Explorar a Lua também pode significar descer para um mundo que permanece fora do alcance das câmeras em órbita. A NASA financia o estudo de um veículo robótico capaz de entrar em tubos de lava subterrâneos, mapear seu interior e investigar possíveis abrigos para astronautas. Chamado Lunar Underground eXplorer, ou LUX, o conceito aposta em uma conexão de fibra óptica para manter o explorador funcionando na escuridão.
A proposta pertence à Stone Aerospace e integra a fase inicial do programa NASA Innovative Advanced Concepts (NIAC). Por enquanto, trata-se de uma investigação de viabilidade tecnológica, sem lançamento aprovado. A agência explica que os projetos dessa etapa ainda não constituem missões oficiais.
Uma entrada para o subsolo lunar

O destino considerado é uma abertura em Mare Tranquillitatis, região conhecida como Mar da Tranquilidade. Segundo a descrição do projeto, a cavidade mede aproximadamente 100 por 88 metros e chega a 133 metros de profundidade.
Dados do Lunar Reconnaissance Orbiter indicam que ela pode dar acesso a um tubo de lava subterrâneo. A extensão completa desse ambiente, porém, permanece desconhecida.
Essas estruturas podem surgir quando lava corre sob uma camada já solidificada. Depois que o fluxo termina, o espaço interno permanece vazio. O desabamento de uma parte do teto pode abrir uma passagem entre a superfície e o túnel.
Uma análise de radar divulgada pela NASA em 2024 identificou evidências de uma caverna que se prolonga por mais de 60 metros a partir da base de uma abertura nessa região. Isso não permite determinar o tamanho de toda a estrutura, que poderá ser maior.
O laser chegaria por uma fibra óptica
A arquitetura do LUX prevê que o veículo desenrole uma fibra óptica enquanto desce e avança. Um módulo de pouso ou rover na superfície enviaria energia pelo mesmo caminho, usando um laser.
A ligação física também permitiria transmitir informações quando paredes rochosas bloqueassem uma conexão direta por rádio. Assim, o explorador poderia continuar operando depois de desaparecer da linha de visão do equipamento de superfície.
Na descrição técnica do LUX, os pesquisadores propõem uma terceira aplicação: aproveitar a energia do laser para melhorar o desempenho da propulsão a gás do veículo.
O conceito utiliza propulsores para sustentar e movimentar o robô. Esse funcionamento difere do voo de um drone terrestre com hélices, que depende da presença de ar. A proposta também prioriza uma propulsão que não contamine o ambiente e comprometa as medições científicas.
Antes de explorar, será preciso testar
A etapa inicial deverá avaliar o conjunto completo: dimensões do veículo, massa, instrumentos, quantidade de propelente e potência necessária. Uma das principais dúvidas envolve quanto o aquecimento pelo laser poderá melhorar o rendimento da propulsão.
Uma eventual fase seguinte incluiria testes de laboratório em escala reduzida, com transmissão por um quilômetro de fibra óptica. Esses ensaios ainda fazem parte do caminho proposto pelos pesquisadores.
O anúncio do financiamento do NIAC prevê até US$ 175 mil por projeto da fase I, para uma investigação inicial de nove meses. O objetivo desse apoio é verificar se ideias com potencial transformador apresentam condições de avançar.
Portanto, o financiamento não equivale à construção de um explorador pronto para viajar. Ele permite estudar os obstáculos e produzir informações que orientem decisões posteriores.
Por que as cavernas interessam tanto?

Além de preservar registros da atividade vulcânica lunar, ambientes subterrâneos podem oferecer proteção natural para futuras instalações humanas.
A NASA considera essas estruturas possíveis abrigos contra condições adversas da superfície. Estudos térmicos também identificaram áreas permanentemente sombreadas em certas aberturas lunares com temperaturas muito mais estáveis do que as regiões expostas ao ciclo de dia e noite.
Ainda será necessário conhecer a geometria, os acessos e os riscos desses locais antes de avaliar qualquer ocupação. Um túnel promissor nas observações orbitais pode apresentar obstáculos que só uma exploração próxima conseguirá revelar.
É nesse intervalo entre detectar uma entrada e compreender o que existe depois dela que o LUX pretende atuar. Se a tecnologia demonstrar viabilidade, poderá ajudar a transformar cavidades pouco conhecidas em ambientes mapeados para investigação científica e planejamento de futuras missões.