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EUA apertam cerco e planejam apreender mais petroleiros da Venezuela

A apreensão de um navio carregado de petróleo venezuelano nesta semana não foi um episódio isolado. Pelo contrário: ela sinaliza uma nova fase da pressão dos Estados Unidos sobre o governo de Nicolás Maduro. Entenda o que está em jogo, por que o movimento acende alertas no setor marítimo e como isso pode afetar o mercado global de energia.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Primeira apreensão abre caminho para novas ações

Fontes com conhecimento direto do assunto afirmam que os Estados Unidos estão se preparando para interceptar mais navios que transportam petróleo da Venezuela. A ação acontece após a apreensão de um petroleiro nesta semana — a primeira vez, desde 2019, que Washington confisca diretamente uma carga ou embarcação ligada ao petróleo venezuelano, alvo de sanções há anos.

A medida ocorre em paralelo a um reforço militar norte-americano no Caribe sul e faz parte de uma estratégia mais ampla para aumentar a pressão econômica e política sobre Nicolás Maduro. Para o governo dos EUA, cortar o fluxo de exportações de petróleo significa atingir a principal fonte de receita do regime venezuelano.

Clima de alerta entre armadores e operadores

EUA apertam cerco e planejam apreender mais petroleiros da Venezuela
© https://x.com/BehizyTweets/

A notícia da apreensão caiu como uma bomba no setor marítimo. Armadores, operadores e agências envolvidas no transporte de petróleo venezuelano entraram em estado de alerta. Segundo fontes do mercado, muitas empresas estão reconsiderando viagens já programadas a partir de águas venezuelanas nos próximos dias, com medo de novas interceptações.

O receio não é infundado. Pessoas familiarizadas com os planos dos EUA afirmam que novas ações diretas são esperadas nas próximas semanas, mirando navios que transportam petróleo da Venezuela e também embarcações que, em outros momentos, tenham levado óleo de países igualmente sancionados, como o Irã.

EUA montam lista de alvos prioritários

De acordo com uma das fontes, Washington já montou uma lista de petroleiros sancionados que podem ser apreendidos. O planejamento das operações envolveria o Departamento de Justiça e o Departamento de Segurança Interna, que estariam trabalhando nisso há meses.

Questionada sobre futuras apreensões, a Casa Branca evitou comentar detalhes, mas reforçou que seguirá aplicando a política de sanções do governo. Em declaração, a porta-voz Karoline Leavitt afirmou que os EUA não vão “ficar parados assistindo navios sancionados cruzarem os mares com petróleo do mercado negro”, alegando que esses recursos financiam atividades criminosas e regimes considerados ilegítimos.

Impacto direto nas finanças da Venezuela

Uma redução significativa — ou até a paralisação — das exportações de petróleo teria efeitos devastadores para o governo Maduro. O petróleo é, disparado, a principal fonte de divisas do país. Apertar esse fluxo é visto em Washington como uma forma eficaz de estrangular financeiramente o regime.

Nesta mesma semana, o Departamento do Tesouro dos EUA anunciou novas sanções contra seis superpetroleiros que, segundo documentos internos da estatal PDVSA e dados de monitoramento, carregaram petróleo na Venezuela recentemente. Além disso, quatro cidadãos venezuelanos foram sancionados, incluindo três parentes da primeira-dama Cilia Flores. Não está claro se esses navios fazem parte do grupo que pode ser interceptado em breve.

“Frota fantasma” entra no radar

O foco da nova tática dos EUA está na chamada “frota fantasma”: um conjunto de petroleiros antigos, com propriedade pouco transparente e seguro limitado, usados para transportar petróleo de países sob sanções. Esses navios costumam operar no limite da legalidade, fazendo viagens sucessivas para diferentes países, como Irã, Venezuela e até Rússia.

A China aparece como peça-chave nessa equação. O país é o maior comprador de petróleo venezuelano e iraniano, e muitas dessas embarcações acabam levando cargas destinadas a refinarias chinesas. Para os EUA, interromper essa logística é essencial para enfraquecer regimes sancionados.

Navios parados e cargas suspensas

A apreensão do petroleiro chamado Skipper já trouxe efeitos práticos. Segundo fontes do setor, ao menos um operador suspendeu temporariamente três viagens recém-carregadas, somando quase 6 milhões de barris do petróleo Merey, principal grau de exportação da Venezuela.

“Os carregamentos tinham acabado de ser feitos e estavam prestes a seguir para a Ásia”, relatou um executivo do comércio de petróleo venezuelano. “Agora, as viagens foram canceladas e os navios estão esperando ao largo da costa venezuelana, porque isso é mais seguro no momento.”

Monitoramento e vigilância intensificados

Fontes indicam que forças norte-americanas estão monitorando de perto petroleiros em alto-mar e também embarcações ainda em portos venezuelanos, algumas em manutenção, outras em fase de carregamento. A estratégia seria aguardar que esses navios entrem em águas internacionais antes de agir.

Antes da apreensão do Skipper — que já havia sido sancionado anteriormente por negociações com o Irã — houve um aumento significativo da vigilância naval nas águas próximas à Venezuela e à Guiana. Outro caso citado é o do navio Seahorse, sancionado pelo Reino Unido e pela União Europeia por ligações com o petróleo russo, que foi monitorado e brevemente detido por um navio de guerra dos EUA antes de seguir para a Venezuela.

Pirataria ou ação legal?

O governo venezuelano classificou a apreensão como “pirataria internacional”, acusação que Maduro vem repetindo ao afirmar que o reforço militar dos EUA teria como objetivo derrubá-lo e tomar controle das reservas de petróleo do país, membro da Opep.

Especialistas em direito marítimo, no entanto, discordam dessa leitura. Segundo Laurence Atkin-Teillet, especialista em pirataria e direito do mar da Universidade de Nottingham, a ação não se enquadra legalmente como pirataria. Como a captura foi autorizada e sancionada por um Estado, ela não se encaixa na definição clássica do crime, sendo o termo usado mais como retórica política do que jurídica.

O que vem pela frente

Tudo indica que os EUA estão dispostos a ir além das sanções no papel e partir para ações diretas no mar. Se essa estratégia vai se sustentar no longo prazo — e quais serão as reações de aliados, compradores como a China e do próprio governo venezuelano — ainda é uma incógnita. O alerta está dado: o petróleo da Venezuela virou, mais uma vez, peça central de um jogo geopolítico de alto risco.

[Fonte: Reuters]

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