Pular para o conteúdo
Tecnologia

Geração Z troca de emprego em pouco mais de um ano, mas o motivo vai além do salário

Um levantamento mostra que profissionais da Geração Z permanecem, em média, apenas 1,1 ano em cada emprego. Embora remuneração e qualidade de vida continuem importantes, o principal fator por trás dessa alta rotatividade é a busca por aprendizado, desenvolvimento de habilidades e crescimento na carreira.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

A Geração Z está transformando o mercado de trabalho de uma forma que poucas gerações fizeram antes. Jovens que começaram a carreira durante a pandemia agora enfrentam outro desafio: adaptar-se rapidamente a um mercado cada vez mais impactado pela inteligência artificial.

Nesse cenário, mudar de emprego tornou-se uma estratégia para adquirir experiência, desenvolver novas competências e acelerar o crescimento profissional. Um estudo da Randstad mostra que esses profissionais permanecem, em média, apenas 1,1 ano em cada empresa, muito menos do que as gerações anteriores.

Longe de representar falta de comprometimento, a pesquisa indica que a maior parte dessas mudanças é motivada pelo desejo de evoluir na carreira.

A Geração Z muda de emprego mais do que qualquer outra geração

Geração Z7
© Stiven Rivera – Pexels

Segundo o relatório da Randstad, 54% dos profissionais da Geração Z afirmam acompanhar constantemente novas oportunidades no mercado de trabalho.

Além disso, cerca de um terço dos entrevistados pretende deixar o emprego atual antes de completar um ano na empresa.

Os dados mostram uma diferença significativa em relação às demais gerações:

  • Geração Z: média de 1,1 ano por emprego;
  • Millennials: 1,8 ano;
  • Geração X: 2,8 anos;
  • Baby Boomers: 2,9 anos.

Esse comportamento contrasta com décadas passadas, quando era comum permanecer na mesma empresa durante toda a vida profissional.

Aprender pesa mais do que simplesmente ganhar mais

Embora aumentos salariais continuem sendo um incentivo importante, eles não aparecem como o principal motivo das mudanças.

A pesquisa aponta que muitos jovens enxergam cada nova experiência profissional como uma oportunidade para desenvolver competências e construir uma carreira mais sólida no longo prazo.

Cerca de 68% dos entrevistados afirmam manter compromisso com seus empregadores atuais. No entanto, muitos dizem que os valores da empresa não estão alinhados aos seus ou que o ambiente oferece poucas oportunidades de crescimento.

Outro dado reforça essa visão: apenas 56% dos integrantes da Geração Z acreditam que o emprego atual atende às suas necessidades profissionais, percentual inferior ao observado entre os Baby Boomers.

Além disso, 40% afirmam considerar sempre seus objetivos de carreira de longo prazo antes de aceitar uma nova oportunidade, o maior índice entre todas as gerações analisadas.

A inteligência artificial também influencia as decisões

Ia Trabalho Robo
© Valerii Apetroaiei via Getty

Os jovens profissionais enfrentam um mercado de trabalho bastante diferente daquele encontrado pelas gerações anteriores.

A rápida adoção da inteligência artificial está reduzindo parte das vagas de entrada e alterando o conjunto de habilidades exigidas pelas empresas.

Como consequência, muitos integrantes da Geração Z procuram desenvolver novas competências continuamente ou até migrar para áreas menos expostas à automação.

Segundo os autores do estudo da Randstad, mesmo diante da volatilidade econômica, da diminuição das oportunidades para iniciantes e do avanço da IA, os jovens continuam demonstrando forte interesse em evoluir profissionalmente.

Em alguns casos, essa busca tem levado profissionais a migrar para setores como saúde e ocupações técnicas, conhecidas como profissões de colarinho azul, onde o impacto imediato da inteligência artificial tende a ser menor.

O que as empresas podem fazer para reter esses profissionais?

Especialistas afirmam que oferecer apenas um bom salário já não é suficiente para manter os jovens talentos.

Segundo Reyes Suárez, líder de RH da Randstad Professionals, a Geração Z valoriza velocidade, desafios e perspectivas claras de crescimento.

Por isso, planos de carreira bem estruturados, oportunidades frequentes de aprendizado e uma comunicação transparente sobre possibilidades de evolução tornam-se fatores decisivos para aumentar a retenção.

O relatório Workmonitor 2026 mostra que 39% dos jovens preferem uma trajetória profissional tradicional, com promoções periódicas, enquanto 33% gostariam de desenvolver a carreira passando por diferentes cargos e setores.

Apesar da busca por desenvolvimento, a remuneração continua sendo um fator relevante. Cerca de 83% afirmam considerar o salário prioridade ao avaliar uma nova oportunidade. Ao mesmo tempo, 78% dizem que aceitariam mudar de emprego em busca de melhor equilíbrio entre vida pessoal e trabalho.

Os resultados indicam que a alta rotatividade da Geração Z não está necessariamente ligada à falta de lealdade às empresas. Em muitos casos, ela reflete uma mudança de mentalidade: para esses profissionais, aprender continuamente, adquirir novas experiências e manter a empregabilidade em um mercado cada vez mais influenciado pela inteligência artificial tornou-se uma prioridade estratégica para o futuro da carreira.

 

[ Fonte: Xataka ]

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados