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Ciência

Estudo com labirintos e formigas sugere que a inteligência coletiva pode superar alguns dos melhores modelos de IA

Um estudo publicado no Journal of the Royal Society Interface mostrou que grandes colônias de formigas resolvem labirintos complexos de forma mais eficiente do que modelos computacionais convencionais. A descoberta pode inspirar novas abordagens para inteligência artificial e robótica de enxame.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A inteligência artificial costuma ser vista como o ápice da resolução de problemas complexos. No entanto, um novo estudo sugere que a natureza ainda pode ensinar lições importantes. Pesquisadores descobriram que grandes grupos de formigas conseguem solucionar desafios geométricos de maneira mais eficiente do que modelos computacionais baseados em regras físicas simples, revelando princípios de cooperação que poderão influenciar o desenvolvimento de futuras tecnologias de IA.

Como os cientistas testaram a inteligência coletiva das formigas

As formigas que aprenderam a cultivar há 15 milhões de anos muito antes da agricultura humana
© Pexels

A pesquisa analisou colônias da espécie Paratrechina longicornis, conhecida por sua capacidade de transportar objetos muito maiores do que cada indivíduo conseguiria mover sozinho.

Segundo o pesquisador Ofer Feinerman, do Instituto Weizmann de Ciências e principal autor do estudo, a inspiração surgiu ao observar as formigas tentando levar grandes pedaços de alimento para dentro do ninho.

O maior desafio aparecia justamente na entrada, onde cargas volumosas e de formatos irregulares precisavam atravessar uma abertura estreita. Esse problema natural levou os cientistas a investigar como a capacidade de resolver desafios mudava conforme o tamanho do grupo.

Para realizar os testes, a equipe produziu pequenos objetos com impressão 3D, controlando cuidadosamente peso, dimensões e formato. Em seguida, essas peças foram deixadas durante a noite em ração para gatos, tornando-se atraentes para as formigas.

Depois, os pesquisadores posicionaram os objetos ao lado de labirintos cortados a laser próximos aos ninhos e registraram todo o processo com câmeras instaladas acima do experimento.

Grupos maiores encontraram soluções mais eficientes

Para comparar grupos de diferentes tamanhos, os pesquisadores criaram versões ampliadas dos mesmos labirintos.

O peso das cargas foi ajustado proporcionalmente ao número de formigas participantes, garantindo que o esforço físico individual permanecesse equivalente em todos os testes. Dessa forma, os cientistas conseguiram medir principalmente a coordenação coletiva, e não a força necessária para transportar o objeto.

Os resultados mostraram que, em labirintos simples, grupos pequenos e grandes apresentavam desempenhos semelhantes.

Entretanto, conforme os desafios se tornavam mais complexos, as colônias maiores passaram a encontrar soluções significativamente mais eficientes, demonstrando uma capacidade superior de coordenação e adaptação.

Simulações de computador não conseguiram igualar o desempenho

Além dos experimentos com formigas, a equipe desenvolveu simulações computacionais para resolver exatamente os mesmos labirintos.

Inicialmente, os modelos utilizavam princípios físicos simples, semelhantes ao efeito da gravidade. Segundo Feinerman, seria como inclinar o labirinto e sacudi-lo até que a carga eventualmente encontrasse a saída.

Embora essas simulações funcionassem em cenários mais simples, elas apresentavam dificuldades à medida que os obstáculos aumentavam.

Os pesquisadores conseguiram melhorar o desempenho ajustando parâmetros específicos para cada labirinto. Ainda assim, os modelos só alcançavam resultados próximos aos das formigas quando recebiam configurações personalizadas para cada situação.

Já as colônias reais aplicavam estratégias que funcionavam em diferentes cenários sem necessidade de ajustes individuais, indicando a existência de regras coletivas mais gerais e flexíveis.

Descoberta pode inspirar novas gerações de inteligência artificial

Formigas1
© Marco Neri – Unsplash

Os autores afirmam que os resultados reforçam a importância da inteligência coletiva na resolução de problemas complexos.

A pesquisa aponta que sistemas inspirados no comportamento das formigas poderão contribuir para o desenvolvimento de algoritmos mais adaptáveis, além de aplicações em robótica de enxame, na qual diversos robôs trabalham de forma coordenada para executar tarefas difíceis.

O estudo não afirma que essa tecnologia já possa ser transferida diretamente para sistemas de inteligência artificial. Em vez disso, demonstra que as colônias de formigas seguem princípios de cooperação capazes de resolver problemas complexos com maior flexibilidade do que modelos ajustados manualmente para cada caso.

Agora, os pesquisadores pretendem investigar a origem dessa capacidade. O próximo objetivo será descobrir quanto desse comportamento depende das decisões individuais de cada formiga e quanto emerge das interações coletivas dentro da colônia, um fenômeno que ainda não é totalmente compreendido.

 

[ Fonte: Infobae ]

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