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Ciência

Excesso de açúcar pode afetar o cérebro e aumentar a inflamação, alerta cientista

Picos frequentes de glicose no sangue podem favorecer processos inflamatórios no organismo. Para Tim Spector, epidemiologista e professor do King’s College London, reduzir o excesso de açúcar na alimentação pode ajudar a proteger a saúde metabólica e cerebral.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O açúcar faz parte da alimentação e a glicose é uma importante fonte de energia para o organismo. O problema aparece quando o consumo excessivo, especialmente de açúcares livres e adicionados, contribui para grandes e frequentes oscilações da glicemia.

Esses picos podem estar associados a consequências que vão muito além daquela sensação de cansaço depois de uma refeição. Em longo prazo, uma alimentação desequilibrada pode favorecer resistência à insulina, diabetes tipo 2 e doenças cardiometabólicas.

Segundo Tim Spector, médico, epidemiologista e professor do King’s College London, outro ponto merece atenção: a possível relação entre alterações metabólicas, inflamação e saúde cerebral.

Picos de glicose podem estimular processos inflamatórios

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© Pexels

Spector explica que picos repetidos e muito elevados de açúcar no sangue podem estimular respostas do sistema imunológico e favorecer processos inflamatórios.

O cientista relaciona esse mecanismo ao chamado eixo intestino-cérebro, sistema de comunicação bidirecional que envolve diferentes vias do organismo, incluindo o nervo vago.

O cérebro também possui suas próprias células imunológicas, como a micróglia, capazes de responder a sinais inflamatórios.

Para Spector, alterações persistentes nesses mecanismos podem fazer parte da relação observada entre saúde metabólica e diferentes problemas neurológicos ou psiquiátricos.

Isso não significa, porém, que comer açúcar ocasionalmente provoque diretamente doenças como Alzheimer, depressão ou esquizofrenia. Essas condições são complexas e envolvem múltiplos fatores genéticos, ambientais, metabólicos e comportamentais.

O alerta está principalmente no consumo excessivo e frequente dentro de um padrão alimentar pouco saudável.

Açúcar em excesso também está relacionado ao diabetes tipo 2

Outro problema importante é a relação entre consumo elevado de açúcares livres, excesso de calorias, ganho de peso e desenvolvimento de resistência à insulina.

Quando as células passam a responder menos à insulina, o organismo precisa produzir quantidades maiores do hormônio para controlar a glicose presente no sangue.

Com o tempo, esse processo pode contribuir para o desenvolvimento do diabetes tipo 2.

Spector destaca que existe uma associação importante entre diabetes tipo 2 e maior risco de comprometimento cognitivo e demência. Isso reforça a necessidade de observar a saúde metabólica não apenas como uma questão relacionada ao peso ou ao coração, mas também ao envelhecimento cerebral.

Nem todo açúcar provoca o mesmo efeito no organismo

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© Imagem gerada por inteligência artificial – Gizmodo BR

Existe ainda uma diferença fundamental entre consumir açúcar adicionado e ingerir alimentos integrais que naturalmente contêm açúcares.

Uma fruta, por exemplo, oferece fibras, água, vitaminas e diferentes compostos vegetais. A presença das fibras também influencia a velocidade com que os carboidratos são digeridos e absorvidos.

Uma bebida açucarada apresenta uma situação bastante diferente. Grandes quantidades de açúcar podem ser consumidas rapidamente e praticamente sem fibras, facilitando uma elevação mais rápida da glicemia.

Por isso, simplesmente tentar eliminar qualquer alimento que contenha açúcar não representa necessariamente uma alimentação mais saudável.

O objetivo não precisa ser eliminar completamente o açúcar

O alerta de Spector está mais relacionado à frequência e à quantidade do que à necessidade de transformar o açúcar em um ingrediente absolutamente proibido.

Reduzir refrigerantes, bebidas açucaradas, doces e produtos com grandes quantidades de açúcar adicionado pode diminuir significativamente o consumo diário sem exigir mudanças extremas.

Combinar carboidratos com alimentos ricos em fibras, proteínas e gorduras também pode modificar a resposta glicêmica de uma refeição.

A mensagem principal é que saúde metabólica e cerebral estão mais conectadas do que parecem.

Um doce ocasional dificilmente define sozinho o futuro da saúde de alguém. Mas uma alimentação baseada constantemente em grandes quantidades de açúcares livres e alimentos pouco nutritivos pode contribuir para alterações metabólicas e inflamatórias que, mantidas durante anos, podem ter consequências muito mais amplas para o organismo.

 

[ Fonte: Men´s Health ]

 

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