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Nova York propõe Lei de Proteção do Céu Noturno para reduzir poluição luminosa, proteger aves migratórias e transformar a iluminação urbana

Um projeto apresentado no estado de Nova York pretende limitar a iluminação artificial durante a noite para reduzir a poluição luminosa. A proposta busca proteger aves migratórias, preservar a biodiversidade urbana e diminuir o desperdício energético, ao mesmo tempo em que pode mudar radicalmente o visual noturno da cidade.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Conhecida mundialmente como “a cidade que nunca dorme”, Nova York pode estar prestes a rever um de seus símbolos mais característicos: a intensa iluminação noturna. Um novo projeto de lei apresentado na legislatura estadual pretende reduzir a poluição luminosa e recuperar parte da visibilidade do céu estrelado. A proposta também pretende proteger a fauna urbana, especialmente as aves migratórias que atravessam a região todos os anos.

Um plano para reduzir a poluição luminosa

Soho Nova York
© Yuki Iwamura/Bloomberg via Getty Images – Vía Gizmodo US

A proposta, chamada de Lei de Proteção do Céu Noturno, foi apresentada em Albany pelo senador estadual Brad Hoylman-Sigal e pela deputada Deborah Glick.

O objetivo é estabelecer regras mais rigorosas para o uso de iluminação externa em residências, empresas e espaços públicos. Caso seja aprovada, a legislação poderá transformar o padrão de iluminação da cidade e de seus arredores em um prazo aproximado de dois anos.

Segundo a emissora local WYRK, o projeto prevê medidas para preservar as características naturais do céu noturno, reduzir o desperdício energético e minimizar os impactos da luz artificial sobre a biodiversidade urbana.

Luzes de edifícios e o impacto nas aves migratórias

Um dos principais motivos da proposta é a proteção das aves migratórias.

Nova York está localizada em uma importante rota migratória da América do Norte. Durante a noite, milhares de aves utilizam as estrelas e outros sinais naturais para orientação.

No entanto, o brilho intenso dos edifícios da cidade pode desorientar esses animais. A iluminação artificial atrai as aves, que acabam colidindo contra fachadas de vidro ou estruturas iluminadas.

De acordo com a organização ambiental Sociedade Nacional Audubon, cerca de 100 mil aves morrem todos os anos em Nova York devido a colisões com edifícios iluminados durante os períodos migratórios.

Os legisladores afirmam que a nova lei pretende reduzir esse impacto e tornar o ambiente urbano menos hostil para a fauna.

Novas regras para iluminação externa

O texto do projeto estabelece que, a partir de 1º de janeiro de 2028, todas as luminárias externas deverão utilizar sistemas de direcionamento de luz.

Isso significa que as lâmpadas terão que apontar para o chão, evitando a dispersão da luz para o céu ou para áreas vizinhas.

A proposta também determina restrições para iluminação de instalações recreativas ao ar livre, como estádios e parques. Esses espaços deverão desligar suas luzes entre 23h e 5h da manhã, exceto quando houver eventos programados.

Caso não seja possível apagar completamente a iluminação, os locais deverão instalar sensores de movimento ou temporizadores automáticos que garantam o desligamento durante a madrugada.

As regras se aplicariam tanto a propriedades públicas quanto privadas.

O problema da intrusão luminosa

Além dos impactos ambientais, a legislação também responde a um número crescente de reclamações de moradores sobre a chamada intrusão luminosa.

Esse fenômeno ocorre quando a luz artificial proveniente de edifícios, outdoors ou fachadas invade residências próximas, iluminando quartos e áreas privadas durante a noite.

Especialistas afirmam que esse tipo de exposição constante à luz pode afetar o sono e interferir nos ritmos circadianos do corpo humano.

Os legisladores também apontam que o excesso de iluminação dificulta a observação astronômica. Em áreas como Manhattan, o brilho artificial é tão intenso que a maioria das estrelas simplesmente desaparece do céu noturno.

Exceções para infraestrutura essencial e áreas turísticas

Apesar das restrições, o projeto prevê exceções importantes.

Infraestruturas críticas, como aeroportos e rodovias, manterão seus sistemas de iluminação atuais por motivos de segurança e navegação.

Serviços de emergência, incluindo polícia, bombeiros e ambulâncias, também não terão suas operações noturnas afetadas.

Monumentos históricos poderão continuar iluminados, desde que recebam autorização específica. Segundo os legisladores, a iluminação desses locais possui importância cultural e turística.

O projeto também reconhece áreas com características especiais, como Times Square, onde a intensa iluminação faz parte da identidade urbana e econômica do local.

Um debate que já começou em nível local

O projeto de lei ainda está em análise no Comitê de Conservação Ambiental da legislatura estadual em Albany.

Seu futuro dependerá do apoio político dos legisladores, mas iniciativas semelhantes já vêm sendo adotadas em diversas cidades dos Estados Unidos.

Vários municípios do estado de Nova York já implementaram regulamentações locais para limitar a iluminação externa. Essas experiências demonstraram que é possível reduzir a poluição luminosa sem comprometer a segurança pública ou as atividades econômicas.

Se aprovada, a lei poderá transformar profundamente a forma como a iluminação urbana é planejada em Nova York.

Especialistas em sustentabilidade e astronomia afirmam que a medida pode ajudar a recuperar a visibilidade do céu estrelado em áreas que há décadas permanecem sob um intenso manto de luz artificial — trazendo benefícios tanto para a biodiversidade quanto para o bem-estar humano.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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