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Tecnologia

Documento interno da Meta sobre Instagram volta ao centro de julgamento e aumenta pressão sobre a empresa

Relatório de 2017 apresentado em tribunal afirma que recursos como rolagem infinita e notificações eram considerados incompatíveis com o bem-estar dos adolescentes. Meta nega ter ignorado os riscos e destaca medidas de proteção.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Um documento interno da Meta produzido em 2017 voltou a colocar a empresa no centro das discussões sobre os impactos das redes sociais na saúde mental dos adolescentes. O relatório foi apresentado como prova durante um julgamento em Nashville, nos Estados Unidos, e revela que gerentes de produto da companhia demonstravam preocupação com recursos do Instagram, como as notificações e a rolagem infinita de conteúdo.

Segundo o documento, essas funcionalidades seriam “inerentemente incompatíveis com o bem-estar” dos usuários mais jovens. A acusação afirma que, apesar dessas conclusões internas, a Meta manteve esses mecanismos ativos para aumentar o tempo de uso da plataforma e, consequentemente, sua receita.

Documento interno da Meta aponta riscos do Instagram para adolescentes

Meta Quer Transformar Whatsapp, Instagram E Messenger Em Plataformas De Vendas Completas
© NurPhoto/Getty Images

O processo foi movido pelo estado do Tennessee, que acusa a Meta de ignorar deliberadamente estudos produzidos por seus próprios pesquisadores.

De acordo com a acusação, esses levantamentos identificaram que parte dos adolescentes desenvolvia padrões de uso compulsivo do Instagram, associados ao surgimento ou agravamento de transtornos alimentares, sintomas depressivos e episódios de automutilação.

Os advogados do estado sustentam que recursos criados para manter os usuários conectados por mais tempo, como notificações constantes e o fluxo infinito de conteúdo, foram classificados internamente pelos próprios funcionários da empresa como incompatíveis com o bem-estar dos adolescentes.

O relatório também sugeria que esses riscos deveriam ser comunicados ao público. Segundo a acusação, porém, essa recomendação nunca foi colocada em prática.

Acusação relaciona notificações à formação de hábitos compulsivos

Durante a abertura do julgamento, os promotores chegaram a reproduzir o som característico de uma notificação de smartphone diante do júri.

O objetivo foi demonstrar como esse tipo de estímulo pode funcionar como uma recompensa imprevisível, favorecendo a liberação de dopamina e incentivando a repetição do comportamento.

Segundo os argumentos apresentados, esse mecanismo exerce um impacto especialmente significativo no cérebro de adolescentes, cuja capacidade de autocontrole e tomada de decisões ainda está em desenvolvimento.

Para o estado do Tennessee, o design do Instagram teria contribuído para aumentar o tempo de permanência dos jovens na plataforma e estimular padrões de uso considerados prejudiciais.

Meta afirma que investe em segurança e proteção de menores

A defesa da Meta contestou as acusações e afirmou que a empresa reconhece os desafios relacionados ao uso das redes sociais por adolescentes.

Segundo os advogados da companhia, a empresa tem sido transparente sobre a existência de conteúdos potencialmente nocivos e investe continuamente em ferramentas para identificá-los e reduzi-los.

Entre as medidas adotadas estão recursos para limitar o tempo de uso do Instagram, controles voltados aos pais e iniciativas educativas destinadas a famílias e escolas.

A defesa também argumentou que problemas como suicídio, exploração infantil e dependência digital são questões complexas que não podem ser atribuídas exclusivamente às plataformas de tecnologia.

Na avaliação da empresa, a proteção dos adolescentes depende da atuação conjunta das redes sociais, dos pais, das escolas e da sociedade.

Julgamento pode obrigar Meta a modificar o Instagram

Zuckerberg (2)
© Jill Connelly

A ação foi apresentada pelo procurador-geral do Tennessee, Jonathan Skrmetti.

Além de buscar indenizações financeiras, o estado pretende obter uma decisão judicial que obrigue a Meta a modificar recursos do Instagram considerados prejudiciais à saúde mental dos adolescentes.

Caso o júri conclua que a empresa é responsável, o processo seguirá para uma segunda fase.

Nessa etapa, o juiz Russell Perkins decidirá se a Meta deverá pagar sanções adicionais e implementar mudanças estruturais na plataforma.

Entre as possíveis determinações estão restrições a determinadas funcionalidades, reforço dos avisos de segurança e ampliação dos mecanismos de controle parental.

Meta enfrenta uma série de processos nos Estados Unidos

O caso do Tennessee faz parte de uma ofensiva judicial muito mais ampla contra a Meta.

Quase todos os estados norte-americanos moveram ações acusando a empresa de contribuir para problemas de saúde mental entre crianças e adolescentes por meio de plataformas como Facebook e Instagram.

Mais de vinte desses processos foram reunidos em uma ação multidistrital conduzida em San Francisco, enquanto outros estados decidiram manter ações independentes em seus próprios tribunais.

Além das ações governamentais, milhares de processos também foram apresentados por famílias e distritos escolares, que alegam prejuízos psicológicos causados pelo uso das redes sociais.

O julgamento no Tennessee é apenas o segundo processo estadual a ser analisado por um júri.

Em um caso anterior, no Novo México, um júri considerou a Meta responsável e determinou o pagamento de US$ 375 milhões. Paralelamente, um juiz ainda avalia a possibilidade de impor novas sanções e exigir mudanças no funcionamento do Facebook, Instagram e WhatsApp dentro do estado.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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