O dólar praticamente não se moveu, mas o Ibovespa avançou com força e voltou a superar os 160 mil pontos. Por trás do movimento estiveram dados da economia, expectativas sobre juros e, sobretudo, sinais políticos que agradaram aos investidores e ajudaram a sustentar o apetite por risco.
Dólar mostra estabilidade em linha com o exterior
O dólar comercial fechou a sexta-feira cotado a R$ 5,41, com leve alta de 0,11%. Na prática, a variação indica estabilidade da moeda americana frente ao real. O comportamento do câmbio no Brasil acompanhou, em grande parte, o cenário internacional.
O índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes — como euro, iene e libra esterlina — também registrou leve avanço. No fim da tarde, o indicador subia cerca de 0,07%, refletindo um movimento global discreto de valorização da moeda americana.
Ibovespa descola de Wall Street e sobe quase 1%
Na contramão dos principais índices dos Estados Unidos, o Ibovespa teve um desempenho positivo. O principal índice da B3 avançou 0,99% e encerrou o pregão aos 160.766 pontos, renovando máximas recentes.
Enquanto isso, em Nova York, o clima era negativo. O S&P 500 recuava mais de 1%, o Nasdaq caía perto de 1,6% e o Dow Jones também operava em baixa. A divergência mostra que fatores internos tiveram peso maior na formação de preços no mercado brasileiro.

Dados econômicos reforçam apostas sobre juros
Entre os destaques locais esteve a divulgação da Pesquisa Mensal de Serviços, que indicou retração do setor. Para analistas, o dado sugere uma desaceleração mais clara da atividade econômica, o que pode influenciar as próximas decisões do Banco Central.
Parte do mercado passou a reforçar apostas em um possível corte da taxa Selic já no início de 2026, embora essa visão não seja consensual. O comunicado recente do Comitê de Política Monetária (Copom), com tom mais duro em relação à inflação, ainda mantém cautela entre economistas.
Cenário político anima investidores
O ambiente político também contribuiu para o bom humor da Bolsa. Pesquisas eleitorais divulgadas ao longo do dia indicaram avanço de nomes ligados à centro-direita, cenário visto com bons olhos pelo mercado financeiro.
Levantamentos mostraram desempenho favorável de possíveis candidaturas estaduais e nacionais, além de especulações sobre novas alianças políticas para 2026. Esses sinais ajudaram a reduzir incertezas e sustentaram a valorização dos ativos domésticos.
Bancos se destacam após decisão internacional
Outro fator relevante foi a retirada do ministro do STF Alexandre de Moraes da lista de sanções da Lei Magnitsky, dos Estados Unidos. A decisão contribuiu para reduzir ruídos institucionais e favoreceu especialmente as ações do setor bancário, que lideraram os ganhos do dia.
Com o ambiente mais claro, papéis financeiros tiveram forte valorização e deram suporte importante para a alta do Ibovespa acima dos 160 mil pontos.
Juros nos EUA seguem no radar
No exterior, investidores continuaram atentos às falas de dirigentes do Federal Reserve. Autoridades do banco central americano sinalizaram preferência por manter uma política monetária restritiva por mais tempo, reforçando a cautela em relação a novos cortes de juros.
O cenário misto entre estabilidade cambial, Bolsa em alta e atenção aos juros mostra que o mercado segue sensível a sinais econômicos e políticos, tanto no Brasil quanto no exterior.
Fonte: Metrópoles