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Maior ataque contra Moscou desde o início da guerra deixa moradores assustados e gera relatos de uma estranha chuva escura

Explosões, incêndios e uma substância incomum caindo do céu transformaram a rotina de moradores de Moscou. O episódio reacendeu dúvidas sobre a segurança da capital russa.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A guerra entre Rússia e Ucrânia voltou a produzir cenas que pareciam impensáveis há poucos anos. Desta vez, os efeitos do conflito foram sentidos diretamente em Moscou, onde moradores relataram explosões, fumaça intensa e até uma espécie de chuva escura após um grande ataque com drones. O episódio não apenas provocou danos à infraestrutura da cidade, mas também ampliou a sensação de que a guerra está cada vez mais próxima da população civil russa.

Ataque sem precedentes atinge a região de Moscou

Maior ataque contra Moscou desde o início da guerra deixa moradores assustados e gera relatos de uma estranha chuva escura
© YouTube

A capital russa viveu um dos momentos mais tensos desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia.

Segundo autoridades russas, centenas de drones foram lançados em direção a Moscou e outras regiões do país em uma ofensiva considerada a maior já registrada contra a capital. Sistemas de defesa aérea entraram em ação ao longo do dia, enquanto explosões eram ouvidas em diferentes áreas da cidade e de seus arredores.

Um dos principais alvos foi a refinaria de Kapotnya, localizada no sudeste de Moscou. A instalação já havia sido atingida anteriormente, mas desta vez os danos foram significativamente maiores.

Vídeos divulgados nas redes sociais mostraram enormes colunas de fumaça escura subindo sobre a cidade. Em algumas imagens, uma explosão de grandes proporções lança partes da estrutura de um tanque de armazenamento dezenas de metros para o alto.

As autoridades informaram que pelo menos 17 pessoas ficaram feridas na região metropolitana. Além disso, aeroportos da capital suspenderam temporariamente as operações, provocando o cancelamento e atraso de centenas de voos.

Enquanto equipes de emergência trabalhavam para controlar os incêndios, relatos incomuns começaram a surgir entre os moradores das áreas próximas à refinaria.

Moradores relatam manchas pretas após incêndio em refinaria

Pouco depois dos ataques, residentes do sudeste de Moscou começaram a compartilhar relatos sobre uma fina garoa acompanhada por pequenos pontos escuros.

Algumas pessoas afirmaram que roupas, veículos e superfícies externas ficaram cobertos por partículas negras após a passagem da fumaça.

Uma moradora descreveu o fenômeno como uma espécie de chuva leve que deixava marcas escuras nos tecidos. Segundo relatos publicados pela imprensa internacional, moradores demonstraram preocupação com a possível presença de resíduos derivados de petróleo na atmosfera.

As autoridades municipais rejeitaram a descrição de uma “chuva de petróleo”, mas emitiram recomendações para que os moradores mantivessem as janelas fechadas.

Também foi sugerido que crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios evitassem permanecer nas áreas mais afetadas pela fumaça.

Imagens registradas após os ataques mostraram estacionamentos e ruas cobertos por uma película escura. Embora as causas exatas ainda estejam sendo analisadas, especialistas apontam que incêndios em instalações petrolíferas podem liberar partículas que posteriormente retornam ao solo misturadas à umidade do ar.

O episódio aumentou a apreensão de moradores que, até pouco tempo atrás, observavam o conflito apenas à distância.

A estratégia da Ucrânia de levar a guerra para dentro da Rússia

Os ataques de longo alcance contra território russo tornaram-se cada vez mais frequentes nos últimos anos.

Desde 2023, a Ucrânia vem ampliando significativamente sua capacidade de atingir alvos localizados a centenas de quilômetros da fronteira. O objetivo declarado é pressionar a infraestrutura estratégica russa e demonstrar que a guerra também pode produzir consequências dentro do próprio território do país invasor.

Autoridades ucranianas associaram a ofensiva aos recentes bombardeios russos contra cidades da Ucrânia.

O presidente Volodymyr Zelensky afirmou que o ataque foi uma resposta a ações russas ocorridas nos dias anteriores. Já o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andriy Sybiha, declarou que os moradores de Moscou agora experimentam parte da realidade vivida pelos ucranianos desde o início da guerra.

Do lado russo, autoridades prometeram ampliar os ataques em resposta à ofensiva.

O que o episódio revela sobre a guerra

Quase cinco anos após o início da invasão em larga escala, o conflito continua evoluindo.

Os primeiros ataques ucranianos contra Moscou, registrados em 2023, eram relativamente raros e envolviam poucos drones. Hoje, operações muito maiores conseguem desafiar as extensas redes de defesa aérea instaladas ao redor da capital.

Especialistas destacam que nenhum sistema defensivo é capaz de garantir proteção absoluta diante de ofensivas massivas envolvendo centenas de drones simultaneamente.

Mesmo quando a maioria dos aparelhos é interceptada, alguns conseguem atingir seus alvos ou gerar riscos adicionais por meio da queda de destroços.

O episódio desta semana deverá aumentar o debate sobre a capacidade de defesa de infraestruturas estratégicas localizadas em Moscou.

Mais do que os danos materiais, as imagens de fumaça cobrindo partes da cidade e os relatos de moradores assustados mostram uma mudança importante na dinâmica do conflito. A guerra, que durante anos pareceu distante para muitos russos, está se tornando cada vez mais visível dentro da própria capital do país.

[Fonte: BBC]

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