A era do carimbo no passaporte está chegando ao fim na Europa. A partir de 12 de outubro, o continente dará início a uma mudança histórica em seus controles de fronteira. O novo Sistema de Entrada e Saída (EES) vai substituir o método tradicional por uma tecnologia digital baseada em biometria.
Como será a transição

Segundo a União Europeia, a implantação do EES será gradual e acontecerá ao longo de seis meses, com conclusão prevista para 9 de abril de 2026. Até lá, os países adotarão progressivamente a nova tecnologia em suas fronteiras.
Entre os 29 países que participarão do sistema estão Portugal, Espanha, Itália, França e Alemanha, principais destinos turísticos de brasileiros. O EES também será adotado por países que não pertencem à União Europeia, mas fazem parte do espaço Schengen, como Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein.
O que vai mudar para os viajantes

Em vez de receber um carimbo no passaporte, o visitante terá seus dados biométricos coletados na chegada. O sistema armazenará informações como foto facial e impressões digitais, além de registrar a data de entrada e saída de cada viajante.
A medida vale para todos que não possuam cidadania da União Europeia ou dos países associados ao espaço Schengen. Isso significa que turistas brasileiros, americanos, britânicos, canadenses e de outras nacionalidades precisarão passar pelo procedimento.
O EES será aplicado tanto a quem precisa de visto de curta duração (até 90 dias) quanto a quem tem isenção de visto — caso do Brasil.
Dados coletados e funcionamento do EES
Para quem possui visto de curta duração, o sistema armazenará apenas a imagem facial. Já para os que entram sem visto, o agente solicitará quatro impressões digitais e uma foto do rosto.
O sistema contará com totens de autoatendimento em aeroportos e fronteiras terrestres. Alguns países também poderão oferecer aplicativos de pré-cadastro, permitindo agilizar o processo.
Ainda assim, a palavra final continuará sendo do agente de imigração, que poderá negar a entrada no país ou solicitar uma nova coleta de dados caso identifique necessidade.
Por que a mudança acontece agora
De acordo com a União Europeia, o novo modelo tem três objetivos principais:
- Reforçar a segurança contra imigração irregular e fraudes;
- Agilizar os processos de entrada, reduzindo filas em aeroportos e fronteiras;
- Padronizar os dados coletados, garantindo mais eficiência no monitoramento.
Além disso, o EES ajudará a controlar a duração da estadia de até 90 dias, uma exigência frequente para turistas. Hoje, esse cálculo depende da análise manual dos carimbos, o que pode gerar erros e inconsistências.
Lista de países que adotarão o EES
- Áustria
- Bélgica
- Bulgária
- Croácia
- Chéquia (República Tcheca)
- Dinamarca
- Estônia
- Finlândia
- França
- Alemanha
- Grécia
- Hungria
- Islândia
- Itália
- Letônia
- Liechtenstein
- Lituânia
- Luxemburgo
- Malta
- Países Baixos (Holanda)
- Noruega
- Polônia
- Portugal
- Romênia
- Eslováquia
- Eslovênia
- Espanha
- Suécia
- Suíça
O que esperar no futuro
O fim do carimbo tradicional marca uma virada na forma como a Europa lida com visitantes estrangeiros. Embora especialistas apontem benefícios em termos de segurança e praticidade, também há críticas quanto à privacidade dos dados biométricos e ao risco de falhas técnicas nos primeiros meses de operação.
Para turistas, a mudança representa menos burocracia em alguns aspectos, mas também a necessidade de se adaptar a novos processos de controle. Uma coisa é certa: a experiência de atravessar fronteiras na Europa nunca mais será a mesma.
[ Fonte: CNN Brasil ]