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Tecnologia

Robôs vão testar uma ideia surpreendente da China para construir uma futura base lunar

Uma nova missão lunar levará tecnologias capazes de transformar o próprio terreno da Lua em infraestrutura, enquanto robôs assumem tarefas que seriam difíceis para astronautas.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Construir uma base na Lua parece, à primeira vista, uma questão de transportar tudo o que será necessário da Terra. Mas essa lógica pode estar prestes a mudar. Em vez de levar toneladas de materiais para outro mundo, pesquisadores estão testando maneiras de aproveitar aquilo que já existe na superfície lunar. E, nessa estratégia, máquinas autônomas terão um papel que pode ser muito maior do que simplesmente explorar o terreno.

O plano começa onde quase ninguém pensaria em procurar

Enviar materiais de construção da Terra para a Lua é extremamente caro e complexo. Cada tijolo, estrutura metálica ou componente adicional aumenta a quantidade de carga que precisa ser transportada durante uma missão.

É por isso que a China aposta em uma alternativa: utilizar o próprio regolito lunar, o material que cobre a superfície da Lua, como matéria-prima.

A tecnologia será testada na missão Chang’e-8, prevista para ser lançada por volta de 2029 com destino à região do polo sul lunar. O objetivo não será simplesmente pousar e começar a construir uma base, mas verificar se recursos encontrados no próprio ambiente podem ser transformados em materiais úteis.

Uma das propostas mais impressionantes utiliza energia solar concentrada para aquecer o regolito a temperaturas superiores a 1.300 °C. A ideia é derreter e moldar as partículas do solo para produzir blocos e outros componentes por meio de fabricação aditiva.

Na prática, isso poderia transformar o próprio chão lunar em uma espécie de fábrica.

Pesquisadores chineses já utilizam diferentes simulantes de regolito para testar o conceito na Terra. Isso é importante porque o solo lunar não possui exatamente a mesma composição em todas as regiões.

Se a tecnologia conseguir funcionar em condições reais, a construção de uma futura instalação lunar poderá depender muito menos de cargas enviadas do nosso planeta.

Uma ideia antiga pode ajudar a construir uma estrutura futurista

A estratégia chinesa não se limita à impressão 3D. Outra linha de pesquisa tenta resolver o problema da montagem utilizando uma técnica inspirada em métodos tradicionais de construção chineses.

Pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong desenvolveram blocos feitos com regolito simulado que utilizam sistemas de encaixe semelhantes às tradicionais conexões de mortise e tenon, conhecidas no Brasil como encaixes de espiga e mortise.

A ideia é simples, mas pode ser especialmente útil no ambiente lunar: produzir componentes que possam ser encaixados uns nos outros sem depender de grandes quantidades de adesivos.

Robôs poderiam transportar essas peças e montar estruturas modulares de maneira automatizada.

Os primeiros protótipos apresentaram resistência à compressão superior à de alguns tijolos convencionais. Algumas amostras também foram enviadas ao espaço para avaliar como esses materiais se comportam diante de condições extremas, como radiação, vácuo e grandes variações de temperatura.

Mas existe outra peça importante nesse quebra-cabeça.

O robô que poderá trabalhar onde astronautas ainda não conseguem

A missão Chang’e-8 também deverá levar um rover multifuncional de aproximadamente 100 quilos, equipado com quatro rodas e um sistema destinado à manipulação de objetos.

Sua função será transportar equipamentos, posicionar instrumentos científicos, coletar amostras e realizar diferentes tarefas sobre o terreno lunar.

Nesse cenário, a autonomia será fundamental. Como existe atraso na comunicação entre a Lua e a Terra, não seria eficiente controlar cada movimento do veículo em tempo real. Por isso, sistemas de navegação autônoma e inteligência artificial deverão permitir que o robô tome determinadas decisões sozinho.

É importante destacar que não está confirmado que esse rover específico será responsável por imprimir e montar as futuras estruturas. Ele faz parte de um esforço tecnológico mais amplo, no qual diferentes máquinas poderão desempenhar funções distintas.

O objetivo final vai muito além de uma única missão.

A China pretende utilizar essas experiências como preparação para a International Lunar Research Station (ILRS), projeto que prevê uma estação científica na região do polo sul lunar. Os planos atuais apontam para uma estrutura inicial por volta de 2035, com alto grau de automação e participação humana limitada nas primeiras etapas.

Por isso, a Chang’e-8 será principalmente um teste de conceito. Se as tecnologias funcionarem, o futuro da construção lunar poderá começar de uma maneira bastante diferente daquela imaginada nos filmes: robôs trabalhando no terreno, transformando o próprio pó da Lua em peças para construir aquilo que permitirá aos humanos permanecerem por lá.

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