Benefícios corporativos costumam ser vistos pelos funcionários como algo simples: um saldo aparece no aplicativo e pode ser utilizado. Nos bastidores, porém, existe uma operação muito mais complexa. Cadastros, atualizações, pagamentos e movimentações precisam ser processados repetidamente pelas equipes de Recursos Humanos. Agora, uma transformação tecnológica está tentando eliminar boa parte desse trabalho invisível por meio da integração entre plataformas e da automação.
Digitalizar deixou de ser suficiente

Durante a primeira fase da transformação dos benefícios corporativos, a grande novidade era substituir processos físicos por soluções digitais.
Cartões deram espaço a aplicativos. Documentos começaram a circular eletronicamente. Planilhas passaram a conviver com plataformas especializadas.
Agora, o mercado começa a avançar para uma segunda etapa.
Não basta colocar aquilo que antes era manual dentro de uma tela. A nova prioridade é fazer diferentes sistemas conversarem entre si.
Isso permite que informações que já estão armazenadas nas plataformas de Recursos Humanos sejam utilizadas automaticamente pelos serviços responsáveis pelos benefícios dos trabalhadores.
A diferença parece pequena, mas pode representar muitas horas de trabalho economizadas todos os meses.
89% das empresas estão caminhando na mesma direção
A transformação não está limitada a algumas companhias de tecnologia.
Uma pesquisa global da Mercer Marsh Benefits, realizada com mais de 400 empregadores e 3.000 trabalhadores, mostra o tamanho da tendência.
Segundo o levantamento, 65% dos empregadores consideram a tecnologia de Recursos Humanos o principal fator que está modificando suas prioridades relacionadas aos benefícios.
Outro número chama ainda mais atenção.
Nada menos que 89% dos empregadores pesquisados já centralizaram seus benefícios em uma plataforma ou pretendem fazer isso durante o ano.
Isso indica que a tecnologia deixou de ocupar um papel secundário nessa área.
A maneira como um benefício é administrado começa a ser quase tão importante quanto o próprio benefício oferecido.
O problema aparece quando uma pequena tarefa precisa ser repetida mil vezes

Imagine uma empresa com poucos funcionários.
Atualizar manualmente algumas informações todos os meses pode não representar um grande problema.
Agora multiplique essa operação por centenas ou milhares de pessoas.
Entradas e saídas de funcionários, alterações cadastrais, valores disponíveis e outras informações precisam ser processados continuamente.
Uma tarefa aparentemente insignificante começa a consumir muitas horas das equipes responsáveis.
É exatamente esse tipo de trabalho repetitivo que as novas integrações tentam eliminar. Quando os sistemas estão conectados, parte das informações pode circular automaticamente.
O funcionário continua recebendo seu benefício. A diferença está em tudo aquilo que deixou de precisar acontecer manualmente nos bastidores.
APIs estão se tornando peças importantes do RH
A palavra API costuma aparecer associada ao desenvolvimento de software, mas sua importância começa a alcançar praticamente todas as áreas das empresas.
Uma API funciona, de maneira simplificada, como uma ponte que permite que diferentes sistemas troquem informações.
No contexto dos benefícios corporativos, isso significa conectar a plataforma que administra os funcionários ao serviço responsável por determinada prestação.
A amiPASS possui integrações com sistemas como BUK, Talana, Genera, GeoVictoria e Qwantec.
Dessa forma, informações podem ser reaproveitadas sem que uma pessoa precise necessariamente copiá-las de uma plataforma para outra todos os meses.
Quanto maior a organização, maior pode ser o impacto dessa automação.
Para o funcionário, a tecnologia deveria quase desaparecer
Existe outro lado dessa transformação.
O trabalhador não quer necessariamente conhecer toda a infraestrutura tecnológica utilizada para entregar um benefício.
Ele simplesmente espera que funcione.
Por isso, a experiência do usuário também se tornou uma prioridade.

Processos de autoenrolamento reduzem etapas administrativas, enquanto aplicativos permitem consultar e utilizar benefícios diretamente pelo celular.
A melhor tecnologia, nesse contexto, pode ser justamente aquela que quase não é percebida.
Para o RH, significa menos tarefas repetitivas.
Para o funcionário, menos etapas para acessar aquilo que a empresa oferece.
Existe um preço para conectar tantas informações
Quanto mais sistemas corporativos trocam informações, maior se torna a importância da segurança.
Plataformas de benefícios podem lidar com dados pessoais, informações trabalhistas e, dependendo do serviço, operações relacionadas a pagamentos.
Isso transforma a proteção das informações em parte essencial da infraestrutura.

No caso apresentado pela reportagem, a amiPASS possui certificação ISO 27001 relacionada à segurança da informação e atende ao padrão PCI DSS utilizado para proteção de dados de pagamentos.
Essa mudança também modifica os critérios utilizados pelas empresas na contratação de fornecedores.
Preço, cobertura e facilidade de utilização continuam relevantes. Mas capacidade de integração, automação e padrões de segurança passam a ocupar espaço crescente nas decisões.
Os benefícios estão se transformando em plataformas
A escala ajuda a entender por que esse mercado está mudando.
Atualmente, a amiPASS afirma trabalhar com mais de 2.000 empresas e 280.000 colaboradores ativos, além de possuir uma rede superior a 30.000 estabelecimentos.
A empresa começou concentrada na administração digital do benefício de alimentação, mas também possui a amiLIFE, plataforma voltada a alternativas relacionadas ao bem-estar.
Esse movimento aponta para uma transformação maior.
Em vez de diferentes benefícios existirem como serviços isolados, eles podem gradualmente se concentrar em ecossistemas digitais conectados aos sistemas corporativos.
A verdadeira inovação pode ser aquilo que ninguém mais precisa fazer
Quando pensamos em tecnologia no trabalho, é comum imaginar inteligência artificial, robôs ou sistemas extremamente sofisticados.
Mas algumas das transformações mais relevantes acontecem de maneira muito menos espetacular.
Uma informação que deixa de ser digitada duas vezes.
Uma planilha que não precisa mais ser atualizada manualmente.
Um cadastro que passa automaticamente de um sistema para outro.
Separadamente, parecem melhorias pequenas.
Multiplicadas por centenas de funcionários, dezenas de processos e todos os meses do ano, podem representar uma quantidade considerável de trabalho.
É justamente aí que está a próxima etapa da digitalização dos benefícios corporativos.
A tecnologia deixa de ser apenas o lugar onde uma tarefa é realizada.
Ela começa a fazer com que algumas dessas tarefas simplesmente deixem de existir.
[Fonte: G5]