Pular para o conteúdo
Mundo

Meta e YouTube são consideradas negligentes por vício em redes sociais entre menores em decisão histórica nos EUA

Um júri nos Estados Unidos determinou que Meta e YouTube contribuíram para a dependência de crianças e adolescentes por meio de design viciante. A decisão pode abrir caminho para centenas de novos processos e marca um ponto de virada na responsabilização das big techs.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

Pela primeira vez, gigantes da tecnologia foram oficialmente responsabilizados por impactos diretos na saúde mental de menores. Um tribunal na Los Angeles concluiu que plataformas digitais não apenas atraem jovens — mas podem ser projetadas para mantê-los presos. A decisão inaugura uma nova fase no debate global sobre redes sociais, responsabilidade corporativa e proteção infantil.

Um veredicto que pode mudar a indústria

Youtube Supera Disney
© ElEconomista_ – X

O júri considerou que Meta — dona de Facebook, Instagram e WhatsApp — e o YouTube agiram com negligência ao criar sistemas que incentivam o uso compulsivo por menores.

Como resultado, as empresas foram condenadas a pagar cerca de US$ 3 milhões em indenização à autora do processo, Kaley G. M.

Mais importante do que o valor, porém, é o precedente jurídico: a decisão reconhece que o design das plataformas pode causar danos reais.

O caso que deu origem ao julgamento

A ação foi movida por Kaley G. M., hoje com 20 anos, que começou a usar plataformas digitais ainda na infância.

Segundo o processo:

  • Aos 6 anos, já assistia vídeos no YouTube
  • Aos 9, utilizava Instagram
  • Aos 10, entrou no TikTok
  • Aos 11, passou a usar Snapchat

Em determinados períodos, chegou a passar até 16 horas por dia conectada.

A família relatou episódios de ansiedade, depressão, ataques de pânico e distorção da autoimagem.

Um problema de design — não apenas de uso

O ponto central do julgamento foi a ideia de que o vício não ocorre apenas por comportamento individual, mas também pelo design das plataformas.

Os advogados argumentaram que recursos como:

  • Rolagem infinita
  • Recompensas intermitentes
  • Algoritmos de recomendação

foram desenvolvidos para maximizar o tempo de uso, criando um efeito semelhante a dependência.

Outro julgamento reforça a tendência

Quase simultaneamente, outro caso no estado do Novo México chegou a uma conclusão semelhante.

Nesse processo, a Meta foi condenada a pagar US$ 375 milhões, após o júri entender que a empresa priorizou lucro em detrimento da segurança dos usuários menores de idade.

Essas decisões indicam uma tendência crescente de responsabilização das plataformas.

Mark Zuckerberg no centro do debate

Mark Zuckerberg, Meta E Redes Sociais1
© Getty Images / Brendan Smialowki / Contributor – Gizmodo

O caso também marcou um momento simbólico: foi a primeira vez que Mark Zuckerberg depôs em um tribunal.

Durante sua defesa, ele argumentou que menores de 13 anos são proibidos de usar certas plataformas e que muitos mentem sobre a idade.

Mesmo assim, o júri considerou que as empresas ainda têm responsabilidade sobre o impacto de seus produtos.

O início de uma onda de processos

Especialistas acreditam que esses julgamentos são apenas o começo.

Diversos estados americanos, além de famílias e instituições, já iniciaram ou planejam abrir ações semelhantes.

O cenário tem sido comparado ao enfrentado pela indústria do tabaco nos anos 1990, quando empresas foram responsabilizadas por danos à saúde pública.

O que pode acontecer agora

O caso de Los Angeles ainda terá uma segunda fase, que avaliará possíveis crimes adicionais, como fraude ou má-fé.

Se confirmados, isso pode resultar em indenizações muito mais altas e mudanças obrigatórias nas plataformas.

Uma nova era de responsabilidade digital

A decisão representa mais do que uma condenação financeira.

Ela reforça a ideia de que tecnologia não é neutra — e que empresas podem ser responsabilizadas pelos efeitos psicológicos de seus produtos.

No fim das contas, o julgamento abre uma nova pergunta para o futuro da internet: até que ponto as plataformas devem ser responsáveis pelo comportamento que incentivam?

 

[ Fonte: El País ]

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados