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“It: Bem-vindos a Derry” quer transformar Pennywise em algo ainda mais perturbador — e as próximas temporadas prometem mexer com medo, fé e até amor

Os criadores da série derivada de “It: A Coisa” começaram a revelar os temas que pretendem explorar nos próximos anos da produção. Depois de usar o medo como arma central da primeira temporada, Andy e Barbara Muschietti dizem que o universo de Pennywise agora pretende mergulhar em algo ainda mais sombrio: a manipulação emocional em larga escala.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Desde que estreou, It: Welcome to Derry deixou claro que não queria ser apenas mais uma história sobre um palhaço assassino. A série expandiu o universo criado por Stephen King transformando Pennywise em uma metáfora muito mais ampla sobre paranoia, manipulação e violência coletiva.

Agora, mesmo sem confirmação oficial da HBO sobre novas temporadas, os criadores Andy e Barbara Muschietti já começaram a antecipar para onde a trama deve caminhar no futuro. E tudo indica que o terror psicológico da série ficará ainda mais ambicioso.

Segundo os irmãos Muschietti, as próximas temporadas devem abandonar parcialmente o foco exclusivo na “arma do medo” para explorar também algo mais complexo — e talvez mais perigoso: a instrumentalização da fé e do amor.

Pennywise sempre foi mais do que um monstro

Nos filmes e livros de “It”, Pennywise nunca funcionou apenas como uma criatura sobrenatural. O personagem sempre representou medos coletivos, traumas sociais e tensões escondidas dentro da cidade de Derry.

Na primeira temporada de “Bem-vindos a Derry”, essa ideia ficou ainda mais explícita.

Ambientada durante a Guerra Fria, a série apresentou um clima constante de paranoia política e social. O medo não aparecia apenas como reação ao palhaço, mas como ferramenta de controle.

O próprio Major Hanlon, interpretado por Jovan Adepo, é recrutado justamente porque perde parte da capacidade de sentir medo após um acidente. Isso desperta o interesse do General Shaw, vivido por James Remar, que deseja transformar Pennywise em uma arma psicológica para manipular a população americana.

A primeira temporada refletia o mundo atual

Em entrevista ao IndieWire, Andy Muschietti afirmou que a série dialoga diretamente com o cenário político e social contemporâneo.

Segundo ele, vivemos em uma época marcada pela disseminação deliberada do medo como forma de dividir pessoas e gerar obediência.

Para o diretor, o terror psicológico de Derry funciona justamente porque reproduz mecanismos reais de manipulação coletiva.

Ele afirma que grande parte do discurso baseado em medo é construída intencionalmente para criar desconfiança, conflito e controle social.

Barbara Muschietti reforçou essa ideia dizendo que o mundo atual enfrenta diariamente uma “weaponização do medo” — ou seja, o uso sistemático do medo como ferramenta política, cultural e emocional.

As próximas temporadas querem explorar fé e amor como armas

Segundo os criadores, o tema central da primeira temporada foi “a weaponização do medo”. Mas isso deve evoluir nas próximas fases da série.

Andy Muschietti revelou que os novos episódios pretendem explorar também “a weaponização da fé” e “a weaponização do amor”.

Os detalhes ainda estão sendo mantidos em segredo, mas a ideia sugere uma mudança importante na forma como Pennywise irá manipular as pessoas.

Nos livros de Stephen King, Derry sempre funcionou como uma cidade contaminada por violência, fanatismo e corrupção emocional. A diferença é que agora a série parece querer ampliar isso para algo mais simbólico e contemporâneo.

A proposta indica que Pennywise talvez deixe de agir apenas explorando traumas individuais e passe a interferir diretamente em estruturas emocionais coletivas — como religião, vínculos afetivos e confiança social.

Os próximos anos podem levar a série para os anos 1930

Os Muschietti também já deram pistas sobre a ambientação futura da série.

A ideia continua sendo avançar para trás na linha do tempo, acompanhando os ciclos de hibernação de 27 anos de Pennywise. Isso significa que novas temporadas podem mergulhar em períodos históricos anteriores da cidade de Derry.

Andy Muschietti já mencionou interesse em explorar a década de 1930, incluindo histórias envolvendo gangsters e violência urbana da época.

Essa mudança temporal pode permitir que a série conecte diferentes momentos históricos aos temas de manipulação emocional e medo coletivo.

O horror de Derry talvez esteja ficando mais político

Uma das características mais curiosas de “Bem-vindos a Derry” é justamente a tentativa de usar horror sobrenatural para discutir questões sociais reais.

Enquanto os filmes focavam principalmente no trauma infantil e no terror psicológico pessoal, a série parece interessada em algo mais amplo: mostrar como sociedades inteiras podem ser dominadas por medo, fanatismo e manipulação emocional.

Com Pennywise funcionando como catalisador desse processo, Derry deixa de ser apenas uma cidade amaldiçoada e passa a representar um ambiente onde as emoções humanas são transformadas em instrumentos de controle.

E, pelo que os criadores sugerem, isso pode ficar ainda mais desconfortável nas próximas temporadas.

 

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