A prova também marcou o fim da hegemonia recente de Verstappen, campeão nas últimas quatro temporadas sob o regulamento do efeito solo, que se despede da F1 neste fim de semana. Mesmo com o holandês no topo do pódio, o campeonato ficou com Norris, que fez uma corrida madura, sem erros, exatamente o que precisava para levantar a taça.
Um tabuleiro estratégico em Yas Marina

Yas Marina não costuma entregar corridas cheias de ultrapassagens, mas virou um verdadeiro xadrez entre McLaren e Red Bull. A equipe inglesa dividiu as estratégias para maximizar o resultado do campeonato: Piastri ficou mais tempo na pista, enquanto Norris teve como missão controlar ameaças diretas, especialmente Charles Leclerc.
Do outro lado, a Red Bull apostou no talento de Verstappen para reagir ao ritmo da McLaren. E o holandês respondeu como sempre: com precisão cirúrgica. Usando pneus duros mais novos, ele buscou o ritmo ideal para reassumir a liderança depois do pit stop, chegando a tirar 19 segundos de desvantagem em relação a Piastri.
Largada agitada e pressão desde o início
Na largada, Verstappen se manteve firme por dentro e segurou Norris na primeira curva. Piastri apareceu forte e logo se colocou na briga, mantendo a terceira posição e pressionando desde cedo. Leclerc ganhou terreno ao ultrapassar George Russell, enquanto Fernando Alonso também avançava no pelotão.
Gabriel Bortoleto, largando em sétimo, manteve a posição inicial e mostrou consistência nas primeiras voltas. Lewis Hamilton, por sua vez, fez boa largada e ganhou posições importantes logo no início.
Piastri assume protagonismo, Norris administra o título
Ainda no começo da prova, Piastri passou Norris e assumiu a segunda colocação, deixando claro que a McLaren não faria jogo de equipe explícito. O movimento colocou Norris sob pressão direta de Leclerc, que tentou se aproximar em diferentes momentos.
Com a degradação dos pneus aumentando, o ritmo do pelotão caiu a partir da volta 13. Norris reclamou pelo rádio, mas conseguiu abrir uma pequena margem sobre o monegasco antes da parada nos boxes. Depois do pit stop, o inglês voltou ao meio do tráfego e precisou fazer uma série de ultrapassagens rápidas para retomar posições — passando Antonelli, Sainz, Lawson e Stroll praticamente em sequência.
Tsunoda entra na história — e se complica
Na parte intermediária da corrida, Yuki Tsunoda tentou cumprir um papel tático para a Red Bull, segurando Norris na pista. A tentativa durou pouco. Assim que entrou na zona de DRS, o piloto da McLaren passou com facilidade.
A manobra ainda gerou investigação, mas Norris foi isentado. Já Tsunoda acabou punido em cinco segundos por direção errática, o que selou de vez a terceira colocação de Lando e deixou o caminho livre para o título.
Verstappen domina o final da corrida
Enquanto Norris fazia a corrida “do campeonato”, Verstappen fazia a corrida da vitória. Depois de reassumir a liderança ao ultrapassar Piastri na volta 41, o holandês abriu vantagem com tranquilidade até a bandeirada final.
Piastri ainda fez seu pit stop tardio e voltou à frente de Norris, garantindo a dobradinha da McLaren no pódio. Nas voltas finais, Norris até se aproximou do companheiro, mas sem pressão real — o objetivo já estava cumprido.
Bortoleto luta, mas fica fora do top 10
Para o brasileiro Gabriel Bortoleto, o domingo foi de aprendizado. O piloto da Sauber não conseguiu se manter na zona de pontuação após perder posições para Alonso e, mais tarde, para Ocon, Bearman e Stroll.
Com uma única parada na volta 16, Bortoleto seguiu próximo do top 10 até o fim, mas acabou cruzando a linha em 12º. Herdou uma posição após punição a Bearman, fechando a prova em 11º. Sem pontos, mas com sinais de evolução em sua temporada de estreia.
Um título que muda o jogo da F1
A conquista de Lando Norris encerra um longo período sem campeões da McLaren desde 2008, quando Lewis Hamilton levou o título. Mais do que isso, simboliza o equilíbrio que a Fórmula 1 volta a ter após anos de domínio absoluto.
A temporada termina com Verstappen vencendo corridas e Norris levantando o troféu mais importante. Agora, a F1 entra em férias por três meses antes de iniciar 2026, em 8 de março.
A pergunta que fica no ar é inevitável: esse foi apenas o começo de uma nova era para a McLaren — ou Verstappen já prepara a resposta?
[Fonte: G1 – Globo]