Imagine um mundo em que trabalhar seja uma escolha, máquinas produzam praticamente tudo e o dinheiro deixe de determinar o que as pessoas podem consumir. Parece ficção científica, mas esse é o futuro imaginado por Elon Musk. Em uma entrevista recente, o empresário apresentou uma previsão ambiciosa sobre o destino da economia global e explicou por que acredita que as moedas tradicionais podem perder sua importância nas próximas décadas.
Elon Musk acredita que o dinheiro se tornará irrelevante

Durante uma entrevista ao podcast The Builders, apresentado pelo escritor Walter Isaacson, Elon Musk afirmou que os avanços da inteligência artificial, da robótica e da exploração espacial poderão transformar profundamente a maneira como a humanidade produz e distribui riqueza.
O empresário, responsável por companhias como Tesla, SpaceX e xAI, acredita que essas tecnologias permitirão criar uma economia tão produtiva que o dinheiro convencional deixará de desempenhar seu papel atual.
Segundo Musk, uma civilização capaz de explorar recursos além da Terra poderá atingir níveis de produção muito superiores aos conhecidos atualmente.
Nesse cenário, as necessidades materiais das pessoas seriam atendidas com relativa facilidade, reduzindo a importância das transações financeiras.
“O dinheiro se tornará irrelevante. A moeda convencional não terá importância no futuro”, declarou o bilionário.
A previsão faz parte de uma visão mais ampla sobre o desenvolvimento tecnológico, na qual máquinas inteligentes assumiriam grande parte das atividades econômicas realizadas atualmente por seres humanos.
Energia e recursos físicos podem substituir as moedas tradicionais
Uma das ideias mais curiosas apresentadas por Musk envolve a possibilidade de substituir as referências monetárias tradicionais por indicadores relacionados à física.
Em vez de medir riqueza principalmente em dólares, euros ou reais, uma economia altamente automatizada poderia considerar fatores como capacidade energética e quantidade de recursos materiais disponíveis.
O empresário mencionou especificamente medidas como potência, massa e energia.
A lógica é que, em um sistema no qual robôs conseguem fabricar produtos, construir infraestrutura e explorar recursos naturais, a verdadeira capacidade econômica dependeria da quantidade de energia e matéria-prima disponível.
Essa hipótese está relacionada ao conceito de economia de abundância, no qual a tecnologia amplia significativamente a produção e reduz os custos de determinados bens e serviços.
Em uma entrevista à revista The Economist, realizada em julho de 2026, Musk chegou a prever que o dinheiro poderia perder relevância até 2036.
Entretanto, essas declarações representam projeções pessoais do empresário, não previsões econômicas comprovadas.
Robôs e inteligência artificial poderão tornar o trabalho opcional?

Outro elemento central da visão de Musk é a transformação do mercado de trabalho.
O bilionário acredita que sistemas avançados de inteligência artificial poderão superar os humanos em praticamente todas as atividades intelectuais e físicas.
Combinados a robôs humanoides, esses sistemas seriam capazes de executar tarefas industriais, serviços domésticos, operações logísticas e inúmeras outras funções.
Nesse contexto, trabalhar poderia deixar de ser uma necessidade econômica e se transformar em uma atividade realizada por interesse pessoal.
Musk já havia defendido essa possibilidade em novembro de 2025, durante um fórum de investimentos realizado em Washington.
Na ocasião, sugeriu que o trabalho poderia se tornar opcional dentro de aproximadamente 10 a 20 anos.
A ideia está relacionada ao desenvolvimento de robôs como o Optimus, projeto da Tesla que pretende criar máquinas humanoides capazes de executar atividades repetitivas e tarefas cotidianas.
Apesar dos avanços apresentados pela empresa, a tecnologia ainda enfrenta desafios relacionados à autonomia, segurança, capacidade de manipulação e produção em grande escala.
A exploração espacial também faz parte dessa previsão

A transformação imaginada por Musk não dependeria exclusivamente da inteligência artificial.
O empresário também considera que a expansão da atividade humana para outros planetas poderá ampliar drasticamente a quantidade de recursos disponíveis.
Durante a conversa com Isaacson, mencionou a possibilidade de uma economia multiplanetária alcançar dimensões até um milhão de vezes superiores às da economia terrestre.
Esse cenário envolveria infraestrutura espacial avançada, exploração de materiais extraterrestres e sistemas automatizados de produção.
A SpaceX, empresa fundada por Musk, trabalha no desenvolvimento da nave Starship, concebida para transportar grandes quantidades de carga e, futuramente, pessoas para destinos como a Lua e Marte.
No entanto, uma economia espacial dessa magnitude permanece altamente especulativa e dependeria de avanços tecnológicos ainda não demonstrados.
Mas o fim do dinheiro realmente seria possível?
Embora a inteligência artificial possa aumentar a produtividade, especialistas em economia apontam obstáculos importantes à ideia de uma sociedade na qual o dinheiro se torne desnecessário.
Mesmo que máquinas consigam produzir grandes quantidades de bens, recursos como terrenos, energia, minerais e infraestrutura continuarão sujeitos a limitações físicas.
Além disso, aumentar a produção não garante que seus benefícios sejam distribuídos igualmente.
A concentração da propriedade de robôs, centros de dados e sistemas de inteligência artificial poderia até ampliar desigualdades existentes.
O Fundo Monetário Internacional já alertou que a inteligência artificial pode afetar uma parcela significativa dos empregos globais, criando oportunidades de produtividade, mas também riscos para trabalhadores e para a distribuição de renda.
Por isso, a previsão de Musk deve ser interpretada como uma hipótese sobre um futuro possível, e não como uma transformação inevitável.
A tecnologia pode mudar radicalmente a relação entre trabalho, produção e riqueza. A questão ainda sem resposta é se essa abundância beneficiará toda a população ou permanecerá concentrada nas mãos de quem controla as máquinas.