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Ciência

Cientistas identificam sinais no sangue capazes de prever formas graves de fígado gorduroso

Pesquisadores do CONICET identificaram diferentes subtipos moleculares da doença e desenvolveram um índice baseado em quatro proteínas que pode ajudar a reconhecer pacientes com maior risco de complicações.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O fígado gorduroso não se comporta da mesma maneira em todas as pessoas. Enquanto alguns pacientes podem permanecer durante anos com alterações relativamente leves, outros desenvolvem fibrose avançada e apresentam maior risco de problemas cardiovasculares, câncer e mortalidade. Agora, cientistas argentinos identificaram marcadores moleculares que podem ajudar a descobrir antecipadamente quem apresenta maior risco de desenvolver essas formas graves da doença.

Fígado gorduroso pode ter diferentes subtipos

Fígado Com Gordura
© Pexels

A doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, conhecida pela sigla MASLD, afeta aproximadamente 30% da população adulta mundial.

A condição envolve o acúmulo anormal de gordura no fígado e aparece frequentemente associada a problemas como obesidade, hipertensão, diabetes tipo 2 e alterações nos níveis de colesterol e triglicerídeos.

Durante muito tempo, sua gravidade foi avaliada principalmente observando o próprio fígado, incluindo a quantidade de gordura acumulada e a presença de fibrose.

Um estudo conduzido por pesquisadores do CONICET e publicado na revista científica GUT sugere que a situação é mais complexa.

Os cientistas identificaram diferentes subtipos clínicos e moleculares de MASLD, cada um com características e trajetórias distintas.

Algumas formas podem representar riscos muito maiores

Segundo Silvia Sookoian, pesquisadora do CONICET no Centro de Investigación Traslacional en Salud (CENITRES), a doença pode apresentar manifestações que ultrapassam o fígado.

Determinados subtipos estão relacionados a alterações cardiovasculares e maior risco de câncer, entre outras complicações.

Isso ajudaria a explicar por que duas pessoas diagnosticadas com fígado gorduroso podem apresentar evoluções completamente diferentes.

Os pesquisadores também defendem que MASLD e sua forma mais agressiva, conhecida como MASH, não devem ser encaradas como doenças completamente uniformes.

As diferenças aparecem tanto nas manifestações clínicas quanto nos mecanismos moleculares envolvidos na progressão.

Milhares de proteínas foram analisadas no sangue

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© Pexels

Para identificar essas diferenças, os pesquisadores utilizaram uma técnica chamada proteômica.

Ela permite medir simultaneamente milhares de proteínas presentes no sangue e procurar padrões relacionados a diferentes condições biológicas.

Os resultados foram combinados com informações clínicas e laboratoriais e comparados com dados de aproximadamente 500 mil participantes do UK Biobank, uma das maiores bases de informações médicas do mundo.

O acompanhamento longitudinal ultrapassou 15 anos.

Segundo Carlos Pirola, pesquisador do CONICET e também autor do estudo, os subtipos considerados mais agressivos apresentaram taxas maiores de mortalidade.

Grande parte desse risco estava relacionada principalmente a doenças cardiovasculares e tumores.

Mulheres apresentaram diferenças importantes

Outro resultado chamou particularmente a atenção dos pesquisadores.

A gravidade da doença apresentou diferenças consideráveis entre os sexos biológicos.

Dentro dos subgrupos considerados de alto risco, fibrose hepática avançada apareceu em aproximadamente 50% das mulheres, contra 20% dos homens.

Os pesquisadores também identificaram um grupo de alto risco formado exclusivamente por mulheres. Nesse conjunto, a prevalência de fibrose hepática chegou a aproximadamente 15%.

Para os autores, esses resultados indicam que o sexo biológico precisa ser considerado na criação de modelos destinados a prever a evolução da doença.

Um exame de quatro proteínas pode ajudar a prever o risco

Uma das principais novidades do trabalho foi o desenvolvimento do chamado índice PS4.

A ferramenta utiliza os níveis sanguíneos de quatro proteínas específicas: FTCD, ADGRG1, FABP1 e GAST.

Segundo os pesquisadores, essas proteínas fornecem informações sobre processos como estresse metabólico, movimentação de células do sistema imunológico e integridade vascular.

Nos testes realizados, o PS4 apresentou desempenho superior ao de índices tradicionais utilizados para avaliar determinados riscos associados à doença e também foi validado em uma população independente.

Diagnóstico pode se tornar mais personalizado

A descoberta não significa que um simples exame de sangue já possa substituir os métodos utilizados atualmente para diagnosticar e acompanhar o fígado gorduroso.

O objetivo é diferente: identificar precocemente quais pacientes apresentam características moleculares associadas a uma evolução mais preocupante.

Isso permitiria ajustar a frequência dos controles e direcionar intervenções para aqueles que realmente apresentam maior risco.

A abordagem também muda a maneira de enxergar o fígado gorduroso. Em vez de analisar somente a quantidade de gordura ou fibrose no órgão, os pesquisadores propõem considerar suas relações com todo o metabolismo e com outras doenças.

Se esses marcadores continuarem demonstrando bons resultados em novas populações, exames desse tipo poderão ajudar médicos a distinguir pacientes com baixo risco daqueles que necessitam de acompanhamento mais rigoroso — antes que as complicações mais graves apareçam.

 

[ Fonte: Conicet ]

 

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