A missão, conduzida pela empresa sul-coreana Innospace em parceria com órgãos brasileiros, é considerada um marco para o programa espacial nacional e para o uso comercial da base de Alcântara.
O que causou o adiamento do lançamento
Segundo a Innospace, durante as inspeções finais foi identificada uma anomalia técnica em um componente da unidade de refrigeração do sistema de alimentação de oxidante do primeiro estágio do foguete Hanbit-Nano.
A empresa informou que o problema não envolve falha estrutural no veículo. Trata-se da substituição de uma peça específica, necessária para garantir segurança total na operação. O reparo pode ser feito com o foguete já posicionado na plataforma, o que permitiu reagendar rapidamente o lançamento.
FAB e AEB seguem com operação pronta
Em nota oficial, a Força Aérea Brasileira (FAB) confirmou que toda a infraestrutura do Centro de Lançamento de Alcântara permanece operacional. Equipes técnicas, sistemas de rastreio e suporte seguem mobilizados para a nova janela de lançamento.
A operação envolve cerca de 400 profissionais, entre brasileiros e sul-coreanos, reforçando o caráter internacional da missão. Inicialmente, o voo estava previsto para novembro, mas já havia sido adiado para a realização de testes adicionais de segurança.
O que o foguete vai levar ao espaço
Se tudo correr como planejado na nova tentativa, o Hanbit-Nano colocará oito cargas úteis em órbita terrestre baixa. Os satélites foram desenvolvidos por instituições do Brasil e da Índia e somam cerca de 22 quilos.
A órbita prevista é de aproximadamente 300 quilômetros de altitude, com inclinação de 40 graus. Esse tipo de missão é fundamental para aplicações como observação da Terra, testes tecnológicos e pesquisas científicas.
O foguete tem 22 metros de altura, pesa cerca de 30 toneladas e pode atingir velocidades próximas de 30 mil km/h. Seu desenvolvimento começou em 2023, quando um protótipo foi testado em Alcântara durante a Operação Astrolábio.
Por que esse lançamento é tão importante
Este seria o primeiro lançamento orbital da história do Brasil, ou seja, a primeira vez que satélites seriam colocados em órbita a partir do território nacional. Até hoje, Alcântara vinha sendo usada apenas para lançamentos suborbitais.
Além do simbolismo, o voo marca um passo importante para transformar o Brasil em um hub internacional de lançamentos espaciais, aproveitando a posição privilegiada da base, próxima à Linha do Equador, que reduz custos e consumo de combustível.
O passado complexo do Centro de Lançamento de Alcântara
O CLA carrega um histórico sensível. Foi ali que ocorreram as três tentativas frustradas de lançamento do VLS-1, entre 1997 e 2003. A última terminou em uma tragédia: um incêndio antes da decolagem matou 21 técnicos e engenheiros, encerrando de forma precoce o programa de foguetes brasileiro.
Desde então, o centro passou a operar apenas lançamentos suborbitais, principalmente com o foguete de sondagem VSB-30, usado em missões científicas no Brasil e também na Europa, incluindo a base de Esrange, na Suécia.
Um atraso pequeno diante de um passo histórico
O adiamento pode frustrar quem esperava ver o foguete subir nesta quarta-feira, mas especialistas destacam que segurança vem sempre em primeiro lugar em operações espaciais. A nova data mantém viva a expectativa de um marco que pode redefinir o papel do Brasil no setor aeroespacial.
Se o lançamento ocorrer como planejado na sexta-feira, Alcântara finalmente entrará para a história como base orbital — um passo atrasado por horas, mas aguardado há décadas.
[Fonte: Portal6]