A Netflix está enfrentando um processo de pelo menos US$ 105 milhões por causa do desaparecimento de uma cópia de Fortitude, filme inédito estrelado por Nicolas Cage.
A ação foi movida pelo produtor Simon Afram e pela empresa Op-Fortitude. Eles alegam que uma cópia do longa foi roubada dos escritórios da Netflix após uma sessão privada organizada para avaliar uma possível aquisição dos direitos de distribuição.
Segundo o processo, a perda do material comprometeu seriamente o futuro comercial da produção, já que aumentou o risco de vazamento antes de seu lançamento oficial.
Como o filme desapareceu
De acordo com a ação judicial, a Netflix estava interessada em adquirir os direitos de Fortitude e agendou uma exibição para o dia 16 de junho.
Na véspera da sessão, um produtor associado entregou ao estúdio um Digital Cinema Package (DCP), formato utilizado para exibir filmes em salas de cinema.
Normalmente, esse tipo de arquivo é protegido por criptografia. As instruções da Netflix orientavam que, caso o DCP estivesse criptografado, as chaves digitais permanecessem ativas até o fim do dia da exibição.
Segundo o processo, porém, os produtores entregaram uma versão sem criptografia e instruíram a Netflix, verbalmente e por escrito, a apagar os arquivos logo após a sessão.
A retirada foi adiada diversas vezes
Nas semanas seguintes, a equipe de Fortitude tentou diversas vezes agendar a retirada do disco rígido utilizado na exibição.
Segundo os autores da ação, a Netflix adiou repetidamente a devolução.
Somente em 25 de junho os produtores receberam uma resposta definitiva.
Em um e-mail com o assunto “Stolen DCP” (“DCP roubado”), Sean Berney, diretor da divisão de filmes originais da Netflix, informou que vários discos rígidos haviam sido furtados das mesas do escritório.
Segundo o processo, o executivo escreveu que “alguém roubou uma quantidade significativa de drives dos nossos escritórios na semana passada”.
Ele também afirmou que as equipes de segurança investigavam o caso, mas ainda não haviam encontrado os dispositivos desaparecidos, enquanto os especialistas em combate à pirataria permaneciam em estado de alerta.
Produtor diz que o valor do filme foi comprometido
Para os responsáveis por Fortitude, o desaparecimento da cópia prejudicou diretamente a negociação com possíveis compradores.
Segundo a ação, qualquer distribuidor interessado agora precisa considerar a possibilidade de que o filme possa aparecer ilegalmente na internet antes do lançamento.
“O valor do filme dependia, em grande parte, de sua exclusividade como uma obra inédita. Ao perder o controle sobre o material, a Netflix destruiu essa exclusividade e comprometeu significativamente, ou até completamente, sua capacidade de comercialização”, afirma o processo.
Por esse motivo, Simon Afram e a Op-Fortitude acusam a empresa de descumprimento de um contrato implícito relacionado à guarda do material.
Netflix contesta as acusações
A Netflix rejeitou a responsabilidade pelo desaparecimento.
Em comunicado enviado ao Gizmodo, a empresa afirmou que discorda da alegação de que deveria assumir o risco pela perda de um filme entregue sem as proteções de segurança normalmente utilizadas pela indústria.
A companhia também ressaltou que não possui os direitos de Fortitude, mas declarou levar a segurança de conteúdo extremamente a sério.
Segundo a plataforma, foram adotadas medidas adicionais para ajudar os produtores, incluindo uma investigação interna e o monitoramento contínuo de sites de pirataria para identificar qualquer distribuição não autorizada do longa.
Empresa também critica estratégia jurídica
Além de contestar a ação, a Netflix criticou diretamente a postura dos advogados do produtor.
Segundo a empresa, o escritório responsável pelo processo tentou obter uma indenização milionária antes mesmo de colaborar com as investigações.
A plataforma afirmou que recusou compartilhar detalhes sobre a apuração interna justamente por considerar que a equipe jurídica adotou uma postura hostil ao exigir inicialmente US$ 165 milhões em compensação.
O projeto já enfrentou outra batalha judicial
Fortitude é um projeto pessoal de Simon Afram, que também escreveu o roteiro.
O filme é inspirado na Operação Fortitude, estratégia de desinformação utilizada pelos Aliados durante a Segunda Guerra Mundial para enganar a Alemanha nazista antes do Dia D, simulando exércitos e equipamentos militares falsos.
Nicolas Cage interpreta o espião sérvio Dusko Popov, figura histórica que participou das operações de inteligência durante o conflito.
Essa não é a primeira disputa judicial envolvendo o longa. Anteriormente, Afram processou Martin Scorsese, alegando que o diretor recebeu US$ 500 mil para atuar como produtor executivo, mas teria contribuído muito pouco para a produção. O caso foi encerrado por meio de um acordo em 2024.