Um dos maiores desafios da oncologia moderna não é apenas destruir os tumores visíveis, mas também eliminar células cancerosas que permanecem escondidas no organismo durante meses ou até anos. Essas células podem sobreviver aos tratamentos convencionais e favorecer o retorno da doença. Agora, uma equipe de pesquisadores apresentou uma tecnologia inovadora que usa luz para atacar justamente esse tipo de célula, oferecendo uma estratégia promissora para futuras terapias contra o câncer.
Tecnologia usa luz para reativar células cancerosas resistentes ao tratamento

Pesquisadores do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique desenvolveram uma técnica experimental capaz de atuar sobre células cancerosas latentes utilizando um mecanismo controlado por luz.
Segundo os cientistas, o objetivo é tornar essas células novamente vulneráveis aos tratamentos já existentes.
A tecnologia foi descrita pelo portal científico Science Daily e utiliza um interruptor molecular sensível à luz para controlar proteínas envolvidas no comportamento de determinados tipos de câncer.
O foco do estudo está nos chamados receptores de glicocorticoides.
Esses receptores ajudam algumas células tumorais a entrar em um estado de dormência, permitindo que sobrevivam à quimioterapia, à radioterapia e a outros tratamentos convencionais.
Enquanto permanecem nesse estado latente, essas células representam um dos principais fatores associados à recorrência da doença.
Ao desativar esses receptores, os pesquisadores conseguiram fazer com que as células “adormecidas” voltassem à atividade, tornando-se novamente suscetíveis às terapias anticâncer.
Sistema aproveita mecanismos naturais das próprias células

A nova abordagem utiliza um processo que já existe naturalmente no organismo.
Em vez de atacar diretamente as células, o sistema induz o próprio mecanismo celular responsável pela degradação de proteínas a eliminar seletivamente os receptores de glicocorticoides.
O diferencial da técnica é que todo esse processo pode ser controlado por luz.
Isso permite aos pesquisadores interromper ou ativar a degradação apenas nas regiões desejadas, preservando tecidos saudáveis e reduzindo o risco de efeitos colaterais.
Segundo os autores do estudo, esse nível de precisão pode representar uma vantagem importante em relação a diversas terapias atualmente disponíveis.
Nos experimentos realizados em laboratório com células de câncer de pulmão, a tecnologia conseguiu eliminar com sucesso os receptores-alvo e reativar células que permaneciam em estado de dormência.
Descoberta ainda precisa passar por novas etapas antes de chegar aos pacientes
Apesar dos resultados promissores, os próprios pesquisadores ressaltam que a técnica ainda está em fase inicial de desenvolvimento.
Até o momento, os testes foram realizados apenas em células cultivadas em laboratório.
O próximo passo será verificar se o mesmo mecanismo funciona com segurança e eficácia em organismos vivos.
Somente após essa etapa será possível avaliar a viabilidade de futuros ensaios clínicos envolvendo pacientes.
Além da aplicação no tratamento do câncer de pulmão, os cientistas acreditam que a plataforma poderá ser adaptada para atuar sobre outros receptores envolvidos em diferentes tipos de tumores.
A tecnologia também pode se tornar uma ferramenta importante para compreender melhor os mecanismos que regulam o crescimento, a dormência e a reativação das células cancerosas.
Nos últimos anos, diversas equipes de pesquisa ao redor do mundo têm concentrado esforços justamente nesse desafio: encontrar formas de eliminar células tumorais latentes antes que elas voltem a provocar a doença.
Embora ainda existam várias etapas até uma possível aplicação clínica, o novo estudo representa mais um avanço nessa busca e reforça o potencial de tecnologias altamente precisas para tornar os tratamentos oncológicos mais eficazes e menos agressivos aos tecidos saudáveis.
[Fonte: SANA]