é relativamente difícil de ser confundido com outros fenômenos astronômicos.

Em vez de observar diretamente a atmosfera, os cientistas detectaram justamente essa pequena fuga de hélio, considerada uma forte evidência de que uma camada gasosa envolve o planeta.

Embora outras atmosferas já tenham sido sugeridas em exoplanetas anteriormente, esta é a primeira vez que esse tipo de escape de hélio é identificado em um planeta rochoso semelhante à Terra.

O planeta pode esconder um enorme oceano

O LHS 1140 b já despertava interesse dos pesquisadores muito antes dessa descoberta.

Modelos anteriores indicavam que ele poderia ser um mundo coberto por gelo, mas com um vasto oceano de água líquida sob sua superfície.

Outra hipótese é que ele represente uma categoria intermediária entre um planeta oceânico e um gigante gelado, apresentando características que não encontram um equivalente exato no Sistema Solar.

Além disso, sua órbita faz com que receba cerca de 42% da radiação estelar que chega à Terra, uma condição considerada compatível com temperaturas favoráveis para a presença de água líquida.

Essas características transformam o planeta em um dos candidatos mais interessantes para estudos sobre habitabilidade.

A descoberta não significa que exista vida

Apesar da empolgação provocada pelos resultados, os próprios pesquisadores fazem questão de destacar uma importante ressalva.

Até o momento, não existe qualquer evidência de vida no LHS 1140 b.

Detectar uma atmosfera é apenas um dos muitos passos necessários para avaliar se um planeta poderia oferecer condições favoráveis ao surgimento de organismos vivos.

Os cientistas agora pretendem realizar novas observações para confirmar definitivamente a presença do hélio e identificar quais outros gases compõem essa atmosfera.

Essa etapa poderá revelar informações fundamentais sobre temperatura, pressão, composição química e possíveis processos geológicos que ocorrem no planeta.

Se os novos estudos confirmarem os resultados iniciais, o LHS 1140 b poderá se tornar um dos principais laboratórios naturais da astronomia moderna para investigar como mundos rochosos evoluem fora do Sistema Solar.

Mais do que aproximar os pesquisadores da resposta para uma das maiores perguntas da humanidade — se estamos ou não sozinhos no Universo —, a descoberta demonstra que a tecnologia atual já começa a identificar características atmosféricas em planetas localizados a dezenas de anos-luz de distância, algo que parecia praticamente impossível apenas algumas décadas atrás.

[Fonte: ANSA Latina]

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