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Tecnologia

Data centers flutuantes querem usar a força das ondas para alimentar a inteligência artificial

Uma startup recebeu US$ 140 milhões para desenvolver estruturas no oceano capazes de gerar eletricidade com as ondas e, no futuro, alimentar data centers de IA em alto-mar.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A inteligência artificial precisa de quantidades enormes de eletricidade para funcionar. Seus data centers também consomem água para refrigeração e ocupam grandes áreas, o que tem provocado preocupações ambientais e resistência de comunidades próximas às novas instalações.

Mas e se esses enormes centros de processamento simplesmente saíssem da terra firme? Essa é a proposta da Panthalassa, startup americana que pretende combinar energia das ondas, refrigeração com água do mar e data centers flutuantes.

A empresa acaba de levantar US$ 140 milhões para desenvolver a tecnologia e acredita que os primeiros sistemas comerciais poderão começar a operar já em 2027.

As ondas podem virar eletricidade para a IA

Oceano Pode Gerar Energia (2)
© Unsplash – Christoffer Engström

A ideia começa com a chamada energia das ondas, ou energia undimotriz.

A Panthalassa descreve as ondas como uma espécie de “luz solar concentrada”. Embora pareça apenas uma comparação, existe uma explicação física por trás disso.

O Sol aquece a superfície terrestre de maneira desigual, criando diferenças de temperatura e pressão na atmosfera. Isso produz ventos que, ao se deslocarem sobre os oceanos, transferem parte de sua energia para a água.

O resultado são as ondas.

Quando essa energia chega ao oceano, ela pode movimentar enormes massas de água. A Panthalassa quer transformar justamente esse movimento em eletricidade.

Um equipamento gigante que sobe e desce no oceano

Para demonstrar a tecnologia, a empresa construiu o Ocean-2, uma estrutura flutuante com aproximadamente 65 metros de comprimento e 20 metros de diâmetro.

Seu formato peculiar lembra um enorme pirulito flutuando no oceano.

Quando as ondas passam pela estrutura, o Ocean-2 sobe e desce. O movimento faz com que a água dentro do equipamento também se desloque verticalmente.

Essa água circula por um tubo aberto na parte inferior. Conforme entra em uma seção mais estreita, sua pressão aumenta e cria um jato de alta potência.

O princípio lembra uma mangueira: quando diminuímos a abertura pela qual a água passa, o jato ganha pressão.

A água pressurizada é armazenada temporariamente e depois liberada de maneira controlada através de uma turbina. O movimento aciona um gerador, convertendo a energia mecânica das ondas em eletricidade.

Protótipo já foi testado no Pacífico

Oceano Pode Gerar Energia
© Unsplash – Matt Hardy

O Ocean-2 passou três semanas no oceano Pacífico enfrentando diferentes condições marítimas.

Durante os testes, a estrutura permaneceu operacional e conseguiu atingir picos de geração de aproximadamente 50 quilowatts.

Ainda é pouco para alimentar os gigantescos data centers usados pelos sistemas modernos de IA. O objetivo, porém, é demonstrar que o conceito funciona e depois ampliar significativamente sua escala.

A próxima etapa será o Ocean-3, um protótipo que deverá combinar geração de eletricidade e equipamentos capazes de executar cargas de trabalho de inteligência artificial.

Data centers poderiam funcionar sem conexão elétrica com a terra

A proposta comercial da Panthalassa é particularmente ambiciosa.

Em vez de gerar eletricidade no oceano e transportá-la para o continente através de cabos submarinos, a empresa pretende consumir essa energia no próprio local.

Os data centers seriam instalados diretamente em alto-mar e receberiam eletricidade dos sistemas de geração ao seu redor.

O oceano também poderia ajudar na refrigeração dos computadores, eliminando parte da infraestrutura necessária em instalações convencionais.

Segundo estimativas da própria empresa, os data centers flutuantes poderiam ter custos entre 40% e 60% menores do que alternativas instaladas em terra.

A previsão deve ser vista com cautela, já que a tecnologia ainda não foi demonstrada comercialmente nessa escala.

A tecnologia também poderia produzir hidrogênio verde

A Panthalassa não pretende limitar sua plataforma à inteligência artificial.

Outra possibilidade seria utilizar essas estruturas como enormes usinas flutuantes para produzir combustíveis de baixo carbono.

A eletricidade gerada pelas ondas poderia alimentar sistemas de dessalinização e eletrólise. Assim, seria possível utilizar água do mar para produzir hidrogênio verde e, posteriormente, outros combustíveis, como amônia.

Isso permitiria transformar a energia do oceano em produtos que poderiam ser transportados para outros lugares.

Ainda existem enormes obstáculos

Os investidores parecem dispostos a apostar na ideia. A Panthalassa levantou recentemente US$ 140 milhões para continuar desenvolvendo sua tecnologia.

Mas dinheiro não elimina as dúvidas.

A empresa não revelou quanto custou construir o Ocean-2 nem quanto será necessário para produzir o Ocean-3.

Também não está claro como centenas ou milhares dessas estruturas suportariam anos de exposição à corrosão, tempestades e condições extremas do oceano.

Manutenção, conectividade, impacto ambiental e confiabilidade também serão questões fundamentais caso data centers realmente sejam transferidos para alto-mar.

Mesmo assim, os fundadores pensam grande.

Brian Moffat, cofundador da Panthalassa, afirma que a tecnologia poderia produzir uma das formas mais baratas de eletricidade do planeta.

Garth Sheldon-Coulson, também cofundador, vai ainda mais longe: a ambição da empresa é eventualmente atingir uma capacidade medida em terawatts.

É uma meta gigantesca para uma tecnologia que ainda está na fase de protótipos. Mas, se a Panthalassa conseguir demonstrar que suas estruturas funcionam em larga escala, o oceano poderá deixar de ser apenas uma fonte de refrigeração para se transformar também em uma gigantesca fonte de energia para a era da inteligência artificial.

 

[ Fonte: Ok Diario ]

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