Nem sempre é preciso um telescópio para testemunhar um espetáculo astronômico impressionante. Nesta semana, brasileiros de todas as regiões do país poderão observar uma configuração especial envolvendo a Lua e três planetas brilhantes no céu do entardecer. O fenômeno já chamou atenção na noite anterior, mas volta a acontecer e promete oferecer uma nova oportunidade para quem deseja contemplar um dos encontros celestes mais bonitos dos últimos meses.
O que poderá ser visto no céu nesta noite

Logo após o pôr do sol, observadores terão a chance de encontrar quatro astros formando uma espécie de fila luminosa próxima ao horizonte oeste.
A configuração reúne Mercúrio, Júpiter, Vênus e a Lua crescente, todos visíveis sem a necessidade de equipamentos especiais.
O destaque fica por conta da proximidade aparente entre Vênus e a Lua, que cria um cenário especialmente chamativo para quem observar o céu logo no início da noite.
Embora alinhamentos planetários aconteçam com relativa frequência, a presença da Lua tão próxima do conjunto torna o fenômeno mais interessante e menos comum.
Para muitos observadores, a impressão será a de que todos os astros estão posicionados em uma mesma linha, formando um corredor luminoso acima do horizonte.
Na prática, porém, eles estão separados por enormes distâncias no espaço.
O efeito ocorre apenas por causa da perspectiva de quem observa a partir da Terra.
Por que os planetas parecem estar alinhados?
Segundo astrônomos, o fenômeno está relacionado à maneira como os planetas orbitam o Sol.
Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno percorrem trajetórias muito semelhantes ao plano orbital da Terra. A Lua também segue um caminho próximo dessa mesma região do espaço.
Por causa disso, quando observados do nosso planeta, esses corpos celestes parecem se mover ao longo de uma faixa específica do céu chamada eclíptica.
É justamente nessa região que estão localizadas as constelações do zodíaco.
Como todos os astros transitam por esse mesmo corredor celeste, ocasionalmente acabam parecendo agrupados ou alinhados.
No entanto, cada um se desloca em velocidades diferentes.
Enquanto alguns completam suas órbitas rapidamente, outros levam anos para dar uma volta completa ao redor do Sol.
Essas diferenças fazem com que os alinhamentos surjam e desapareçam ao longo do tempo, tornando alguns encontros mais raros do que outros.
É justamente essa combinação de movimentos que permitiu a configuração observada nesta semana.
Como observar o fenômeno da melhor forma
A principal recomendação dos especialistas é procurar um local com visão livre para o horizonte oeste.
Esse detalhe é importante porque Mercúrio e Júpiter aparecem muito próximos da linha do horizonte e desaparecem rapidamente conforme o céu escurece.
Prédios altos, árvores, morros e outras barreiras podem dificultar ou até impedir a observação dos dois planetas.
Vênus será o astro mais fácil de localizar. Extremamente brilhante, ele costuma se destacar mesmo quando ainda existe luminosidade no céu.
A partir dele, será possível encontrar os demais objetos.
A ordem observada, começando do horizonte e seguindo para cima, será Mercúrio, Júpiter, Vênus e, mais acima, a Lua crescente.
Binóculos podem ajudar a visualizar melhor os astros, mas não são necessários para apreciar o espetáculo.
Quem gosta de fotografia também poderá aproveitar a oportunidade para registrar imagens do encontro celeste.
Até quando o alinhamento poderá ser visto?
Embora a configuração mais bonita aconteça nestes dias, os planetas continuarão visíveis durante o restante de junho e o início de julho.
Mercúrio e Júpiter, porém, estarão cada vez mais baixos no horizonte, tornando a observação gradualmente mais difícil.
Vênus seguirá como o protagonista do céu do entardecer por muito mais tempo.
De acordo com os astrônomos, ele continuará visível após o pôr do sol até aproximadamente novembro, permanecendo como um dos objetos mais brilhantes do firmamento.
Especialistas destacam que o fenômeno não provoca qualquer efeito físico sobre a Terra.
Seu valor está principalmente na oportunidade de observar a dinâmica do Sistema Solar e despertar o interesse pela astronomia.
Para quem perder o espetáculo ao vivo, haverá ainda uma alternativa. No próximo fim de semana, o Observatório Nacional apresentará imagens do fenômeno em uma transmissão especial pela internet, reunindo registros feitos por pesquisadores e observadores amadores.
Enquanto isso, basta olhar para o horizonte no início da noite e aproveitar um encontro celeste que dificilmente passa despercebido.
[Fonte: Correio Braziliense]