Pular para o conteúdo
Ciência

Cientistas revelam área do cérebro que se deteriora com o Alzheimer

Descoberta ajuda a entender por que pessoas mais velhas se perdem com mais facilidade — e pode abrir caminhos para novos tratamentos.
Por

Tempo de leitura: 2 minutos

Por que algumas pessoas mais velhas começam a se desorientar mesmo em lugares familiares? Um novo estudo da Universidade de Stanford aponta uma possível resposta: uma região essencial para criar “mapas mentais” do espaço se degrada com a idade e é uma das primeiras afetadas pelo Alzheimer.

O cérebro perde precisão com o tempo

Cientistas revelam área do cérebro que se deteriora com o Alzheimer
© Pexels

A pesquisa, publicada em 3 de outubro na revista Nature Communications, analisou o córtex entorrinal medial — uma área do cérebro responsável por construir representações espaciais. É essa região que nos permite lembrar onde estacionamos o carro ou como chegar a um cômodo específico de casa.

Com o envelhecimento, os cientistas observaram mudanças estruturais e funcionais nessa região. Isso afeta diretamente a memória espacial, ou seja, a capacidade de reconhecer ambientes e se orientar neles. O achado ajuda a explicar um dos sintomas mais precoces da doença de Alzheimer: a desorientação em locais familiares.

Experimento em realidade virtual com camundongos

Para entender como isso acontece, os pesquisadores acompanharam 18 camundongos divididos em três faixas etárias, equivalentes a humanos de 20, 50 e 75 a 90 anos. Durante seis dias, os animais percorreram pistas projetadas em telas, em um ambiente de realidade virtual, recebendo pequenas recompensas de água ao longo do trajeto.

Nos jovens, as chamadas “células de grade” — neurônios especializados em mapear o espaço — disparavam de forma organizada e estável. Já nos camundongos mais velhos, esses padrões ficaram caóticos, dificultando a diferenciação entre ambientes e a localização das recompensas.

“O córtex entorrinal medial contém todos os componentes necessários para construir um mapa do espaço, mas pouco se sabia sobre como ele se altera durante o envelhecimento saudável”, explica Lisa Giocomo, professora de neurobiologia e autora sênior do estudo.

Sinais semelhantes aos estágios iniciais da demência

Mesmo quando já conheciam o ambiente virtual, os camundongos idosos se perdiam, confundiam caminhos e tinham mais dificuldade para encontrar recompensas. Segundo Charlotte Herber, principal autora da pesquisa, esses comportamentos lembram os estágios iniciais da demência em humanos, quando a orientação espacial começa a falhar.

Os cientistas também identificaram mudanças genéticas ligadas à comunicação entre neurônios e à adaptação das conexões cerebrais. Essa deterioração explica por que as células encarregadas de formar mapas mentais se tornam menos eficientes com a idade.

Novas perspectivas para prevenir a perda de memória

Os resultados mostraram que os camundongos de meia-idade tiveram apenas uma leve queda de desempenho, enquanto os mais velhos apresentaram um declínio muito mais acentuado. Isso sugere que intervenções precoces podem ser fundamentais para preservar a memória espacial e atrasar o avanço de doenças neurodegenerativas como o Alzheimer.

Para os pesquisadores, entender como o córtex entorrinal medial muda ao longo do tempo é um passo importante para desenvolver terapias capazes de proteger a capacidade de se orientar e se deslocar, oferecendo uma nova frente no combate aos sintomas iniciais da demência.

[Fonte: Metrópoles]

Partilhe este artigo

Artigos relacionados