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Nova Lei em Portugal impõe barreiras inéditas à imigração — e brasileiros estão entre os mais afetados

O presidente português promulgou uma lei que muda drasticamente as regras de entrada e permanência de estrangeiros no país. O pacote, considerado anti-imigração, restringe vistos e o reagrupamento familiar — uma medida que impacta diretamente a comunidade brasileira, hoje a maior entre os imigrantes em Portugal.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Portugal, que nos últimos anos se tornou um destino preferido para quem busca qualidade de vida e oportunidades na Europa, acaba de dar uma guinada em sua política migratória. A nova Lei dos Estrangeiros, promulgada por Marcelo Rebelo de Sousa, limita vistos de trabalho e endurece as regras de reunião familiar — uma decisão que preocupa especialistas e milhares de brasileiros que vivem ou planejam viver no país.

Uma virada política com impacto direto na imigração

Mudança nas regras em Portugal pode virar obstáculo para brasileiros que sonham viver no país
© Pexels

Após ser vetada pelo Tribunal Constitucional e reformulada, a Lei dos Estrangeiros foi aprovada pelo Parlamento português e finalmente promulgada em 16 de outubro. A Presidência afirmou que a nova versão “corrige minimamente” as inconstitucionalidades anteriores, abrindo caminho para que entre em vigor nas próximas semanas.

O texto é visto como parte de uma tendência de endurecimento migratório na Europa, onde países como Itália, Reino Unido e França vêm adotando medidas mais restritivas para o ingresso e permanência de estrangeiros.

Segundo a Agência de Migração e Asilo, mais de 1,5 milhão de imigrantes viviam legalmente em Portugal em 2023 — o dobro de três anos antes. Desses, cerca de 450 mil são brasileiros, o que faz do grupo o maior entre os estrangeiros no país.

Fim do visto para “procura de trabalho”

Uma das mudanças mais significativas é a eliminação do visto para procura de trabalho, criado em 2022 e que permitia a entrada de estrangeiros para buscar emprego por até 120 dias. Agora, essa modalidade fica restrita apenas a trabalhadores qualificados, com diploma universitário ou formação técnica reconhecida.

Segundo o professor Wilson Bicalho, especialista em Direito Migratório, a medida “reduz drasticamente as chances de estrangeiros que buscavam recomeçar em Portugal sem vínculo prévio de trabalho”. Na prática, o país deixa de ser uma porta de entrada acessível para profissionais de setores como turismo, construção civil e serviços — áreas onde muitos brasileiros encontraram oportunidades.

Reagrupamento familiar sob novas regras

Outro ponto central da nova lei é o endurecimento do reagrupamento familiar. Antes, imigrantes com autorização de residência podiam solicitar a entrada de familiares de forma mais ampla. Agora, precisarão esperar dois anos para fazer o pedido.

Existem exceções: filhos menores de 18 anos, dependentes com deficiência e cônjuges ou companheiros que já viviam com o titular há pelo menos 18 meses terão prioridade. Esse prazo pode cair para 15 meses em situações comprovadas de união estável, e poderá até ser dispensado em “casos excepcionais devidamente fundamentados”.

Ainda assim, especialistas consideram as mudanças um retrocesso. “A nova lei cria um obstáculo emocional e logístico para famílias que tentam se reunir, especialmente as de origem lusófona”, afirma Bicalho.

Repercussão entre brasileiros e países da CPLP

Brasil E Portugal
© Unsplash

A lei também altera as condições de autorização de residência para cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), grupo do qual o Brasil faz parte. Embora ainda haja facilidades em relação a outras nacionalidades, o novo texto introduz controles adicionais e mais etapas burocráticas.

Para brasileiros que vivem em Portugal, o sentimento é de incerteza. Associações comunitárias alertam que muitos poderão perder o direito de trazer familiares ou ver pedidos de regularização travados por longos períodos.

O que vem a seguir

Com a promulgação, a Lei dos Estrangeiros entra em vigor após publicação oficial, consolidando um novo paradigma migratório em Portugal. A mudança marca o fim de uma fase em que o país se destacava por sua abertura — e o início de um cenário mais restritivo, em sintonia com o clima político europeu.

Para milhares de brasileiros, essa virada pode significar adiar planos, reavaliar sonhos e enfrentar uma nova realidade burocrática num país que, até pouco tempo atrás, parecia ter as portas abertas.

 

[ Fonte: CNN Brasil ]

 

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