A descoberta oferece aos cientistas uma oportunidade rara: estudar uma grande cratera lunar praticamente desde o momento de sua formação. O conhecimento pode ser especialmente importante enquanto Estados Unidos e China planejam ampliar a presença humana na Lua.
Uma cratera de 222 metros surgiu na Lua
The Moon’s got a big new crater! 🕳️
Spotted by NASA’s Lunar Reconnaissance Orbiter, the McGetchin crater formed when a rock as big as a six-story building crashed into the Moon. It’s 141 feet deep and wider than the length of two football fields.🪨💥🌕https://t.co/I2fX7bPts1 pic.twitter.com/Zft4mKUv1Z
— NASA Solar System (@NASASolarSystem) September 16, 2026
Batizada de McGetchin, a cratera foi identificada em imagens produzidas pelo Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), sonda da NASA que observa a superfície lunar desde 2009.
A estrutura tem aproximadamente 222 metros de diâmetro, o equivalente à largura de mais de dois campos de futebol. Isso também significa que ela é maior que o Coliseu de Roma, que mede cerca de 189 metros em seu eixo mais longo.
A profundidade chega a 43 metros, com encostas bastante íngremes ao redor da região atingida.
Segundo as estimativas dos pesquisadores, McGetchin surgiu durante a primavera de 2024, quando um cometa ou asteroide atingiu violentamente a superfície da Lua.
O objeto responsável pelo impacto teria dimensões comparáveis às de um prédio de três a seis andares.
Apesar de parecer pequeno em comparação com outros corpos celestes, um objeto desse tamanho viajando em alta velocidade é capaz de liberar uma enorme quantidade de energia durante uma colisão.
Um impacto desse tamanho é extremamente raro
A Lua está repleta de crateras porque praticamente não possui uma atmosfera capaz de destruir pequenos asteroides e meteoroides antes que eles alcancem sua superfície.
Ainda assim, impactos capazes de produzir uma estrutura como McGetchin são incomuns.
Os pesquisadores estimam que uma colisão dessa magnitude ocorra aproximadamente uma vez a cada 132 anos. A NASA afirma que eventos semelhantes acontecem na Lua em intervalos de cerca de um século ou até mais.
Isso transforma a nova cratera em uma oportunidade particularmente valiosa para os cientistas.
Embora existam milhares de crateras lunares, muitas delas são extremamente antigas. McGetchin, por outro lado, permite observar uma estrutura cuja idade pode ser determinada com precisão e cuja formação ocorreu durante o período de funcionamento de sondas modernas.
Cratera apareceu como uma grande mancha brilhante
Curiosamente, a estrutura permaneceu despercebida durante cerca de dois anos.
Quem finalmente identificou a mudança foi Robert Wagner, pesquisador ligado ao Lunar Reconnaissance Orbiter, enquanto realizava uma nova análise da superfície lunar.
Nas imagens do LRO, a região apareceu como uma grande mancha brilhante cercada por um halo escuro.
A comparação com registros anteriores permitiu aos pesquisadores confirmar que aquela estrutura não estava presente antes de 2024.
Um estudo publicado na revista científica Science Advances concluiu que McGetchin é a maior cratera recém-formada já descoberta no Sistema Solar.
Isso não significa que seja a maior cratera existente. A própria Lua possui estruturas de impacto muito maiores, algumas com centenas de quilômetros de extensão. A diferença é que McGetchin surgiu recentemente e pôde ser identificada por meio da comparação direta de imagens.
Descoberta pode ajudar futuras bases na Lua

Entender com que frequência objetos desse tamanho atingem a superfície lunar vai além da curiosidade científica.
NASA e outras agências espaciais planejam estabelecer uma presença humana mais duradoura na Lua. Isso inclui missões com astronautas, equipamentos científicos e, no futuro, estruturas permanentes na superfície.
Conhecer melhor a frequência e as consequências dos impactos ajuda os pesquisadores a calcular os riscos enfrentados por essas instalações.
A cratera também permite estudar como o solo lunar reage imediatamente após uma colisão de grande energia.
Com McGetchin, os cientistas ganharam uma espécie de laboratório natural recém-formado. E, em um momento em que humanos se preparam para voltar à Lua e permanecer por períodos cada vez maiores, entender como o satélite continua sendo transformado por impactos pode ser mais importante do que nunca.
[ Fonte: DW ]