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Ciência

Homens com calvície não têm uma nova pílula aprovada desde os anos 1990. Isso pode mudar

Uma formulação de minoxidil oral apresentou resultados positivos em dois grandes estudos e pode se tornar o primeiro tratamento oral não hormonal aprovado contra a calvície masculina nos Estados Unidos.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Um medicamento experimental contra a queda de cabelo avançou mais uma etapa importante. A farmacêutica Veradermics anunciou resultados positivos de um estudo de fase 3 com o VDPHL01, uma versão de liberação prolongada do minoxidil. Os participantes que receberam o tratamento apresentaram crescimento capilar superior ao observado com placebo. Os dados reforçam as perspectivas de aprovação, embora a decisão ainda dependa da análise da Food and Drug Administration (FDA).

Uma nova formulação de um medicamento conhecido

O VDPHL01 utiliza uma substância que já faz parte da rotina de muitas pessoas com queda de cabelo: o minoxidil. Conhecido pela marca Rogaine em alguns mercados, o medicamento também está amplamente disponível em versões genéricas.

Sua apresentação mais familiar é a tópica, aplicada diretamente no couro cabeludo. O objetivo é combater a queda e favorecer o crescimento dos fios, especialmente nos casos de alopecia androgenética, o nome médico da calvície de padrão hereditário.

Apesar de sua utilidade, essa forma de aplicação apresenta inconvenientes. O produto pode provocar vermelhidão ou irritação, e algumas pessoas têm dificuldade para incorporar uma solução ou espuma à rotina diária. Quem convive com animais também precisa tomar cuidado, pois o minoxidil é tóxico para cães e gatos.

Nos últimos anos, dermatologistas passaram a prescrever doses baixas de minoxidil oral para tratar a queda capilar. Nos Estados Unidos, porém, os comprimidos são aprovados para hipertensão. Seu uso contra a calvície ocorre fora da indicação autorizada, prática conhecida como off-label.

A proposta da Veradermics é desenvolver uma formulação específica para essa finalidade.

O que diferencia o VDPHL01

Segundo a empresa, a liberação prolongada permite fornecer minoxidil de maneira mais constante ao organismo. A intenção é manter uma exposição suficiente para estimular o crescimento dos fios, limitando os níveis que poderiam favorecer efeitos cardiovasculares.

Essa característica distingue o candidato dos comprimidos convencionais de minoxidil utilizados atualmente. Embora compartilhem o princípio ativo, a formulação e o modo de liberação fazem parte do desenvolvimento do novo produto.

Em abril, a Veradermics já havia divulgado resultados positivos de um estudo combinado de fase 2/3. O levantamento anunciado agora corresponde a um ensaio de fase 3, uma etapa avançada da avaliação clínica.

Cada estudo envolveu aproximadamente 500 homens com queda capilar de intensidade leve ou moderada. Os participantes receberam placebo ou um dos dois esquemas do medicamento: uma ou duas administrações diárias.

Mais participantes relataram melhora na cobertura capilar

Os resultados divulgados pela Veradermics indicam uma diferença expressiva entre os grupos após seis meses de tratamento.

Entre os participantes que tomaram o medicamento uma vez ao dia, aproximadamente 55% relataram melhora ou grande melhora na cobertura capilar, segundo a escala utilizada na pesquisa. No grupo placebo, essa proporção ficou em cerca de 15%.

Entre os homens que receberam duas administrações diárias, o percentual chegou a 68%.

Os dois grupos tratados também apresentaram aumento substancial na contagem de fios não velos em comparação com o placebo. Essa medida distingue os fios mais desenvolvidos da penugem fina e pouco perceptível que recobre grande parte do corpo.

Os resultados sugerem benefício tanto na percepção dos participantes sobre a cobertura quanto na contagem de fios. Ainda assim, os percentuais não significam recuperação completa do cabelo ou resposta igual para todos.

Crescimento de pelos pelo corpo apareceu entre os efeitos adversos

Segundo os dados apresentados, o medicamento foi geralmente bem tolerado. A empresa não relatou eventos adversos graves nem eventos cardíacos atribuídos ao tratamento durante o estudo.

Até 9% dos participantes que receberam VDPHL01 apresentaram hipertricose, o crescimento excessivo de pelos em outras partes do corpo.

Menos de 1% dos integrantes de cada grupo tratado abandonou o medicamento por esse ou por qualquer outro efeito adverso.

O perfil observado reforça as perspectivas do produto, mas precisa ser interpretado dentro das condições da pesquisa. A avaliação regulatória considera o conjunto dos dados de eficácia e segurança, e o sucesso de um estudo não equivale a uma autorização de comercialização.

Uma possível estreia após quase três décadas

Caso receba o aval da FDA, o VDPHL01 poderá se tornar o primeiro novo medicamento aprovado para a calvície masculina nos Estados Unidos em quase 30 anos.

Também seria o primeiro tratamento oral não hormonal autorizado para essa indicação. A distinção importa porque o desenvolvimento busca uma alternativa oral específica para queda de cabelo, apoiada em estudos clínicos da própria formulação.

Dois grandes ensaios positivos e o histórico de utilização do minoxidil fortalecem o caminho da Veradermics. Mesmo assim, a aprovação permanece uma possibilidade sujeita à decisão da agência.

Estudos com mulheres e preço ainda em aberto

A farmacêutica também conduz um estudo de fase 3 para avaliar o VDPHL01 em mulheres com alopecia androgenética. Os resultados são esperados para o primeiro semestre de 2027.

O preço comercial ainda não foi definido. Segundo a Reuters, a empresa citou o suplemento Nutrafol como referência de mercado. O produto custa aproximadamente US$ 90 mensais, mas a comparação não representa um valor confirmado para o medicamento.

Outras empresas e equipes também desenvolvem tratamentos contra a queda capilar, incluindo candidatos como clascoterona tópica e PP405. Seus avanços alimentam a expectativa de novas opções, enquanto os estudos e as avaliações regulatórias determinarão quais delas poderão chegar aos pacientes.

 

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