O LinkedIn anunciou uma nova ferramenta para combater a crescente quantidade de conteúdo gerado por inteligência artificial em sua plataforma. A novidade permite que os usuários sinalizem publicações e comentários que considerem ser “AI slop”, termo usado para descrever textos produzidos por IA considerados repetitivos, genéricos ou de baixa qualidade.
Segundo Hari Srinivasan, diretor de produtos do LinkedIn, a iniciativa ajudará a empresa a aprimorar seus sistemas de recomendação e tornar o feed mais relevante para os usuários.
Novo botão permite denunciar conteúdo suspeito
A nova opção ficará disponível no menu de três pontos presente em cada publicação.
Ao selecionar “Seems like AI slop” (“Parece conteúdo gerado por IA”), o usuário poderá informar ao LinkedIn que acredita que aquele conteúdo foi produzido artificialmente e apresenta baixa qualidade.
Quando uma publicação for sinalizada, seu autor também receberá uma notificação privada na área de análises da plataforma.
Segundo Srinivasan, o conceito de “AI slop” muda constantemente, por isso o feedback dos próprios usuários será importante para treinar os modelos responsáveis pela moderação do conteúdo.
LinkedIn diz já ter bloqueado bilhões de conteúdos
De acordo com o executivo, a empresa já bloqueou bilhões de publicações e comentários gerados por inteligência artificial apenas nos últimos meses.
A medida surge em um momento em que praticamente todas as grandes redes sociais enfrentam um aumento significativo de conteúdos produzidos automaticamente por ferramentas de IA.
O objetivo do LinkedIn é impedir que esse tipo de publicação domine o feed e reduza a qualidade das interações profissionais na plataforma.
Substack criticou o LinkedIn
O anúncio acontece poucos dias após Chris Best, CEO do Substack, afirmar que sua plataforma também está reforçando o combate ao conteúdo gerado por IA.
Segundo Best, o Substack passou a integrar a ferramenta de detecção Pangram ao aplicativo justamente para evitar que sua comunidade siga o mesmo caminho do LinkedIn.
Em publicações na rede X, o executivo afirmou que plataformas que recompensam conteúdos artificiais acabam incentivando uma “corrida para o fundo do poço” em termos de qualidade.
Dados divulgados pela Pangram indicam que o LinkedIn concentra a maior quantidade de textos longos produzidos por inteligência artificial entre as principais plataformas de conteúdo.
Segundo a empresa, embora as publicações do LinkedIn representem cerca de um terço dos textos analisados, elas responderam por aproximadamente 62% de todo o conteúdo gerado por IA identificado pela ferramenta.
Detectar IA continua sendo um desafio
Apesar do crescimento das ferramentas de detecção automática, especialistas alertam que identificar textos produzidos por inteligência artificial ainda está longe de ser uma tarefa simples.
Os detectores podem gerar falsos positivos e frequentemente classificam como conteúdo artificial textos escritos por pessoas que utilizam linguagem formal ou que não têm o inglês como idioma nativo.
Estudos anteriores também mostram que os próprios seres humanos apresentam dificuldade para diferenciar textos produzidos por IA daqueles escritos por pessoas, com índices de acerto próximos ao acaso em diversos testes.
LinkedIn também mudará suas ferramentas de IA
Além do novo botão de denúncia, o LinkedIn informou que está implementando classificadores mais avançados para identificar automaticamente conteúdos de baixa qualidade e publicações geradas por inteligência artificial.
Outra mudança anunciada é o encerramento da função “Enhance your post”, que utilizava IA para reescrever publicações.
Ela será substituída por uma ferramenta focada apenas em revisar o texto, corrigindo erros e melhorando a escrita sem alterar o estilo do autor.
Segundo Hari Srinivasan, a intenção é preservar a voz de cada usuário e incentivar conteúdos mais autênticos na plataforma, reduzindo gradualmente a presença de publicações artificiais no feed.