Um contrato de mais de 12,3 milhões de euros entre o Ministério do Interior da Espanha e a Huawei colocou Madri sob intensa pressão diplomática. Segundo o jornal ABC, Washington exige que o governo espanhol rompa laços comerciais com a gigante chinesa ou enfrentará restrições severas no fluxo de inteligência compartilhada com os EUA — um golpe potencial à cooperação em segurança contra terrorismo, crime organizado e outras ameaças globais.
Investigação e alerta oficial de Washington

A diretora de Inteligência Nacional dos EUA, Tulsi Gabbard, abriu uma investigação formal sobre os contratos espanhóis com a Huawei, alegando risco de vínculos com os serviços de inteligência da China.
Em carta enviada a autoridades espanholas, Gabbard advertiu: se os contratos permanecerem ativos após o fim do mês, haverá uma “limitação notável” na troca de dados estratégicos, afetando inclusive protocolos dentro da OTAN e em bases militares conjuntas.
O temor sobre o acesso a dados
A principal preocupação americana é que, de acordo com as leis chinesas de segurança e inteligência, a Huawei possa ser obrigada a fornecer a Pequim qualquer dado armazenado.
Um boletim da Comissão de Revisão Econômica e de Segurança EUA–China, publicado em 5 de agosto, alertou que “parte dessas escutas pode acabar nos sistemas geridos pela Huawei” se os contratos espanhóis seguirem ativos. A ameaça não afeta apenas a confiança de Washington, mas também de parceiros da União Europeia.
Pressão política e diplomática
A ofensiva contra a Espanha ganhou força após carta dos congressistas Tom Cotton e Rick Crawford, chefes das comissões de Inteligência do Senado e da Câmara dos Representantes dos EUA. No documento, eles pedem “revisão imediata” da cooperação com Madri e alertam para “o risco à segurança ocidental” representado pela contratação da Huawei.
O porta-voz de Cotton, Patrick McCann, reforçou: “Instamos o governo espanhol a revogar o contrato antes que seja tarde demais”.
Espanha na contramão dos aliados
Embora a Huawei tenha sido excluída do núcleo das redes 5G na Espanha por pressão europeia e americana, o governo Sánchez permitiu que a empresa chinesa fornecesse servidores para armazenar escutas judiciais — classificadas como altamente sensíveis.
Segundo o ABC, Madri tem adotado uma postura mais flexível com a China que outros países da UE, buscando atrair investimentos chineses em setores estratégicos como veículos elétricos e energias renováveis. A recente visita de Sánchez a Pequim para reforçar relações bilaterais aumentou o desconforto entre aliados da OTAN.
Justificativa oficial e críticas

O Executivo espanhol alega que a proposta da Huawei foi a mais barata e que a lei obriga a aceitá-la. No entanto, a ausência de cláusulas específicas de segurança no edital levanta dúvidas sobre a proteção de dados sensíveis.
Até que a Espanha se alinhe à política americana de exclusão de fornecedores considerados de alto risco, parlamentares dos EUA defendem que qualquer informação compartilhada seja filtrada para impedir que detalhes cheguem ao Partido Comunista Chinês.
[ Fonte: Infobae ]