A Coreia do Norte voltou a elevar a tensão na península coreana após anunciar um novo teste de armamento supervisionado diretamente por Kim Jong-un. Segundo a imprensa estatal, o líder acompanhou o disparo de um lançador múltiplo de mísseis de grande calibre, em mais um episódio que evidencia o avanço do programa militar do país e a crescente preocupação de vizinhos e aliados ocidentais.
Kim acompanha teste ao lado da filha
De acordo com a emissora estatal KRT, Kim Jong-un supervisionou com sucesso, na terça-feira (27), o teste de um sistema de lançamento múltiplo de mísseis de grande calibre. Imagens divulgadas pela agência oficial KCNA mostram o líder norte-coreano observando a operação acompanhado de sua filha, Kim Ju Ae — presença que tem sido interpretada por analistas como parte de uma estratégia de projeção de continuidade política e liderança futura.
A mídia estatal afirmou que o exercício demonstrou “melhorias significativas” na capacidade de ataque do sistema, além de avanços em mobilidade e precisão. Kim teria elogiado o desempenho da arma e destacado seu papel no fortalecimento da postura defensiva do país.
Regime promete ampliar dissuasão nuclear

Durante o evento, Kim Jong-un também afirmou que o próximo congresso do Partido dos Trabalhadores da Coreia — a principal instância política do regime — deverá apresentar os planos para a próxima etapa de fortalecimento da dissuasão nuclear norte-coreana.
A declaração reforça a linha adotada por Pyongyang nos últimos anos, que prioriza o desenvolvimento de capacidades militares avançadas como forma de garantir a sobrevivência do regime e aumentar seu poder de barganha em futuras negociações internacionais.
Para especialistas, o uso recorrente do termo “dissuasão” indica que o governo busca legitimar seus testes como medidas defensivas, apesar de a comunidade internacional enxergá-los como provocativos e desestabilizadores.
Coreia do Sul e Japão condenam lançamentos
A resposta regional foi imediata. Na terça-feira, Coreia do Sul e Japão condenaram o que classificaram como um possível lançamento de mísseis balísticos de curto alcance em direção ao mar, na costa leste da Coreia do Norte.
Autoridades em Seul e Tóquio afirmaram que o episódio representa uma ameaça direta à segurança da região e viola resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Ambos os países mantêm estreita cooperação militar com os Estados Unidos e monitoram de perto os movimentos das forças norte-coreanas.
O governo sul-coreano também reiterou seu compromisso com a vigilância conjunta e com exercícios de defesa, enquanto o Japão reforçou sistemas de alerta e acompanhamento de projéteis.
Desafio contínuo às sanções da ONU

A Coreia do Norte está formalmente proibida pela ONU de desenvolver mísseis balísticos, mas tem desafiado essas restrições de forma sistemática. Nos últimos anos, o país intensificou a frequência e a sofisticação de seus testes, incluindo lançamentos de mísseis intercontinentais e armas de curto e médio alcance.
Apesar das sanções econômicas e do isolamento diplomático, Pyongyang segue investindo pesadamente em seu programa militar. Analistas apontam que cada novo teste serve tanto para aperfeiçoar a tecnologia quanto para enviar recados políticos a Washington e aos aliados asiáticos.
Com o diálogo internacional praticamente paralisado, o novo ensaio militar indica que a Coreia do Norte pretende manter a pressão, enquanto a região enfrenta mais um capítulo de instabilidade em um dos pontos mais sensíveis do cenário geopolítico global.
[ Fonte: CNN Brasil ]