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Groenlândia no centro da disputa: relatório liga cidadãos dos EUA a operações de influência

Um relatório dinamarquês aponta que cidadãos norte-americanos ligados a Donald Trump tentaram manipular líderes e comunidades da Groenlândia para abrir caminho a uma futura anexação. Enquanto Copenhague reage com indignação e Nuuk rejeita qualquer intromissão, a Casa Branca mantém silêncio. No Ártico, onde os recursos e a geopolítica se cruzam, cada palavra — ou ausência dela — pesa mais do que nunca.
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Tempo de leitura: 2 minutos

O Ártico voltou ao centro da disputa internacional após revelações sobre possíveis tentativas de influência de cidadãos norte-americanos na Groenlândia. Segundo serviços de inteligência da Dinamarca, esses movimentos teriam como objetivo explorar divisões históricas e preparar terreno para um futuro vínculo com os Estados Unidos. A Casa Branca, até agora, não confirmou nem desmentiu, alimentando suspeitas e ampliando a tensão diplomática.

Uma operação em território estratégico

A emissora estatal dinamarquesa DR revelou que os serviços de inteligência detectaram atividades de pelo menos três norte-americanos que buscavam interferir na sociedade groenlandesa. A missão, segundo a denúncia, consistia em identificar aliados, enfraquecer opositores e estreitar relações com políticos e empresários locais.

O plano, descrito como uma “operação de influência”, teria o objetivo de promover a ideia de que a Groenlândia estaria melhor integrada aos Estados Unidos do que sob a soberania da Dinamarca. Para um território autônomo ainda marcado por tensões identitárias e históricas, a revelação caiu como uma verdadeira bomba política.

Reação firme de Dinamarca e Groenlândia

O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, classificou as acusações como “inaceitáveis” e alertou que representam uma violação grave das normas internacionais. A primeira-ministra Mette Frederiksen reforçou a posição, destacando que “qualquer interferência na democracia da Groenlândia é inadmissível”.

De Nuuk, a deputada Aaja Chemnitz não poupou críticas, considerando a suposta infiltração absurda e reafirmando que apenas os groenlandeses podem decidir seu destino. Ainda assim, admitiu que a denúncia escancara o interesse cada vez mais explícito dos EUA no território.

Dinamarca E Groenlândia1
© YouTube / DW

O silêncio que gera desconfiança

Chamado a dar explicações, o encarregado de negócios dos EUA em Copenhague, Mark Stroh, limitou-se a repetir que Washington “não comenta ações de cidadãos norte-americanos na Groenlândia”. O detalhe mais incômodo para Dinamarca e Groenlândia é justamente a ausência de uma negativa clara da Casa Branca — o que, para muitos analistas, equivale a um reconhecimento indireto.

Uma obsessão que vem de longe

A Groenlândia já havia sido alvo das ambições de Donald Trump em 2019, quando o então presidente sugeriu comprar a ilha, alegando sua importância estratégica e mineral. Em 2025, voltou a defender a ideia publicamente, questionando a legitimidade da soberania dinamarquesa sobre o território.

Apesar da pressão, pesquisas indicam que 85% da população groenlandesa rejeita qualquer vínculo formal com os Estados Unidos. Ainda assim, a ilha permanece no centro de interesses globais: rica em minerais estratégicos e localizada em um ponto-chave para a segurança no Ártico, tornou-se peça essencial em um jogo de poder que vai muito além de suas fronteiras.

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