O governo do Rio de Janeiro intensificou sua estratégia política e de comunicação antes da reunião entre o governador Cláudio Castro (PL) e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), marcada para esta segunda-feira (3). Nas 12 horas que antecederam o encontro, o estado divulgou imagens de confrontos e uma lista de mortos na megaoperação policial realizada na semana passada, numa tentativa de reforçar a narrativa de que a ação foi legítima e conduzida dentro da lei.
Imagens para “mostrar heroísmo”

Na noite de domingo (2), o governo divulgou vídeos gravados por drones e câmeras corporais de agentes que participaram da operação. As cenas, segundo a comunicação oficial, mostram momentos de “heroísmo” por parte dos policiais ao enfrentar integrantes do Comando Vermelho (CV).
Em uma das gravações, um policial retorna à linha de fogo para resgatar um colega ferido e acaba sendo atingido fatalmente. O governo tem usado imagens como essa para reforçar o argumento de que as forças de segurança atuaram sob risco extremo e em legítima defesa.
O material, amplamente distribuído à imprensa e nas redes sociais, busca sensibilizar Moraes, que passou a relatar a ADPF das Favelas — ação do Supremo que estabelece regras para limitar operações policiais em comunidades do Rio e reduzir a letalidade.
A defesa de Castro
Desde o início da operação, que deixou mais de 100 mortos, Cláudio Castro tem insistido em caracterizar os agentes como “heróis” e as ações como “dentro dos parâmetros legais”. O governador argumenta que o estado seguiu todas as exigências determinadas pela decisão do STF, incluindo o uso de câmeras corporais, a presença de ambulâncias e a comunicação prévia ao Ministério Público.
Fontes próximas ao governo admitem, porém, que há preocupação com a postura de Moraes, considerado um ministro rígido em relação ao controle da violência policial. A reunião em Brasília é vista como decisiva para evitar que o STF imponha sanções ou novas restrições às forças de segurança fluminenses.
Lista dos mortos e antecedentes
Na manhã desta segunda-feira, horas antes do encontro, o governo divulgou uma lista com 115 nomes de pessoas mortas na operação. De acordo com os dados oficiais, 97 tinham algum tipo de passagem criminal, o que, segundo o governo, comprovaria que houve confronto com criminosos armados.
Já os 18 nomes sem antecedentes foram acompanhados por imagens e registros que, segundo a Secretaria de Segurança, demonstrariam ligações com o tráfico de drogas. A estratégia é tentar afastar a narrativa de que houve execuções ou mortes de inocentes, um dos pontos de maior pressão sobre o estado desde a divulgação dos números da operação.
O peso da opinião pública

Além da lista e dos vídeos, Castro aposta no apoio popular à ação policial. Pesquisas internas do governo indicam que a maioria dos fluminenses aprova operações contra o crime organizado, especialmente após a escalada de violência nas últimas semanas.
O Palácio Guanabara acredita que esse respaldo social pode ajudar a convencer o Supremo a não adotar medidas punitivas ou limitar futuras operações. Ainda assim, especialistas em segurança e direitos humanos alertam que a letalidade recorde da operação coloca o estado novamente no centro do debate sobre o uso da força policial e o cumprimento das normas da ADPF das Favelas.
[ Fonte: CNN Brasil ]