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Ciência

Nova tecnologia baseada em luz pode ajudar a eliminar células cancerosas “adormecidas”

Uma nova tecnologia desenvolvida por pesquisadores suíços utiliza luz para atuar com alta precisão sobre células cancerosas latentes, abrindo caminho para tratamentos mais eficazes e com menos efeitos colaterais.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Um dos maiores desafios da oncologia moderna não é apenas destruir os tumores visíveis, mas também eliminar células cancerosas que permanecem escondidas no organismo durante meses ou até anos. Essas células podem sobreviver aos tratamentos convencionais e favorecer o retorno da doença. Agora, uma equipe de pesquisadores apresentou uma tecnologia inovadora que usa luz para atacar justamente esse tipo de célula, oferecendo uma estratégia promissora para futuras terapias contra o câncer.

Tecnologia usa luz para reativar células cancerosas resistentes ao tratamento

Nova tecnologia baseada em luz pode ajudar a eliminar células cancerosas "adormecidas"
© Unsplash

Pesquisadores do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique desenvolveram uma técnica experimental capaz de atuar sobre células cancerosas latentes utilizando um mecanismo controlado por luz.

Segundo os cientistas, o objetivo é tornar essas células novamente vulneráveis aos tratamentos já existentes.

A tecnologia foi descrita pelo portal científico Science Daily e utiliza um interruptor molecular sensível à luz para controlar proteínas envolvidas no comportamento de determinados tipos de câncer.

O foco do estudo está nos chamados receptores de glicocorticoides.

Esses receptores ajudam algumas células tumorais a entrar em um estado de dormência, permitindo que sobrevivam à quimioterapia, à radioterapia e a outros tratamentos convencionais.

Enquanto permanecem nesse estado latente, essas células representam um dos principais fatores associados à recorrência da doença.

Ao desativar esses receptores, os pesquisadores conseguiram fazer com que as células “adormecidas” voltassem à atividade, tornando-se novamente suscetíveis às terapias anticâncer.

Sistema aproveita mecanismos naturais das próprias células

Nova tecnologia baseada em luz pode ajudar a eliminar células cancerosas "adormecidas"
© Unsplash

A nova abordagem utiliza um processo que já existe naturalmente no organismo.

Em vez de atacar diretamente as células, o sistema induz o próprio mecanismo celular responsável pela degradação de proteínas a eliminar seletivamente os receptores de glicocorticoides.

O diferencial da técnica é que todo esse processo pode ser controlado por luz.

Isso permite aos pesquisadores interromper ou ativar a degradação apenas nas regiões desejadas, preservando tecidos saudáveis e reduzindo o risco de efeitos colaterais.

Segundo os autores do estudo, esse nível de precisão pode representar uma vantagem importante em relação a diversas terapias atualmente disponíveis.

Nos experimentos realizados em laboratório com células de câncer de pulmão, a tecnologia conseguiu eliminar com sucesso os receptores-alvo e reativar células que permaneciam em estado de dormência.

Descoberta ainda precisa passar por novas etapas antes de chegar aos pacientes

Apesar dos resultados promissores, os próprios pesquisadores ressaltam que a técnica ainda está em fase inicial de desenvolvimento.

Até o momento, os testes foram realizados apenas em células cultivadas em laboratório.

O próximo passo será verificar se o mesmo mecanismo funciona com segurança e eficácia em organismos vivos.

Somente após essa etapa será possível avaliar a viabilidade de futuros ensaios clínicos envolvendo pacientes.

Além da aplicação no tratamento do câncer de pulmão, os cientistas acreditam que a plataforma poderá ser adaptada para atuar sobre outros receptores envolvidos em diferentes tipos de tumores.

A tecnologia também pode se tornar uma ferramenta importante para compreender melhor os mecanismos que regulam o crescimento, a dormência e a reativação das células cancerosas.

Nos últimos anos, diversas equipes de pesquisa ao redor do mundo têm concentrado esforços justamente nesse desafio: encontrar formas de eliminar células tumorais latentes antes que elas voltem a provocar a doença.

Embora ainda existam várias etapas até uma possível aplicação clínica, o novo estudo representa mais um avanço nessa busca e reforça o potencial de tecnologias altamente precisas para tornar os tratamentos oncológicos mais eficazes e menos agressivos aos tecidos saudáveis.

[Fonte: SANA]

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