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Ciência

Mais de 1.100 novas espécies marinhas foram descobertas em apenas um ano — e cientistas acreditam que isso é apenas uma pequena fração do que ainda existe nos oceanos

Uma das maiores expedições científicas já realizadas nos oceanos acaba de revelar 1.121 espécies marinhas desconhecidas pela ciência. O resultado reforça o quanto ainda sabemos pouco sobre a vida nas profundezas e mostra que milhares de organismos podem desaparecer antes mesmo de serem identificados pelos pesquisadores.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Os oceanos cobrem cerca de 70% da superfície da Terra, mas continuam sendo uma das regiões menos exploradas do planeta. Enquanto missões espaciais buscam novos mundos, cientistas seguem descobrindo formas de vida inéditas nas profundezas marinhas. Foi exatamente isso que aconteceu com o programa internacional Ocean Census, que anunciou a identificação de 1.121 novas espécies entre abril de 2025 e março de 2026, um avanço de 54% em relação ao período anterior e um importante passo para compreender a biodiversidade dos mares.

O que é o Ocean Census

Criado em 2023 pela The Nippon Foundation e pela organização científica Nekton, o Ocean Census é um programa internacional com duração prevista de dez anos. Seu principal objetivo é acelerar a descoberta e a catalogação da vida marinha ainda desconhecida, contribuindo para pesquisas científicas, conservação ambiental e desenvolvimento de novas tecnologias.

Segundo o programa, mais de 2.000 espécies inéditas já foram documentadas desde sua criação, sendo que 1.121 delas foram identificadas apenas no último ano.

Para tornar esse processo mais rápido, o Ocean Census desenvolveu a plataforma aberta NOVA. Tradicionalmente, a descrição formal de uma nova espécie podia levar, em média, 13,5 anos. Com o novo sistema, esse intervalo pode ser reduzido para apenas algumas semanas ou até dias.

Hoje, a iniciativa reúne cerca de 1.500 cientistas e conta com a colaboração de 650 instituições de pesquisa distribuídas por 85 países.

Expedições exploraram regiões pouco conhecidas

As descobertas foram resultado de 13 expedições científicas realizadas em diferentes áreas dos oceanos que permanecem pouco exploradas.

Ao todo, mais de 1.400 taxonomistas participaram dos trabalhos de campo e da análise das amostras coletadas, investigando ambientes que vão desde recifes rasos até fossas oceânicas com milhares de metros de profundidade.

A expedição mais profunda alcançou impressionantes 6.575 metros abaixo da superfície.

Tubarão-fantasma e outras espécies inéditas

Entre os organismos mais curiosos encontrados está uma nova espécie de tubarão-fantasma (quimera), descoberta no Mar de Coral, próximo à Austrália, entre 802 e 838 metros de profundidade.

As quimeras pertencem a um antigo grupo de peixes cartilaginosos que se separou evolutivamente dos tubarões há mais de 400 milhões de anos. A espécie foi descrita pelo pesquisador William White, do instituto australiano CSIRO.

Outra descoberta ocorreu no monte submarino Shichiyo, no Japão, onde cientistas localizaram o verme simbionte Dalhousiella yabukii a 791 metros de profundidade durante uma expedição realizada em parceria com a Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia Marinha (JAMSTEC).

Nem todas as novidades vieram das grandes profundezas. Em Timor-Leste, pesquisadores identificaram uma nova espécie de verme-fita da família Drepanophoridae vivendo entre um e cinco metros de profundidade.

Já no litoral de Marselha, na França, foi encontrada uma nova espécie de camarão pertencente ao gênero Caridion, em águas entre 15 e 35 metros de profundidade.

A corrida contra o tempo para conhecer a vida marinha

Segundo estimativas dos pesquisadores, cerca de 90% das espécies que habitam os oceanos ainda não foram oficialmente descobertas nem descritas pela ciência.

Esse desconhecimento preocupa porque muitas delas podem desaparecer devido às mudanças climáticas, à poluição, à pesca excessiva e à degradação dos ecossistemas antes mesmo de serem registradas.

“Estamos em uma corrida contra o tempo para compreender e proteger a vida marinha“, afirmou Michelle Taylor, diretora científica do Ocean Census.

Uma missão que pode transformar o conhecimento sobre os oceanos

A meta de longo prazo do programa é extremamente ambiciosa: catalogar 100 mil novas espécies marinhas.

Hoje, a ciência conhece pouco mais de 240 mil espécies oceânicas, um número que representa apenas uma pequena parcela da biodiversidade estimada para os mares.

O Ocean Census integra oficialmente a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas e busca acelerar um trabalho que, no ritmo tradicional da taxonomia, levaria séculos para ser concluído.

Cada nova espécie identificada amplia o conhecimento sobre a evolução da vida, fortalece estratégias de conservação e pode até abrir caminho para futuras descobertas em áreas como medicina, biotecnologia e desenvolvimento de novos materiais. Ao mesmo tempo, o levantamento reforça uma realidade impressionante: grande parte da vida existente nos oceanos continua invisível para a ciência, escondida nas profundezas de um planeta que ainda está longe de ser totalmente conhecido.

 

[ Fonte: Ok Diario ]

 

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