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Ciência

Cuidar do intestino pode ser mais simples do que parece: três hábitos diários que especialistas apontam como decisivos para a saúde

O intestino influencia a digestão, a imunidade, a inflamação e até o bem-estar emocional. Especialistas defendem que pequenas escolhas cotidianas — sem dietas restritivas ou suplementos caros — podem fortalecer o microbioma e melhorar a saúde de forma duradoura.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A saúde intestinal deixou de ser vista apenas como um assunto ligado à digestão. Hoje, médicos e pesquisadores reconhecem que o intestino desempenha um papel central no sistema imunológico, no controle da inflamação e até na saúde mental. Dados da American Gastroenterological Association indicam que entre 60 e 70 milhões de pessoas nos Estados Unidos sofrem de algum tipo de distúrbio gastrointestinal, com impacto direto na qualidade de vida.

Para a médica Leybelis Padilla, fundadora da clínica Unlocking GI, cuidar do intestino exige uma abordagem integrada, que considere corpo, mente e hábitos diários. Segundo ela, o microbioma intestinal se comunica com vários sistemas do organismo, e fortalecê-lo não depende de soluções complexas. Três práticas simples, adotadas de forma consistente, podem fazer grande diferença.

Priorizar o consumo diário de fibras

Fibras
© Jannis Brandt – Unsplash

O primeiro pilar para um intestino saudável é o consumo adequado de fibras. Padilla afirma que muitas pessoas vivem uma espécie de “fome de fibras”, resultado de dietas pobres em alimentos de origem vegetal. A recomendação geral é consumir pelo menos 25 gramas de fibra por dia ou incluir, diariamente, cerca de cinco tipos diferentes de plantas na alimentação.

As fibras estão presentes em feijões, lentilhas, verduras, frutas, cereais integrais, nozes e sementes. Esses alimentos alimentam bactérias benéficas do intestino, ajudam a regular o trânsito intestinal e oferecem proteção contra infecções. Além disso, fornecem compostos anti-inflamatórios e micronutrientes essenciais.

A Harvard Health Publishing reforça que dietas ricas em fibras estão associadas a menor risco de doenças metabólicas e melhor funcionamento do sistema digestivo. Mesmo assim, pesquisas mostram que parte da população ainda evita carboidratos e cereais integrais, o que reduz drasticamente a ingestão de fibras. Para Padilla, o foco deve estar em hábitos simples e sustentáveis, não em modismos alimentares.

Controlar o estresse para proteger o intestino

O segundo hábito essencial envolve algo que vai além da alimentação: o manejo do estresse. Levantamentos da American Psychological Association indicam que a maioria das pessoas se sente mais estressada hoje do que há cinco anos, e cerca de 75% relata sintomas físicos ou emocionais ligados a esse estresse.

Esse estado constante de tensão afeta diretamente a comunicação entre cérebro e intestino, favorecendo problemas como síndrome do intestino irritável, refluxo e até úlceras. Padilla explica que práticas como meditação e exercícios de respiração ajudam a ativar o sistema nervoso parassimpático, responsável por induzir relaxamento e melhorar a função gastrointestinal.

Exercícios de respiração controlada, com ciclos lentos de inspiração e expiração, contribuem para reduzir a inflamação e melhorar a resiliência do intestino. A Harvard Health Publishing destaca que o equilíbrio emocional é um componente-chave para a saúde digestiva, reforçando a importância do chamado eixo intestino-cérebro.

Manter uma rotina regular de atividade física

Atividade Física
© Pixabay

O terceiro hábito recomendado é a prática regular de exercícios físicos. De acordo com a revista Newsweek, a atividade física beneficia não apenas a saúde mental, mas também o funcionamento do sistema digestivo. O sedentarismo, por outro lado, está associado a constipação, ganho de peso e outros problemas intestinais.

Padilla chama atenção para o papel do fígado, órgão fundamental do sistema digestivo. Reduzir o consumo de álcool e adotar exercícios de intensidade moderada ajudam a proteger a saúde hepática. Ela alerta para o crescimento dos casos de doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica, que já afeta milhões de pessoas e pode se tornar uma das principais causas de transplante de fígado no futuro.

A prática regular de exercícios melhora a motilidade intestinal, reduz processos inflamatórios e favorece um microbioma mais diverso. Além disso, ajuda a aliviar o estresse e melhora o humor, reforçando novamente a conexão entre intestino e cérebro.

Pequenas escolhas, grandes efeitos

Segundo Padilla, cuidar do intestino não exige mudanças radicais, mas sim constância. Alimentação rica em fibras, controle do estresse e atividade física formam uma base sólida para a saúde digestiva. A soma de pequenos hábitos, repetidos diariamente, pode fortalecer o microbioma e trazer benefícios duradouros para todo o organismo.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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