O desempenho dos estudantes latino-americanos voltou a acender um alerta. A nova edição do PISA, avaliação internacional aplicada a jovens de 15 anos, revelou dificuldades persistentes em matemática, leitura e ciências. Embora existam diferenças importantes entre os países, nenhum dos participantes da região conseguiu alcançar a média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Brasil melhora em ciências, mas continua estagnado

O Brasil apresentou resultados praticamente estáveis em comparação com 2022, prolongando uma situação que já dura mais de uma década.
Em ciências, houve uma pequena melhora: a pontuação chegou a 409, seis pontos acima de 2022 e oito acima de 2015.
Nas outras áreas, entretanto, o movimento foi contrário. Matemática caiu de 379 para 377 pontos, enquanto leitura passou de 410 para 408.
Em compreensão de leitura, o Brasil aparece entre os países latino-americanos de melhor desempenho, atrás de Uruguai e Chile. Já em matemática e ciências, permanece entre os resultados mais baixos da região.
Argentina registra seu pior resultado em matemática

A situação argentina chamou atenção pela intensidade da queda.
O país alcançou 367 pontos em matemática, seu pior resultado desde que começou a participar regularmente do PISA, em 2006. Em 2022, eram 378 pontos.
Apenas 24% dos estudantes argentinos atingiram pelo menos o nível básico de competência matemática. A média da OCDE foi de 65%.
Também houve retrocesso em ciências, de 406 para 393 pontos, e em leitura, de 401 para 389.
México apresentou tendência semelhante. O país caiu sete pontos tanto em matemática quanto em leitura. Com 388 pontos, o desempenho mexicano em matemática foi o pior desde 2006.
Chile e Uruguai continuam entre os destaques regionais
Mesmo abaixo da média da OCDE, Chile e Uruguai mantiveram alguns dos melhores indicadores latino-americanos.
No Chile, 41% dos estudantes alcançaram o nível básico em matemática, 62% em leitura e 63% em ciências. O país, porém, retrocedeu nas duas primeiras disciplinas.
O Uruguai conseguiu seu melhor resultado histórico em ciências, com 64% dos estudantes atingindo pelo menos o nível básico. Em matemática, foram 42%, e em leitura, 57%.
Ainda assim, os dois países continuam significativamente distantes das médias registradas entre os integrantes da OCDE.
Resultados são ainda mais preocupantes em outros países

Colômbia, Peru e Equador também permaneceram abaixo dos padrões internacionais.
Na Colômbia, somente 29% dos estudantes alcançaram as competências básicas em matemática. No Peru, foram 30%. No Equador, apenas 20%.
Os números diminuem ainda mais em parte da América Central e do Caribe.
Em El Salvador, somente 12% chegaram ao nível mínimo de matemática. No Paraguai, foram 10%. Na República Dominicana, 9%.
Guatemala apresentou o menor índice entre os países latino-americanos e caribenhos participantes: apenas 8% dos estudantes atingiram o nível básico em matemática.
A OCDE ressalta, porém, que algumas comparações precisam considerar a expansão da educação secundária. Países como Colômbia, Costa Rica, Equador e Paraguai incorporaram mais adolescentes de grupos historicamente excluídos do sistema escolar, algo que pode pressionar temporariamente as médias para baixo.
IA já faz parte da rotina dos estudantes
O PISA 2025 também oferece uma fotografia de como a tecnologia está mudando as salas de aula.
No Uruguai, 53% dos estudantes disseram utilizar chatbots de inteligência artificial para aprender pelo menos uma vez por semana. No Peru, o índice chegou a 54%, enquanto Equador e Guatemala registraram 52% e 50%, respectivamente.
A média da OCDE foi de 46%.
Ao mesmo tempo, celulares aparecem como fonte crescente de preocupação. No Uruguai, 57% dos estudantes afirmaram que colegas se distraem frequentemente com dispositivos digitais durante as aulas de ciências.
Vários países responderam ampliando as restrições. No Peru, 86% dos alunos frequentam escolas onde celulares são proibidos dentro do estabelecimento.
Desigualdade e ausência escolar continuam pesando
Os resultados mostram ainda que os problemas educacionais não terminam dentro da sala de aula.
Desigualdade socioeconômica, falta de infraestrutura, bullying e ausência frequente aparecem em diferentes países.
No Paraguai, 59% dos estudantes faltaram pelo menos um dia nas duas semanas anteriores à prova. Na República Dominicana, o índice ficou próximo de 50%. No Peru, chegou a 39%.
O panorama do PISA 2025, portanto, vai além das notas. Enquanto inteligência artificial e novas tecnologias entram rapidamente nas escolas, problemas antigos continuam sem solução.
Para grande parte da América Latina, o desafio não será apenas recuperar os conhecimentos perdidos nos últimos anos, mas impedir que a distância em relação aos sistemas educacionais de melhor desempenho continue aumentando.
[ Fonte: Infobae ]